Glenn: Lula elegível para desafiar Bolsonaro em 2022 terá consequências para a América Latina e para o mundo

O jornalista Glenn Greewald, um dos responsáveis pela divulgação de várias irregularidades da Lava Jato, operação que tirou Lula de forma ilegal da última disputa ao Planalto, afirma que uma candidatura do ex-presidente em 2022 "tem consequências enormes, não apenas para o Brasil ou a América Latina, mas para o futuro de todo o planeta"

Jornalista Glenn Greenwald e o ex-presidente Lula
Jornalista Glenn Greenwald e o ex-presidente Lula (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado | Ricardo Stuckert)
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247 - Em artigo publicada na revista The Nation (EUA), o jornalista Glenn Greewald afirma que uma candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto em 2022 "tem consequências enormes, não apenas para o Brasil ou a América Latina, mas para o futuro de todo o planeta".

"Não é só que o Brasil tem petróleo. As enormes reservas de petróleo do país, incluindo grande parte das chamadas reservas do pré-sal do planeta, são de particular importância geoestratégica e ambiental", diz. 

"Além do vasto e inexplorado petróleo do pré-sal, o Brasil controla a vasta maioria dos ativos ambientais que cientistas de todo o mundo concordam ser o recurso natural mais importante, de longe, para evitar mudanças climáticas catastróficas: a floresta tropical amazônica", acrescenta.

De acordo com o jornalista, "o que torna o Brasil diferente é a velocidade da transformação – e a profundidade da descida ao regime autoritário. O rápido progresso de Bolsonaro para o palácio presidencial foi acompanhado por uma onda de extrema direita que varreu vários corredores do poder uma manada de figuras anteriormente obscuras".

"Mesmo apoiando a destruição da Amazônia, Bolsonaro segue o ethos da ditadura militar que admira. Milhares de cidadãos indígenas foram mortos durante aquela época por um regime que pretendia desenvolver e explorar a Amazônia, independentemente dos custos humanos, culturais, ambientais ou outros. Na verdade, os líderes do Golpe de 1964 frequentemente falavam da população indígena do Brasil com um nível de desprezo apenas um pouco menos explícito do que o de Bolsonaro", afirma Greenwald.

No artigo, o jornalista destaca que Bolsonaro "há muito vem protestando contra as proteções concedidas às tribos indígenas do Brasil e ao território amazônico onde vivem há séculos". 

"Junto com sua defesa de todas as formas de violência militar e policial, a exploração agressiva da Amazônia é uma das poucas crenças básicas que Bolsonaro defendeu consistentemente ao longo de suas décadas como político. Por essa razão, sua candidatura presidencial foi apoiada pelas indústrias agrícolas e madeireiras extremamente poderosas e ricas do país muito antes de ele ser visto como um candidato viável", continuou.

"Por essa razão, sua candidatura presidencial foi apoiada pelas indústrias agrícolas e madeireiras extremamente poderosas e ricas do país muito antes de ele ser visto como um candidato viável", complementou. 

De acordo com o jornalista, "ninguém que prestou muita atenção ao Brasil se surpreendeu com os incêndios na Amazônia, causados pelas próprias indústrias que hoje compõem uma parte tão crucial da base de Bolsonaro".

"Bolsonaro praticamente fez do desmatamento uma meta explícita de seu governo; sua escolha para ministro do Meio Ambiente, o até então obscuro Ricardo Salles, certa vez apontou as balas como a 'solução' para tribos indígenas, ativistas ambientais e sem-teto e 'a esquerda' em geral", disse. 

Vaza Jato

O jornalista foi um dos responsáveis pela divulgação de várias irregularidades da Lava Jato, que tinha Sérgio Moro como juiz de primeira instância. A partir de junho de 2019, o site Intercept Brasil passou a publicar reportagens com diálogos entre o ex-juiz e procuradores do Ministério Público Federal (MPF-PR), em uma série de matérias que ficaram conhecidas como Vaza Jato.

De acordo com as publicações, Moro agia como uma espécie de assistente de acusação de promotores, ferindo a equidistância entre quem julga e quem acusa. O ex-magistrado questionou, por exemplo, a capacidade de a procuradora Laura Tessler interrogar Lula. 

Diálogos obtidos pela defesa do petista, mas não no âmbito da Vaza Jato e sim no da Operação Spoofing, responsável por investigar o acesso a celulares dos procuradores da Lava Jato, apontaram que em uma das mensagens, trocadas em 16 de fevereiro de 2016, Moro perguntou ao procurador Deltan Dallagnol se o MPF-PR não tinha uma "denúncia sólida o suficiente"

O ex-juiz também chegou, por exemplo, a fazer uma alerta o procurador Deltan Dallagnol sobre a falta de informação na denúncia de um réu - Zwi Skornicki, representante da Keppel Fels, estaleiro que tinha contratos com a Petrobrás. Também sugeriu inversão de ordem de fases da Lava Jato.

No ano passado, o ex-juiz foi contratado pela consultoria Alvarez & Marsal (A&M), com sede nos Estados Unidos. Em 2017, documentos da empresa comprovaram que o imóvel é da OAS.

Suspeição

No dia 23 de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 3 votos a 2, que o ex-juiz federal Sergio Moro julgou com parcialidade ao condenar Lula no caso do triplex do Guarujá.

A defesa do ex-presidente também pede que o Habeas Corpus (HC) em que ficou decidida a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar o petista seja distribuído à 2ª Turma do Supremo, não ao Plenário do Supremo.

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