Brasil e Rússia retomam comissão bilateral e discutem comércio em moedas locais
Reunião no Itamaraty marca retomada da comissão bilateral e debate logística, cooperação bancária e comércio bilateral
247 - O primeiro-ministro da Rússia, Mikhail Mishustin, chegou nesta quinta-feira (5) ao Palácio Itamaraty, em Brasília, para participar da VIII Reunião da Comissão Brasil-Rússia de Alto Nível de Cooperação (CAN). O encontro, retomado após cerca de dez anos, busca ampliar o comércio bilateral e fortalecer mecanismos financeiros e logísticos entre os dois países. As informações são da Sputnik Brasil.
Mishustin foi recebido pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, e pelo chanceler brasileiro, Mauro Vieira. A delegação russa inclui ministros e representantes do alto escalão do governo em Moscou.
Encontro no Itamaraty retoma comissão após quase dez anos
Durante a reunião, Mishustin afirmou que o Brasil é o principal parceiro econômico da Rússia na América Latina e avaliou que o relacionamento bilateral tem avançado com novos projetos. Segundo ele, a cooperação entre os dois países “avança de forma constante, com novos projetos mutuamente benéficos em várias áreas”.
O premiê russo destacou que o comércio entre Brasil e Rússia é sustentado por exportações brasileiras de carne e café, enquanto Moscou tem participação relevante no fornecimento de fertilizantes ao mercado brasileiro.
Rússia destaca papel dos fertilizantes na parceria
Mishustin ressaltou que a Rússia fornece cerca de 25% dos fertilizantes importados pelo Brasil, relação que, segundo ele, “contribui para a segurança alimentar”. Ele afirmou ainda que o cenário de transformações da economia global pode abrir novas possibilidades de expansão da cooperação bilateral, diante da digitalização e da transição energética.
Mishustin defende pagamentos em moedas nacionais
Entre os pontos centrais discutidos, Mishustin defendeu a ampliação do uso de moedas locais nas transações entre os dois países, além do fortalecimento da cooperação bancária e de corredores logísticos.
“O aumento dos pagamentos em moedas locais, a ampliação da cooperação bancária e o desenvolvimento de corredores de transporte e cadeias logísticas são prioridades da cooperação econômica entre os dois países”, declarou.
Em outro momento, o primeiro-ministro russo afirmou que a cooperação entre Rússia e Brasil pode ter impactos além da economia, ao contribuir para ações conjuntas em fóruns internacionais e para o avanço de novos projetos bilaterais.
Alckmin cita comércio de US$ 11 bilhões em 2025
Do lado brasileiro, Geraldo Alckmin afirmou que o comércio bilateral alcançou cerca de US$ 11 bilhões (R$ 57,9 bilhões) em 2025. O vice-presidente avaliou que o volume é expressivo, mas ainda inferior ao potencial das duas economias.
Para Alckmin, o desafio é “crescer com mais equilíbrio e valor agregado”, ampliando a cooperação em áreas como agronegócio, energia, ciência, tecnologia, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.
Reshetnikov aponta potencial ainda pouco explorado
Também presente na reunião, o ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maksim Reshetnikov, afirmou a jornalistas que existe grande espaço para crescimento na relação comercial entre os dois países.
“O nosso interesse é muito grande […] aqui nós temos exatamente o que oferecer e, provavelmente, a principal tarefa agora é garantir o sucesso dos contatos de negócios”, declarou. Segundo Reshetnikov, o potencial de cooperação ainda não foi plenamente reconhecido, levando em conta a dimensão das duas economias e o tamanho do mercado consumidor.
O ministro afirmou que a CAN está estruturada em três seções e três rodadas de discussão, envolvendo temas gerais, cooperação industrial e distribuição de produtos industriais tanto no Brasil quanto na Federação da Rússia.
Reshetnikov também mencionou oportunidades em setores como agroindústria, produtos minerais, tecnologia agrícola, indústria automotiva, setor farmacêutico e tecnologia da informação, incluindo segurança digital e internet.
De acordo com ele, nos últimos anos houve aumento na distribuição de produtos de óleo para o mercado brasileiro, enquanto a Rússia também ampliou a compra de produtos agrícolas, como café e carne. Reshetnikov afirmou ainda que a diversificação da pauta comercial é uma das principais tarefas e que questões ligadas à logística, estabilização de fluxos comerciais e sistemas de pagamento seguem em debate em níveis governamental e empresarial. “Nós também discutimos isso no nível do órgão e, portanto, no nível do negócio”, afirmou.


