Acordo Mercosul–União Europeia entra em vigor em maio e cria maior zona de livre comércio do mundo
Tratado começa a valer em 1º de maio e deve impulsionar exportações, investimentos e geração de empregos no Brasil
247 - O acordo entre o Mercosul e a União Europeia começa a entrar em vigor a partir de 1º de maio, marcando um dos momentos mais relevantes da política comercial brasileira nas últimas décadas. Após anos de negociações, o tratado estabelece a maior zona de livre comércio bilateral do mundo, ampliando significativamente o alcance econômico entre os dois blocos.
Em entrevista ao programa A Voz do Brasil, o ministro do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, destacou a dimensão do acordo e seu impacto potencial na economia global e nacional."Nós estamos assistindo à formação de um novo bloco econômico, comercial, composto por 720 milhões de pessoas. Eles correspondem à população do Mercosul, Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e em breve a Bolívia, e todos os países que integram a União Europeia. Nós temos 720 milhões de consumidores nesse mercado e um PIB de 22 trilhões de dólares", afirmou o ministro.
O tratado prevê a eliminação gradual de tarifas de importação sobre a maior parte dos produtos comercializados entre os dois blocos. A expectativa é que, ao longo do tempo, cerca de 95% dos bens circulem sem a cobrança desses impostos, promovendo maior competitividade e integração econômica."É um acordo de livre comércio. Com o tempo, nós não vamos pagar imposto de importação por determinados produtos ou quase todos os produtos, 95% dos produtos vindos da Europa e a Europa também não pagará, depois de um bom tempo, imposto de importação por produtos que comprados do Mercosul, não apenas do Brasil", explicou.
Segundo o ministro, a redução das tarifas não será imediata, mas ocorrerá de forma progressiva, com ritmos diferentes para cada bloco. Produtos exportados pelo Mercosul, majoritariamente commodities, tendem a ser beneficiados mais rapidamente em comparação aos industrializados europeus."Mas isso não é feito de imediato, começa no dia 1º de maio e aí vai lentamente reduzindo as alíquotas. No caso do Mercosul, ele é mais beneficiado do que a União Europeia. Por quê? Porque aqui nós exportamos mais commodities, mais proteína, carne, soja, o próprio petróleo, o óleo bruto, e já no caso deles, não, é produto mais industrializado, então a alíquota é reduzida quase que imediatamente, é mais rapidamente reduzida a alíquota para as nossas importações", detalhou.
Além da ampliação do comércio bilateral, o acordo também deve estimular a atração de investimentos estrangeiros e fortalecer a inserção internacional do Mercosul. A expectativa é que o novo cenário desperte o interesse de outros parceiros comerciais e consolide o bloco sul-americano como um ator relevante no comércio global.
O impacto positivo também é esperado no mercado de trabalho brasileiro. De acordo com o titular do MDIC, a abertura comercial, aliada a políticas industriais, pode contribuir para a geração de empregos e o aumento da renda."Hoje o Brasil está vivendo o pleno emprego, nós estamos com mais de 100 milhões de pessoas empregadas, com direitos sociais assegurados, é a menor taxa de desemprego da nossa curva histórica, graças a uma política de desenvolvimento econômico que tem no seu eixo, dentre outras medidas, a Nova Indústria Brasil, não é? A indústria gera emprego e gera renda qualificada, assim como o comércio, assim como o serviço", reforçou o ministro.Com a entrada em vigor do acordo, o Brasil passa a integrar um dos maiores mercados consumidores do mundo, em um movimento que pode redefinir sua estratégia econômica internacional e ampliar oportunidades para diversos setores produtivos.


