Alckmin defende parceria estratégica com a Rússia
Em reunião com autoridades russas, vice-presidente afirma que o comércio bilateral com o país está abaixo do potencial
247 - O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu nesta quinta-feira a ampliação da cooperação econômica entre Brasil e Rússia e afirmou que a relação comercial entre os dois países ainda não reflete a capacidade produtiva de ambas as economias. A declaração foi feita na abertura de uma reunião com autoridades russas, realizada no Itamaraty, em Brasília.
O encontro foi liderado por uma delegação chefiada pelo primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, enviado do presidente Vladimir Putin. Putin não participou da viagem por estar impedido de deixar o país devido a um mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Durante a reunião, Alckmin afirmou que a parceria entre os dois países deve ser sustentada por interesses de longo prazo, e não por circunstâncias momentâneas. Segundo ele, “parcerias sólidas não dependem apenas da conjuntura, mas de interesses estruturais bem compreendidos”.
Sem mencionar diretamente temas sensíveis como a guerra entre Rússia e Ucrânia, o vice-presidente destacou a dimensão e a estrutura das economias brasileira e russa como base para aprofundar a cooperação bilateral.
“Brasil e Rússia são economias de grande escala, dotadas de ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes. Essa combinação cria oportunidades concretas para ampliar, diversificar e qualificar nossa cooperação econômica e comercial”, afirmou Alckmin.
A agenda do encontro prevê ainda um almoço oferecido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação do vice-presidente, embora o volume atual de negócios seja significativo, ainda há espaço para expansão.
“Apesar de relevante, o comércio bilateral ainda está aquém do potencial”, disse.
Áreas prioritárias na cooperação Brasil-Rússia
Também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin listou os temas considerados centrais na agenda bilateral. Entre eles estão cooperação internacional, fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.
“Em todas essas áreas, buscamos promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica”, declarou.
Alckmin apontou que o comércio entre os dois países chegou a cerca de 11 bilhões de dólares em 2025. Apesar do número expressivo, ele avaliou que o montante ainda é modesto diante das capacidades produtivas e tecnológicas dos dois lados.
“Esperamos que, a partir das orientações aqui definidas, essas subcomissões avancem na ampliação e diversificação do comércio bilateral, no estímulo a investimentos produtivos e na cooperação e promoção de parcerias capazes de gerar crescimento sustentável e de benefício mútuo para nossas economias”, afirmou.
Governo aposta em neoindustrialização e mira investimentos russos
Ao comentar a política econômica do governo federal, Alckmin ressaltou que a estratégia brasileira está baseada na neoindustrialização. Segundo ele, o objetivo é modernizar a indústria nacional com foco em inovação e sustentabilidade.
“O governo brasileiro tem adotado uma política consistente de neoindustrialização, baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão. Queremos uma indústria mais verde, mais digital e mais integrada às cadeias globais de valor”, disse.
O vice-presidente acrescentou que o Brasil observa com atenção a possibilidade de ampliar investimentos russos no país, especialmente em setores estratégicos.
Ele afirmou ver “grande interesse na ampliação de investimentos russos no Brasil, especialmente em setores como química, fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura”.
Além disso, defendeu que empresas brasileiras também podem aumentar sua presença no mercado russo, com potencial em segmentos como alimentos processados, máquinas, equipamentos, dispositivos médicos, tecnologia agrícola e soluções industriais.
Para viabilizar essa ampliação, Alckmin defendeu a modernização dos canais institucionais, a redução de entraves logísticos e o aprofundamento do diálogo técnico entre os países.
Comércio bilateral em 2025: exportações crescem e importações caem
Dados apresentados no encontro mostram que, em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Rússia alcançou US$ 10,9 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 1,5 bilhão, o equivalente a 0,4% do total exportado pelo Brasil, com crescimento de 5% em relação a 2024.
Os principais produtos exportados pelo Brasil foram carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, café não torrado e soja.
Já as importações brasileiras provenientes da Rússia totalizaram US$ 9,4 bilhões, concentradas principalmente em óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos e em adubos ou fertilizantes químicos.
O volume importado caiu 14,2% na comparação com 2024, quando o Brasil havia comprado US$ 10,9 bilhões em produtos russos.


