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Brasil ultrapassa EUA em ranking de liberdade de imprensa

Contudo, situação mundial da liberdade de imprensa é preocupante, segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras

Imprensa (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

247 - O Brasil chegou à 52ª colocação no ranking mundial da liberdade de imprensa. O país subiu 58 posições desde 2022 e ultrapassou, pela primeira vez, os Estados Unidos, que ocupa a 64º lugar.

O levantamento é da organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), e foi divulgado na última quinta-feira (30).

O Brasil subiu 11 posições no ranking em relação a 2025. Na América do Sul, o país ficou atrás apenas do Uruguai, que está na 48ª colocação. 

Por outro lado, os Estados Unidos têm se tornado um parâmetro negativo, assim como países governados por aliados do presidente Donald Trump.

A Argentina também teve queda na situação de liberdade de imprensa e chegou à 98ª posição após cair 11 posições. Ainda nas Américas, o Equador teve a maior queda na região (com 31 posições). 

Na América Central, El Salvador está na posição 143ª e manteve sua tendência de queda, com perda de 74 posições desde a chegada, em 2019, do presidente Nayib Bukele ao poder. 

"Os fervorosos apoiadores de Donald Trump na América Latina, Javier Milei e Nayib Bukele, seguem a estratégia do ocupante da Casa Branca contra a mídia e, como era de se esperar, realizam o mesmo movimento. Argentina (98º; - 11) e El Salvador (143º; - 8) registraram um declínio significativo, ligado à deterioração, entre outras coisas, dos indicadores políticos e sociais, marcando um aumento na hostilidade e na pressão do governo em relação à imprensa", diz o relatório. 

Na lanterna da região, seguem países como Nicarágua (172ª), Cuba (165ª) e Venezuela (160ª). As piores posições globais são do Irã, China, Coreia do Norte e Eritreia, segundo o relatório.

A melhor posição das Américas é a do Canadá (em 20º). Os 19 primeiros são todos europeus. O ranking é liderado pela Noruega, seguido de Holanda e Estônia. 

Situação mundial da liberdade de imprensa é preocupante

Mais da metade dos países do mundo se encontra em uma situação "difícil" ou "muito grave", segundo o relatório da RSF. "O desenvolvimento de um arsenal legislativo cada vez mais restritivo, particularmente ligado às políticas de segurança nacional, tem, desde 2001, corroído o direito à informação, mesmo nas democracias. O indicador jurídico foi o que mais caiu este ano, sinal da crescente criminalização do jornalismo", detalha o estudo. 

Um total de 52,2% dos países do mundo está em uma situação "difícil" ou "muito grave", sendo que em 2002 eles eram apenas uma pequena minoria (13,7%).

Em 2002, 20% da população mundial vivia em um país onde a situação da imprensa era considerada "boa". Vinte e cinco anos depois, menos de 1% da população mundial vive essa situação favorável.

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