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Brasil quer comprar "o máximo que for possível" de diesel russo, diz chanceler

A declaração de interesse vem um dia após Jair Bolsonaro ter afirmado que um acordo para a compra de diesel da Rússia "está quase certo"

Brasil quer comprar "o máximo que for possível" de diesel russo, diz chanceler (Foto: Gabriel Albuquerque/MRE)

247 - Brasília demonstrou interesse em comprar o máximo possível de diesel da Rússia. Acordos estão sendo fechados nesse sentido, assegurou o chanceler brasileiro, Carlos França, nesta terça-feira, 12. 

"Precisamos garantir que haverá diesel suficiente para o agronegócio brasileiro, e, é claro, para os motoristas brasileiros", disse França a jornalistas durante uma visita à sede da ONU em Nova York, conforme a agência Reuters. "Então é por isso que estamos buscando fornecedores seguros e muito confiáveis de diesel - a Rússia é um deles."

O Brasil quer comprar "o máximo que for possível" da Rússia, disse o ministro.

As declarações vêm um dia após Jair Bolsonaro ter afirmado que um acordo para a compra de diesel "está quase certo". O diesel da Rússia é "bem mais barato", defendeu o chefe de governo

França também falou sobre a parceria estratégica do agro brasileiro com a Rússia e Belarus no fornecimento de fertilizantes, e afirmou que os estoques brasileiros de petróleo e gás estão em níveis baixos. 

"A Rússia é um parceiro estratégico do Brasil. Somos parceiros no BRICS", disse. "Dependemos muito das exportações de fertilizantes da Rússia e de Belarus também. E é claro, a Rússia é um grande fornecedor de petróleo e gás. Você pode perguntar isso para a Alemanha. Pode perguntar isso para a Europa. Então o Brasil, nós estamos com pouco estoque disso", afirmou o chanceler.

Estoques baixos

O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, nesta terça-feira, que o estoque brasileiro de diesel só garante o abastecimento de mais 50 dias, caso não seja feita mais nenhuma importação de petróleo. A informação é referente ao diesel A S-10, que não tem adição de biocombustível. 

"O Ministério está muito atento à questão do diesel e até ontem o Brasil tinha 50 dias. Se acontecesse algo no mundo e não se puder importar mais petróleo, o Brasil ainda tem 50 dias de diesel sem precisar importar petróleo. Estamos bem preparados e bem posicionados monitorando atentamente a evolução do cenário internacional", afirmou o ministro.

Sachsida, no entanto, permanece na defesa ferrenha das políticas neoliberais pós-golpe que dificultam uma intervenção no preço dos combustíveis. 

“Muitas pessoas cobram do governo uma interferência mais forte no mecanismo de preços da Petrobrás, mas isso não é possível. O ordenamento jurídico hoje é muito claro. Tanto na Lei do Petróleo como na Lei das Estatais deixam claro que o governo não pode interferir nesse mecanismo”, afirmou. 

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