China defende governança global mais justa e equitativa
Livro branco propõe reforma do sistema internacional, fortalecimento da ONU e maior voz ao Sul Global
247 - A China defendeu a construção de uma governança global mais justa e equitativa ao divulgar um novo livro branco com princípios, propostas e ações voltados à reforma do sistema internacional, ao fortalecimento do multilateralismo e à ampliação da participação dos países do Sul Global nas decisões mundiais, segundo editorial publicado pelo Global Times.
De acordo com o Global Times, o documento, intitulado “Governança Global Mais Justa e Equitativa: Princípios, Propostas e Ações da China”, foi divulgado pelo governo chinês na quarta-feira (17), e apresenta de forma sistemática as posições de Pequim sobre os desafios globais contemporâneos, sob orientação do Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era.
O livro branco afirma que o atual sistema de governança internacional precisa ser reformado e aperfeiçoado para responder de maneira mais eficaz a crises globais, reduzir desigualdades históricas e construir consensos mais amplos entre os países. A publicação também busca apresentar a visão chinesa sobre como enfrentar déficits de paz, desenvolvimento, segurança e confiança no mundo.
Segundo o editorial, desde que o conceito de “governança global” ganhou força na Europa, na década de 1990, a comunidade internacional ainda não chegou a um entendimento comum sobre quem deve governar, como deve governar e em benefício de quem. Para o jornal, essa indefinição está relacionada à permanência de um sistema discursivo dominado pelo Ocidente.
O texto sustenta que a ordem internacional vigente não corrigiu injustiças históricas e manteve grande parte dos países do Sul Global em posição marginalizada. O editorial também afirma que, sob a lógica hegemônica de algumas grandes potências, a ideia de “governança global” foi distorcida em direção a uma tentativa de “governar o globo”.
Nesse contexto, o Global Times aponta que a autoridade da Organização das Nações Unidas foi enfraquecida e que o sistema internacional formado após a Segunda Guerra Mundial passou por fortes abalos diante de crises sucessivas. Para o editorial, esse cenário reforça a necessidade de uma reforma voltada à igualdade soberana, ao direito internacional e ao multilateralismo.
Em 2025, o presidente chinês Xi Jinping apresentou a Iniciativa de Governança Global, também chamada de GGI na sigla em inglês. A proposta busca responder ao debate sobre que tipo de sistema de governança global deve ser construído e como ele pode ser reformado e aperfeiçoado.
A iniciativa se apoia em cinco princípios centrais: igualdade soberana, Estado de Direito internacional, multilateralismo, abordagem centrada nas pessoas e resultados concretos. Segundo o editorial, esses pontos rejeitam a chamada “lei da selva”, na qual a força se sobrepõe ao direito, e procuram superar a lógica de “centro e periferia” presente em teorias tradicionais das relações internacionais.
O Global Times afirma que a proposta chinesa responde a demandas internacionais por justiça em vez de hegemonia, Estado de Direito em vez de desordem, cooperação em vez de confronto e ação em vez de discursos vazios. O editorial acrescenta que a iniciativa foi recebida de forma positiva por diferentes setores da comunidade internacional.
O texto ressalta que mais de 190 países possuem sistemas sociais, trajetórias históricas e condições nacionais distintas, mas compartilham a aspiração de participar, decidir e se beneficiar de forma igualitária da construção de um sistema de governança global mais equilibrado.
Para o jornal, a GGI conquistou apoio porque se baseia em consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados. O editorial também destaca a multipolaridade equitativa e ordenada, a globalização econômica inclusiva, o multilateralismo genuíno e os valores comuns da humanidade como elementos centrais da proposta.
A iniciativa, segundo o Global Times, não pretende iniciar um novo sistema do zero, mas tornar a ordem internacional existente mais adaptada às novas realidades e mais capaz de responder às necessidades urgentes dos povos. O editorial sustenta que a governança global deve deixar de ser um processo em que poucos países comandam os demais para se tornar uma construção coletiva.
O texto também afirma que o êxito de qualquer modelo de governança depende de sua capacidade de resolver problemas concretos. Nesse sentido, o editorial destaca que a comunidade internacional acompanha não apenas a formulação da proposta chinesa, mas também sua implementação prática.
Segundo o Global Times, a China já acumulou experiência em diferentes frentes de atuação internacional. Entre os exemplos citados estão os esforços para promover a Iniciativa Cinturão e Rota, a defesa dos interesses dos países do Sul Global, a busca por soluções chinesas para questões globais e o aperfeiçoamento de regras em novos domínios de governança.
O editorial também menciona mecanismos considerados inovadores, como a Organização Internacional para a Mediação, descrita como uma iniciativa capaz de renovar instrumentos de resolução de controvérsias no plano internacional.
O livro branco propõe nove grandes diretrizes para a reforma da governança global. Segundo o texto, em menos de um ano, quase 160 países e organizações internacionais acolheram ou apoiaram a GGI, enquanto mais de 60 países aderiram ao Grupo de Amigos da Governança Global.
Para o Global Times, esses números indicam que a iniciativa deixou de ser apenas uma proposta chinesa e passou a se transformar em prática internacional, com vitalidade crescente. O editorial afirma que a governança global é um tema de interesse comum e depende da participação sustentada de todos os países.
O texto sustenta ainda que o Sul Global tem vontade, direito e capacidade de desempenhar papel fundamental na reforma da governança global. O editorial defende que a reforma do Conselho de Segurança da ONU amplie a representação e a voz dos países em desenvolvimento, com atenção especial às preocupações africanas.
Ao mesmo tempo, o jornal afirma que esse processo não deve criar uma divisão entre Sul Global e Norte Global. Para o editorial, a melhoria do sistema internacional exige cooperação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
O Global Times argumenta que as nações desenvolvidas devem cumprir suas responsabilidades ao oferecer mais recursos e bens públicos internacionais. Já os países em desenvolvimento, segundo o texto, devem fortalecer sua cooperação, ampliar sua capacidade de ação e contribuir dentro de suas possibilidades.
Na conclusão, o editorial afirma que a China está disposta a avançar junto com todas as partes na defesa do multilateralismo, na implementação da Iniciativa de Governança Global e na construção de um sistema internacional mais justo e equitativo.
O texto também associa esse esforço ao objetivo de construir uma comunidade com futuro compartilhado para a humanidade. Para o Global Times, trata-se de um processo longo, que exige paciência, sabedoria e coragem, mas cuja direção já estaria definida.
O editorial encerra afirmando que, conforme exige o livro branco, todas as partes devem perseverar diante dos desafios, superar disputas e trabalhar em conjunto por uma governança global mais justa e equitativa. Segundo o jornal, espera-se que a comunidade internacional se una e aja.




