Conselho editorial do 247 traça diretrizes para os próximos meses

Prioridades apontadas na reunião com Celso Antônio Bandeira de Mello, Celso Amorim, Luiz Carlos Bresser Pereira, Aloizio Mercadante, Carol Proner, Vilma Reis, Ferréz, Marco Aurélio de Carvalho, Florestan Fernandes Jr., Mauro Lopes, Paulo Moreira Leite, Gisele Federicce e Leonardo Attuch foram inclusão racial, equilíbrio na cobertura das eleições municipais, atenção aos temas da América Latina e Caribe, defesa do estado de direito e debate econômico aprofundado

(Foto: Divulgação)
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 247 - O Brasil 247 e a TV 247 realizaram nesta sexta-feira 17 uma reunião do seu conselho editorial, agora fortalecido pelos juristas Celso Antônio Bandeira de Mello, professor emérito da PUC-SP, Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, e a socióloga e ativista Vilma Reis, para traçar as diretrizes do veículo para os próximos meses. Participaram do encontro virtual o embaixador Celso Amorim, os economistas Luiz Carlos Bresser Pereira e Aloizio Mercadante, a jurista Carol Proner, o escritor Ferréz e os jornalistas Florestan Fernandes Júnior, Mauro Lopes, Paulo Moreira Leite, Gisele Federicce e Leonardo Attuch. Por razões profissionais, não puderam participar deste encontro os conselheiros Felipe Coutinho, presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), e o sociólogo e professor Jessé Souza.

Além das percepções de todos os conselheiros sobre o crescimento e fortalecimento do Brasil 247 e da TV 247, foi também proposta uma ênfase maior nas áreas de cultura, luta racial, em temas da América Latina e Caribe e na busca pela ampliação da audiência jovem.

O embaixador e ex-ministro Celso Amorim foi um dos que aconselharam o veículo a dar ainda mais voz à população negra, bem como às outras lutas de minorias. “É fundamental essa abertura. Normalmente fico muito preocupado porque em todos os ambientes que você vai, inclusive da esquerda, e que você fala que o problema racial é muito importante, tem uma ou duas pessoas assim que raramente aparecem e que são negras. Claro que não vou não vou desprezar outras dimensões, como gênero, mas eu acho que essa é uma dimensão fundamental. A gente fala muito da desigualdade na sociedade brasileira, mas a desigualdade na sociedade brasileira tem cor e sexo, então é importante que isso esteja bem presente”.

O renomado jurista Celso Antônio Bandeira de Mello enalteceu a qualidade do trabalho do Brasil 247 e desejou que o veículo seja perene. “A única coisa que eu posso dizer é: meus parabéns, eu estou encantado, literalmente, com esse canal e com a audiência dele, que é uma coisa incrível, monumental. Eu só espero que isso continue, porque tudo que é excessivamente bom em geral não dura muito, vocês já estão durando, e isso é a prova do quanto é bom esse canal. Esse canal realmente é incrivelmente bom, não apenas pelos temas que aborda, não apenas pela posição que tem, mas porque conseguiu alcançar uma audiência incomum, uma audiência excepcional, e eu acredito que essa audiência só vai aumentar. Realmente é preciso levar para frente esse empreendimento, é um empreendimento notável, incomum, no caso brasileiro eu diria que é único, seja pela amplitude que alcançou, seja pela temática em que ele se insere, é uma temática excepcional. Você alcançar pretos e pretas, você alcançar as diferenças de sexo, você não fazer discriminações, isso é uma coisa tão incomum e tão boa no nosso sistema que eu só posso dar os parabéns e desejar que isso continue do jeito que tem vindo”.

Ameaças à democracia na América Latina

O economista Luiz Carlos Bresser Pereira destacou que o Brasil 247 é hoje concorrência de grandes conglomerados de comunicação, e sugeriu que o jornal torne ainda mais claras as pautas fundamentais de cada dia. “Vocês estão competindo com a grande mídia, o que é curioso, curioso porque o recurso que vocês têm, que nós temos, é limitado. O que às vezes sinto falta é que, quando a gente lê um jornal de manhã, no fundo a gente quer saber quais são as informações fundamentais daquele dia, e eu não sei se isso aparece com suficiente clareza. O leitor confia que o jornal fez a seleção das coisas mais importantes daquele dia, mas isso é apenas uma característica que me parece importante dos jornais”.

