Cacique Raoni volta à UTI em estado grave
Líder indígena de 94 anos está internado em Sinop após piora clínica e suspeita de infecção pulmonar
247 - O líder indígena Raoni Metuktire, conhecido como Cacique Raoni, voltou a ser internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em estado grave, em Sinop, no Mato Grosso, após apresentar piora clínica, episódios de vômito, tosse persistente e sinais de possível infecção pulmonar.
O cacique, de 94 anos, deu entrada no Hospital Dois Pinheiros às 17h de domingo (14). A unidade informou que o quadro exige cuidados intensivos e acompanhamento ininterrupto por equipe multiprofissional.
De acordo com familiares e cuidadores, Raoni estava em sua casa, na região de Peixoto de Azevedo (MT), onde recebia visitas de lideranças e pajés de seu povo, quando apresentou um episódio de vômito na manhã de sábado (13). No domingo, o quadro se agravou, com três novos episódios de vômito, associados a tosse persistente, dor abdominal e expectoração com pequena quantidade de sangue.
O líder indígena chegou a ingerir apenas o café da manhã e não voltou a se alimentar ao longo do dia, em razão do desconforto abdominal e da evolução dos sintomas. Diante da persistência do quadro e do comprometimento do estado geral, foi decidido seu deslocamento por transporte aéreo até o Hospital Dois Pinheiros.
Na chegada à unidade de saúde, Raoni apresentava piora importante do estado geral, sinais de desidratação, sonolência acentuada, abdome distendido e ausência de diurese. Ele passou imediatamente por avaliação médica e por uma investigação diagnóstica ampla.
Entre os exames realizados estão análises laboratoriais, hemoculturas, gasometria arterial e tomografias de crânio, tórax e abdome. Os primeiros resultados apontaram alterações na função renal e marcadores compatíveis com um processo infeccioso grave.
A principal hipótese diagnóstica considerada pela equipe médica é sepse de foco pulmonar secundária a pneumonia broncoaspirativa, possivelmente decorrente de vômitos incoercíveis. A tomografia de abdome também identificou suboclusão gástrica.
Raoni permanece internado na UTI sob monitoramento contínuo. O tratamento inclui hidratação venosa, antibioticoterapia de amplo espectro e suporte intensivo. Familiares seguem em contato permanente com a equipe assistencial responsável pelo atendimento.
Histórico recente de internações
A nova internação ocorreu pouco mais de três semanas após o cacique ter retornado para casa. No dia 21 de maio, Raoni havia recebido alta médica depois de permanecer cinco dias internado na UTI por problemas respiratórios.
Na ocasião, ele deixou o hospital em condição estável e foi levado de transporte aéreo até sua residência, acompanhado por médicos e familiares. O Hospital Dois Pinheiros informou que o líder indígena apresentou evolução favorável durante a internação anterior.
"Durante a internação, permaneceu sob monitoramento intensivo e acompanhamento multiprofissional contínuo, com melhora progressiva do quadro respiratório e gastrointestinal, incluindo resolução do desconforto abdominal previamente apresentado. Evoluiu com estabilidade clínica, encontrando-se assintomático, afebril, hemodinamicamente estável e com boa aceitação alimentar no momento da alta", informou o hospital.
Após a alta, a orientação médica era de que Raoni permanecesse em acompanhamento domiciliar, com monitoramento do quadro respiratório e uso de medicações.
Internação por hérnia crônica
Antes da internação por problemas respiratórios, Raoni já havia sido atendido em maio por um quadro de hérnia crônica. No dia 7 daquele mês, o líder indígena foi internado no Hospital Dois Pinheiros, em Sinop. Na ocasião, o Instituto Raoni informou que a agenda do cacique estava suspensa.
Dois dias depois, em 9 de maio, ele recebeu alta clínica. No entanto, em 12 de maio, voltou a apresentar indisposição e foi atendido inicialmente na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Peixoto de Azevedo. Em seguida, foi encaminhado ao Hospital Regional do município, onde recebeu atendimento médico.
A pedido da família, o cacique foi transferido posteriormente para o Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, unidade onde permanece internado novamente sob cuidados intensivos.



