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Editorial do Global Times defende nova governança global e pede união contra hegemonia internacional

Livro branco divulgado por Pequim propõe reforma do sistema multilateral, fortalecimento do Sul Global e construção de uma ordem internacional mais justa

Versões em chinês e inglês do livro branco sobre Iniciativa de Governança Global (Foto: Global Times )
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247 – O governo chinês divulgou nesta quarta-feira um livro branco intitulado “Governança global mais justa e equitativa: princípios, propostas e ações da China”, no qual apresenta suas ideias, iniciativas e ações práticas para reformar e aperfeiçoar o sistema de governança global.

As informações são de editorial do Global Times, que destaca que o documento, publicado pelo Conselho de Estado da China, busca responder aos principais desafios internacionais da atualidade, ampliar consensos entre os países e fortalecer esforços conjuntos por uma ordem mundial mais equilibrada.

Segundo o jornal, o livro branco é orientado pelo Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era e sistematiza a visão chinesa sobre a necessidade de enfrentar déficits de paz, desenvolvimento, segurança e confiança que marcam o cenário internacional contemporâneo.

Crítica à ordem internacional dominada pelo Ocidente

O editorial afirma que, desde que o conceito de “governança global” surgiu na Europa nos anos 1990, a comunidade internacional nunca chegou a um consenso sobre questões fundamentais: quem deve governar, como governar e para quem governar.

Para o Global Times, a razão principal está no sistema discursivo dominado pelo Ocidente, que não conseguiu responder de maneira adequada às injustiças históricas nem corrigir a marginalização da ampla maioria dos países do Sul Global.

O texto sustenta que, em alguns casos, sob a lógica hegemônica de certas grandes potências, a ideia de “governança global” foi distorcida e transformada em uma tentativa de “governar o globo”. Essa visão, segundo o editorial, enfraqueceu a autoridade da Organização das Nações Unidas e submeteu o sistema internacional criado após a Segunda Guerra Mundial a fortes choques diante de múltiplas crises.

A crítica central é que a atual estrutura global ainda reflete uma lógica de centro e periferia, na qual parte significativa dos países em desenvolvimento permanece sem representação proporcional, sem voz adequada e sem capacidade real de influenciar decisões que afetam diretamente seus povos.

Iniciativa de Governança Global busca responder aos desafios da época

Em 2025, o presidente chinês Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Governança Global, conhecida pela sigla em inglês GGI. De acordo com o editorial, a proposta oferece uma resposta chinesa à pergunta central de nosso tempo: que tipo de sistema de governança global deve ser construído e como reformá-lo e aperfeiçoá-lo.

A iniciativa se baseia em cinco princípios fundamentais: compromisso com a igualdade soberana, respeito ao direito internacional, defesa do multilateralismo, abordagem centrada nas pessoas e busca de resultados concretos.

Segundo o Global Times, a proposta chinesa rejeita a lógica ultrapassada da ordem “centro-periferia” e também recusa a chamada “lei da selva”, segundo a qual “a força faz o direito”. Para o jornal, a iniciativa abre um novo horizonte para a civilização política internacional e responde aos apelos da comunidade global por justiça em vez de hegemonia, legalidade em vez de desordem, cooperação em vez de confronto e ação em vez de discurso vazio.

O editorial afirma que a proposta tem recebido ampla acolhida e resposta positiva da comunidade internacional.

Sul Global ganha centralidade na reforma do sistema internacional

O texto destaca que existem hoje mais de 190 países no mundo, com sistemas sociais, trajetórias de desenvolvimento e condições nacionais distintas. Apesar dessas diferenças, todos compartilham uma aspiração simples: participar de forma igualitária, decidir de forma igualitária e se beneficiar de forma igualitária da construção e do aperfeiçoamento da governança global.

Para o jornal chinês, a Iniciativa de Governança Global conseguiu formar consenso amplo porque se apoia na consulta, na contribuição conjunta e no compartilhamento de benefícios. Esses princípios, segundo o editorial, refletem aspirações comuns dos povos e se alinham à tendência histórica de uma multipolaridade equitativa e ordenada, bem como de uma globalização econômica inclusiva.

O Global Times afirma que a proposta significa que a governança global não deve mais ser entendida como um processo em que alguns países governam outros, mas como uma dinâmica em que todos os países participam, contribuem e se beneficiam em conjunto.