Jurista da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia), que atua em defesa dos direitos humanos e do estado de direito, Carol Proner parabenizou o Brasil 247 e a TV 247 por serem “honestamente de esquerda” e por, principalmente, terem compromisso com a verdade acima de tudo. Ela pontuou também a necessidade de dar ainda mais destaque às temáticas do Grupo de Puebla, que reúne lideranças de esquerda da América Latina e Caribe. “[O Brasil 247] tem uma honestidade muito boa, honestamente de esquerda, mas tem um compromisso com a verdade, então a gente nota isso claramente, inclusive no posicionamento, porque qualquer jornalismo tem posicionamento e muitas vezes esconde isso. Gosto também da forma como está sendo feita essa composição racial, que é um problema estrutural em todas as áreas. No 247, isso está evidente. Sobre a questão internacional, acho que nós poderíamos também trabalhar um pouco os temas do Grupo de Puebla e os assuntos que estão sendo discutidos lá, porque é um grupo progressista que agora também o espaço do parlamentar, temos também composição no grupo jurídico, então acho que também podia somar. As notícias da América Latina estão terríveis e tem riscos iminentes à democracia de alguns países”.

O ex-ministro Aloizio Mercadante, que hoje preside a Fundação Perseu Abramo, fez sugestões práticas, como a criação de um banco de dados econômico, e editoriais, como dar maior amplitude a temáticas culturais, bem como perseguir a atenção do público mais jovem. “O 247 tem percorrido uma história extraordinária, já entrou para a história dos meios de comunicação, especialmente porque soube resistir em momentos muito difíceis. O que vou sugerir são alguns temas que talvez a gente pudesse aumentar e ampliar para tentar atingir outras dimensões. Primeiro é um banco de dados com todos os indicadores de economia (mercado de trabalho, inflação, balanço de pagamento, crescimento), um banco de dados disponível que todas as pessoas possam consultar e toda semana uma matéria sobre algum indicador relevante para você ir construindo uma credibilidade fundamentada em estatísticas oficiais, auditáveis. Acho que isso seria um salto de qualidade para tentar atrair um público qualificado, juventude, estudantes, pesquisadores. A segunda é que acho que precisa ter mais cultura no 247, a cultura está muito abandonada, destroçada, destruíram o audiovisual, o retrato da cultura é o retrato da Regina Duarte. A cultura é um tema que fala com a juventude, então na minha visão nós precisamos disputar esse público jovem, precisa ter mais coisa para a juventude. Acho que a cultura e juventude deveriam ser um grande desafio para a gente ampliar o espectro. A outra preocupação que tenho é a cobertura da eleição municipal, acho que o 247 não tem que ter candidaturas, tem que ter causas nesse processo e um certo pluralismo dentro do campo progressista”.

Como “furar a bolha”

Também jurista, Marco Aurélio de Carvalho relatou que, em sua visão, o 247 “furou a bolha” e, nesse sentido, pediu para que o veículo se esforce cada vez mais em trazer convidados de vozes dissonantes, como os que participaram recentemente na TV 247 por meio de debates do Grupo Prerrogativas: o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, o ministro do STF Gilmar Mendes, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia “Senti que aconteceu uma coisa de um tempo para cá com o 247, acho que ele furou a bolha. Nós, eu, a Carol, professor Celso e outras pessoas que também convivem com uma advocacia que embora seja progressista não estava acostumada a se informar através desse tipo de plataforma, a gente está cada vez mais surpreendido com o resultado e o alcance do 247. É muito comum em grupos dos quais a gente faz parte, com advogados empresariais, que não têm ligações com as nossas pautas, a gente receber matérias do 247, tanto matérias do jornal quanto da TV 247. Acho que a gente tem que procurar cada vez mais esse caminho de chamar pessoas que até então eram refratárias a esse tipo de plataforma para dialogar conosco, para mostrar que, embora a gente tenha lado, a gente tem compromisso com a informação. O fato da gente ter lado, ter pauta, não compromete essa missão de informar”.

A socióloga Vilma Reis destacou que as pautas de segurança pública, que assolam o povo periférico do Brasil, precisa ter mais espaço no veículo, bem como temáticas acerca da América Latina. “Gostaria de destacar aqui a agenda de segurança pública e a possibilidade nós debatermos de verdade no Brasil a questão dos protocolos nas polícias, o mundo inteiro está mobilizado com essa agenda. No campo da esquerda nós precisamos vencer essa batalha, nos últimos 20 anos foram 1.200.000 pessoas abatidas e mais 1.500.000 ‘desaparecidas’, então são os desaparecidos da democracia”.

