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NIB já mobilizou R$ 30,7 bilhões para projetos de defesa, soberania e tecnologias estratégicas

Levantamento da ABDE mostra que SNF apoiou 149 projetos ligados à Base de Defesa, com foco em aeroespacial, satélites, cibersegurança e tecnologia nuclear

Míssil brasileiro (Foto: Cap. Evaldo / Exército Brasileiro)
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247 - A política industrial brasileira voltada à soberania tecnológica e à defesa nacional já movimentou pelo menos R$ 30,7 bilhões em financiamentos e operações de apoio à inovação desde o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB). O dado integra levantamento realizado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), que mapeou a atuação do Sistema Nacional de Fomento (SNF) na Missão 6 da NIB, eixo dedicado ao desenvolvimento de tecnologias estratégicas para defesa, segurança e autonomia tecnológica. Ao todo, foram identificados 149 projetos apoiados por instituições do sistema.

Segundo o estudo, os R$ 30,7 bilhões mapeados consideram a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), da Finep e de agentes regionais do Sistema Nacional de Fomento, incluindo bancos de desenvolvimento e agências de fomento. A maior parte dos recursos foi desembolsada pelo BNDES, responsável por R$ 27,82 bilhões distribuídos em 77 projetos. A Finep responde por outros R$ 2,88 bilhões, aplicados em 72 iniciativas voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação. O levantamento aponta que a combinação entre crédito, subvenção econômica e recursos não reembolsáveis tem sido fundamental para impulsionar setores intensivos em tecnologia e conhecimento.

Os investimentos abrangem áreas consideradas críticas para a soberania nacional, como sistemas aeroespaciais, satélites, radares, tecnologias nucleares, computação quântica, defesa cibernética, sensores inteligentes, veículos autônomos e sistemas de uso dual — aqueles que podem ser aplicados tanto em atividades civis quanto militares.

Entre os maiores projetos apoiados pela Finep destacam-se a expansão tecnológica de aeronaves para aumento da competitividade, com investimento de R$ 316 milhões; a atualização e ampliação da capacidade da Plataforma Multimissão (PMM), com R$ 249,4 milhões; o desenvolvimento de um satélite nacional de observação de altíssima resolução, que recebeu R$ 220 milhões; o Micro Lançador Brasileiro (MLBR), com R$ 190 milhões; e o programa de desenvolvimento de um veículo lançador de nanosatélites comercialmente competitivo, contemplado com R$ 180,5 milhões. Também figuram entre os principais aportes projetos voltados à autonomia tecnológica aeroespacial, tecnologias nucleares e sistemas avançados de defesa.

No caso do BNDES, além do apoio direto à inovação industrial, o levantamento destaca operações voltadas à Base Industrial de Defesa e à indústria aeronáutica nacional. Somadas, as principais operações destinadas à aquisição e à exportação de aeronaves totalizam R$ 7 bilhões, evidenciando o papel do Banco no fortalecimento da cadeia aeronáutica brasileira, na ampliação da capacidade produtiva e no aumento da competitividade internacional da indústria nacional. 

A pesquisa também identificou a participação de agentes regionais do Sistema Nacional de Fomento. Entre as instituições consultadas pela ABDE estão o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a Agência de Fomento de Pernambuco (AGE-PE), a Fomento Paraná, a Desenvolve Bahia (Desenbahia), a Agência de Fomento do Estado do Rio de Janeiro (AgeRio), a Desenvolve Alagoas e o Banese. Foram identificadas iniciativas relacionadas à inovação tecnológica, monitoramento eletrônico, segurança pública municipal e vigilância privada, evidenciando conexões com a agenda de defesa e segurança em diferentes níveis.

“Os números demonstram que o Sistema Nacional de Fomento desempenha papel relevante no financiamento da soberania tecnológica brasileira. O levantamento aponta que a agenda de defesa do país está cada vez mais associada ao desenvolvimento de tecnologias avançadas e à inovação industrial, reforçando capacidades nacionais em áreas estratégicas como aeroespacial, cibersegurança, inteligência artificial, tecnologias quânticas, radares, sensores e infraestrutura científica”, ressalta o diretor executivo da ABDE, André Godoy.

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