Economia circular é uma das prioridades do setor industrial em 2026
Este modelo de atividade pode criar algo perto de 4,8 milhões na América Latina e no Caribe
247 - A Taxonomia Sustentável Brasileira (TSB), conhecida como “dicionário da sustentabilidade”, foi um dos principais temas debatidos na 5ª Reunião Ordinária do Fórum Nacional de Economia Circular, realizada nesta quinta-feira (5), em Brasília (DF). O encontro discutiu as perspectivas para 2026 e os próximos passos do instrumento, incluindo a preparação da segunda edição da taxonomia. A informação foi divulgada durante a reunião do Fórum, que teve participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo os debates, a nova versão da TSB deverá incorporar o objetivo de transição para uma economia circular, com foco na redução do uso de matéria-prima e no reaproveitamento de recursos em cadeias produtivas estratégicas.
Estudos internacionais citados no encontro reforçam o potencial da economia circular para impulsionar emprego e renda. Um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apresentado no Fórum Mundial de Economia Circular (WCEF2024), estima que a transição para esse modelo pode criar 7 milhões de empregos no mundo. Na América Latina e no Caribe, o potencial de geração de vagas chega a 4,8 milhões.
A economia circular, conceito central do debate, envolve práticas como embalagens retornáveis e eletrônicos projetados com peças substituíveis e de fácil conserto, ampliando a durabilidade dos produtos e diminuindo a geração de resíduos. A proposta da taxonomia é estabelecer critérios técnicos e científicos que orientem investimentos voltados a esse tipo de iniciativa, como reaproveitamento de materiais, redução de resíduos e design regenerativo.
Para o setor industrial, a taxonomia voltada à economia circular tende a assumir um papel prático, funcionando como um guia para orientar fluxos financeiros, fortalecer a gestão de riscos e ampliar a competitividade de empresas na transição para modelos produtivos de baixo carbono.
A CNI integra o Comitê Consultivo da Taxonomia Sustentável Brasileira e teve participação ativa na elaboração da primeira edição do instrumento, construída em parceria com seis setores industriais contemplados no objetivo de mitigação da mudança do clima.
O superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, destacou que a nova etapa aproxima políticas públicas e mercado financeiro, oferecendo maior segurança para decisões empresariais e incentivando a transformação das cadeias produtivas. “Baseada em um conjunto de critérios técnicos, a taxonomia brasileira orienta investimentos, dá previsibilidade às empresas e, com a inclusão do objetivo de transição para uma economia circular, ajudará ainda mais a viabilizar modelos produtivos circulares, acelerando o desenvolvimento sustentável e a criação de novos empregos”, afirmou.
Próximos passos para 2026
Durante a reunião, foram apresentados os principais encaminhamentos para o próximo ano, com destaque para a elaboração da segunda edição da Taxonomia Sustentável Brasileira. O plano inclui também a ampliação da plataforma Recircula Brasil para novas cadeias produtivas, com a proposta de estabelecer padrões de certificação e rastreabilidade para práticas circulares no país.
Outro ponto apontado como prioridade é a atualização e criação de decretos de logística reversa voltados aos setores de eletroeletrônicos e de papel e papelão, além da consolidação de indicadores nacionais de circularidade, com apoio internacional.
A agenda também prevê um diagnóstico nacional para definição de setores prioritários nas políticas públicas e avanços na discussão sobre tributação da indústria da reciclagem. Além disso, o Fórum indicou a necessidade de expandir instrumentos financeiros direcionados a recicladoras, cooperativas de catadores e infraestrutura de triagem, bem como fortalecer as compras públicas sustentáveis como mecanismo de estímulo ao setor.
Com a ampliação da TSB e a incorporação da economia circular como objetivo estruturante, o Brasil busca consolidar um ambiente mais previsível para investimentos sustentáveis e acelerar a transição produtiva, unindo inovação, competitividade e redução de impactos ambientais.