O editorial também ressalta que não se trata de começar do zero nem de construir um sistema inteiramente novo, mas de tornar o sistema internacional existente mais adaptado às mudanças da realidade global e mais capaz de responder às necessidades urgentes dos povos.

Pequim aposta em resultados concretos

Um dos pontos centrais do editorial é a defesa de uma governança orientada a resultados. Segundo o texto, a eficácia da governança global deve ser medida por sua capacidade de resolver problemas reais.

O jornal afirma que a comunidade internacional acompanha com atenção se a proposta chinesa poderá ser implementada e de que forma isso ocorrerá. Para o Global Times, qualquer plano precisa criar raízes para dar frutos, razão pela qual a Iniciativa de Governança Global enfatiza ações práticas e resultados concretos.

O editorial cita a experiência acumulada pela China em diferentes frentes, como sua atuação em temas internacionais sensíveis, a promoção da Iniciativa Cinturão e Rota, a defesa dos países do Sul Global e os esforços para aperfeiçoar regras de governança em novos domínios.

O texto também menciona mecanismos inovadores, como a Organização Internacional para Mediação, apresentada como exemplo de iniciativa capaz de renovar instrumentos diplomáticos e fortalecer soluções pacíficas para controvérsias internacionais.

Nove direções de reforma e apoio internacional crescente

O livro branco divulgado por Pequim propõe nove grandes direções para a reforma da governança global. Segundo o Global Times, em menos de um ano, quase 160 países e organizações internacionais manifestaram acolhimento e apoio à Iniciativa de Governança Global.

Além disso, mais de 60 países aderiram ativamente ao Grupo de Amigos da Governança Global. Para o editorial, isso demonstra que a proposta deixou de ser apenas uma iniciativa chinesa e já se transformou em prática internacional, com forte vitalidade política e diplomática.

O jornal sustenta que a governança global diz respeito ao bem-estar comum da comunidade internacional e depende dos esforços conjuntos de todos os países. Por isso, afirma que ela é, em última instância, “assunto de todos”.

Essa construção, segundo o texto, exige trabalho persistente, coordenação entre diferentes partes e a capacidade de reunir a força mais ampla possível em torno do maior denominador comum.

Reforma do Conselho de Segurança e papel dos países em desenvolvimento

O editorial defende que o Sul Global tem vontade, direito e capacidade de se tornar uma força-chave na reforma da governança global. Nesse contexto, a reforma do Conselho de Segurança da ONU aparece como tema central.

Para o Global Times, a composição do Conselho deve aumentar a representação e a voz dos países em desenvolvimento, com arranjos especiais para priorizar as preocupações do continente africano.

O texto, no entanto, afirma que a valorização do Sul Global não deve significar a criação de uma divisão rígida entre Sul e Norte. Segundo o editorial, o aperfeiçoamento do sistema de governança global não pode ocorrer sem cooperação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

O jornal defende que os países desenvolvidos cumpram efetivamente suas responsabilidades, oferecendo mais recursos e bens públicos internacionais. Ao mesmo tempo, sustenta que os países em desenvolvimento também devem se unir, fortalecer suas próprias capacidades e contribuir dentro de suas possibilidades.

China propõe avançar com multilateralismo e cooperação

Na avaliação do Global Times, a China está pronta para avançar de mãos dadas com todas as partes, mantendo erguida a bandeira do multilateralismo, implementando integralmente a Iniciativa de Governança Global e promovendo a construção de um sistema internacional mais justo e equitativo.

O editorial relaciona essa agenda ao objetivo mais amplo defendido por Pequim de construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade.

O jornal reconhece que esse é um processo longo, que exige paciência, sabedoria e coragem. No entanto, afirma que a direção está clara e que o caminho está bem definido.

Ao citar o apelo do livro branco, o editorial sustenta que todas as partes devem perseverar diante dos desafios, superar disputas e trabalhar em conjunto pela construção de uma governança global mais justa e equitativa.

Para o Global Times, a mensagem central é que a comunidade internacional deve estar unida e agir. O chamado de Pequim busca transformar a reforma da governança global em uma tarefa coletiva, orientada pela cooperação, pelo multilateralismo e pela busca de resultados concretos para todos os povos.

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