O escritor Ferréz abordou propostas práticas para o 247, visando principalmente uma aproximação entre o veículo e a juventude. Nessa linha, ele propôs ampliar o espaço para temas culturais, de humor e buscar sempre uma pluralidade nos debates. “Acho que é muito bom quando a gente aborda os temas e vai para a reação. A gente tem aí uma narrativa de extrema direita que vai nos temas e aliena pelos temas, faz um reconstrucionismo histórico e as pessoas vão por isso. A gente muito pouco bate nos temas, a gente abre para um debate de uma hora e meia e a pessoa se perde naquele debate, mas quando bate no tema a gente começa a pautar essa narrativa realmente. Sinto falto muito de cultura, acho que tem que ter mais inserções de cultura, principalmente porque a cultura quase beira o entretenimento, então tem um espaço para o cara rir, tem um espaço para o cara brincar. O jeito da notícia também às vezes afasta um pouco porque a pessoa olha lá e já estão dando a resposta, muitas vezes não pergunta, e o jeito moderno é perguntar, ‘você acha que a campanha para prefeito de tal cara é viável?’, e não ‘a campanha é viável de tal cara’, jovem não gosta de certeza, jovem gosta de dúvidas. Falta essa pluralidade para as pessoas entenderem que o 247 não é um canal de um partido”.

Fidelidade a certezas

Jornalista e colunista do Brasil 247, Paulo Moreira Leite comemorou o fortalecimento do Brasil 247 e seu crescimento, fatos estes que, para o jornalista, devem ser creditados às “certezas” defendidas pelo jornal, que passou pelo golpe de Estado contra a ex-presidente Dilma Rousseff sempre deixando claro o que realmente estava acontecendo com o País. “Acho que nós estamos aqui porque nós somos fiéis a algumas certezas”, disse ele. “Com 50 anos de jornalismo, eu queria dizer que eu nunca poderia imaginar duas coisas: a primeira que em 2014 eu vim para o 247, conversei com o Leonardo Attuch, eu estava saindo da IstoÉ, estava naquela coisa e comecei aqui. Eu nunca podia imaginar que em 2015, 2016, 2017 a gente teria um golpe de Estado, o Lula seria preso e que a gente estaria hoje com um governo fascista. Por outro lado, eu nunca podia imaginar que eu estivesse trabalhando em um negócio que era quase uma coisa caseira, quase uma ação entre amigos, e que hoje se tornou um personagem da política. O 247 é personagem, não é protagonista, mas é uma voz considerada, ativa e não é por acaso que a gente fala coisas e de repente a CNN vai atrás, a CBN a gente pauta. Se a gente presta atenção e deixa a modéstia de lado a gente vê que um troço que apareceu em um programa foi quase que literalmente reproduzido em outro. Aqui a gente é fiel à maioria do povo, a gente realmente consegue defender a maioria. Uma coisa a gente precisa fazer mais, a gente faz, a gente defende o povo preto, mas eu vou dizer uma coisa, vou fazer uma autocrítica, é pouco, tem que fazer mais. Nós somos talvez aqueles que dão muito espaço mas podemos dar mais”, afirmou.

Também jornalista, Florestan Fernandes Jr. falou sobre estratégias para alcançar a juventude “que vai, em um futuro próximo, ditar os caminhos do País”. Ele também falou da importância dos assinantes do Brasil 247 e membros da TV 247. “Seria um novo desafio para todo mundo, acho que é importante, alguém uma hora vai ter que fazer isso. Acho que hoje nenhum os grandes sites está fazendo uma coisa específica para jovem e a população jovem é imensa. É ela que vai, em um futuro próximo, ditar os caminhos do País. Acho que essa é uma questão que nós vamos ter que estudar a fundo. Também acho que a gente deveria aperfeiçoar a questão da credibilidade, que a gente está conseguindo. Acho que a formatação desse conselho com os personagens que nós temos deixa qualquer um de queixo caído, é difícil alguém dizer que aqui se faz fake news, porque as pessoas que fazem parte desse conselho jamais estariam em um site de fake news. Nós temos que ampliar o número de membros, é através deles que a gente pode sobreviver a momentos mais dramáticos que eu espero que não ocorram”.

O objetivo do Brasil 247 e da TV 247 é realizar encontros periódicos com seus conselheiros para aperfeiçoar seis protocolos editoriais e reforçar a confiança de seus leitores, membros e assinantes.

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