Deputados querem CPI do Meio Ambiente para investigar Bolsonaro e Salles

Aproveitando a criação da CPI da Covid, setores de oposição na Câmara dos Deputados realizaram uma reunião para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue eventuais crimes ambientais cometidos pelo governo federal

Ministro Ricardo Salles comenta incêndios na Austrália
Ministro Ricardo Salles comenta incêndios na Austrália (Foto: Reprodução)
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247 - Aproveitando a criação da CPI da Covid, setores de oposição na Câmara dos Deputados realizaram uma reunião para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigue eventuais crimes ambientais cometidos pelo governo federal, segundo o jornal O Globo.

Segundo a reportagem, “a articulação se deu após o depoimento do delegado da Polícia Federal Alexandre Saraiva à Casa”. Na segunda-feira, 26, o ex-superintendente da PF no Amazonas afirmou que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, legitimou a ação de madeireiros criminosos.

O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) informou que o documento para pedir a abertura da CPI está sendo elaborado nesta terça-feira, 27.

“Embora inicialmente o enfoque será as denúncias apresentadas por Saraiva contra Salles, é possível que o escopo da comissão seja mais amplo e aborde também denúncias de inação do governo e de outros crimes ambientais defendidos por ele”, disse o Globo.

Saraiva afastado por Salles

Freixo afirmou que “o delegado Alexandre Saraiva apresentou uma farta documentação comprovando crimes que estão sendo defendidos pelo ministro Salles”. “A gente acabou de assistir um encontro mundial sobre o clima, mas, aqui, o crime ambiental é defendido pelo governo”, destacou.

Após protocolar uma notícia-crime contra Salles no Supremo Tribunal Federal (STF), Saraiva foi demitido da superintendência da PF no Amazonas.

Segundo Freixo, se a CPI foi instaurada - com a assinatura de ao menos 171 deputados -, Saraiva será um dos primeiros a ser ouvido.

A oposição já teria 130 votos. “Entre os partidos que [Freixo] tentará trazer de apoio para abrir a CPI estão o PV, o Cidadania, além do MDB e DEM”, informou o Globo. “O meio ambiente é um assunto que ultrapassa direita e esquerda”, afirmou o deputado do PSOL.

"Alvo a ser abatido" por madeireiros

Retirado do comando da Polícia Federal no Amazonas pelo atual diretor-geral Paulo Maiurino, Alexandre Saraiva é citado em troca de mensagens de madeireiros investigados pela corporação como o “alvo a ser abatido”, mostrando que o setor que o delegado fora do cargo, segundo informações da Folha de S.Paulo.

O investigado Roberto Paulino, em 2019, encaminhou uma foto do superintendente a um interlocutor de nome Guga: “Alvo a ser abatido”.

Segundo a PF, “a frase indica que todas as possibilidades para remover o superintendente da Polícia Federal no Amazonas estão sobre a mesa, em outros termos, caso as vias políticas e/ou judiciais e disciplinares não surtam efeito, não está descartado o uso da violência”.

Paulino, em outra conversa, desta vez com Humberto Jacob de Barros Oliveira, fala da necessidade em pedir ajuda a uma pessoa de nome Júlio para a tarefa. Ele seria representante dos madeireiros. “Tem que pedir para o Júlio tirar esse cara daqui. Urgente”, diz Paulino. “Ele vai quebrar todos”, responde Humberto.

As conversas integram o inquérito da operação Arquímedes, responsável pela apreensão de 444 contêineres com madeira ilegal.

Bolsonaro corta R$ 240 milhões do Meio Ambiente

Um dia após discursar na Cúpula do Clima e prometer reduzir drasticamente o desmatamento no Brasil e as emissões de carbono, Jair Bolsonaro cortou recursos para a área ambiental na sexta-feira, 23.

Setores responsáveis pelo combate à mudança climática e pelo controle de incêndios florestais terão, agora, menos recursos. Desta forma, o fomento a projetos de conservação do meio ambiente foi reduzido.

Interlocutores de Bolsonaro, segundo relata a Folha de S. Paulo, não esperavam o corte de verbas, e sim o aumento de recursos para a fiscalização ambiental em torno de R$ 115 milhões.

O corte foi determinado por Bolsonaro no ato da sanção do Orçamento de 2021. O ocupante do Palácio do Planalto cortou quase R$ 240 milhões da pasta do Meio Ambiente.

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