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Brasileiro está desaparecido após ser levado pelo ICE, denuncia família

Matheus Silveira foi preso no dia 24 de novembro de 2025, em San Diego, na Califórnia, durante a etapa final de seu processo migratório

Apesar da prisão, Matheus Silveira recebeu autorização das autoridades migratórias para deixar os Estados Unidos de forma voluntária (Foto: Reprodução)

247 - Um brasileiro detido por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) durante uma entrevista para obtenção do green card foi transferido entre centros de detenção sem que a família conseguisse informações oficiais sobre seu paradeiro. O caso foi revelado pelo g1.

Matheus Silveira foi preso no dia 24 de novembro de 2025, em San Diego, na Califórnia, durante a etapa final de seu processo migratório. Desde então, permanece sob custódia do ICE e, segundo familiares, passou a ser transferido entre unidades de detenção sem comunicação prévia, o que agravou a angústia da família.

À GloboNews, os parentes relataram que, ao longo da segunda-feira (26), não conseguiram localizar Matheus. Segundo eles, o nome do brasileiro deixou de aparecer nos sistemas oficiais de imigração dos Estados Unidos, o que aumentou a sensação de incerteza sobre sua situação.

A esposa de Matheus, Hannah Silveira, contou que a última vez que falou com o marido foi na noite de domingo (25), durante o horário do jantar. Desde então, o contato foi interrompido sem qualquer aviso por parte das autoridades.

“Eu falei com o Matheus ontem e ele chegou a comentar que algumas pessoas estavam sendo levadas no meio da noite para a Louisiana e já tinha me preparado para o fato de que, em algum momento no futuro próximo, talvez eu não conseguisse mais falar com ele", relatou Hannah.

Segundo a esposa, os detidos utilizam um aplicativo para se comunicar com familiares. Ao tentar enviar uma mensagem na manhã seguinte, ela percebeu que a conta de Matheus havia sido desativada. Ao procurar explicações junto ao centro de detenção, recebeu uma resposta vaga.

"Eu não sei onde ele está. Ele não está mais no sistema, talvez esteja em algum processo de liberação", afirmou um funcionário, segundo o relato de Hannah.

Ainda de acordo com a esposa, Matheus demonstrava ansiedade intensa diante da possibilidade de ser enviado para um local desconhecido ou até mesmo deportado sem informações claras.

“Ele está muito ansioso com a possibilidade de ser enviado para um lugar para onde ele não deveria ir. Ele não sabe se vão mandá-lo para o Brasil", disse.

Na noite de segunda-feira (26), a advogada de Matheus conseguiu localizar informações junto ao centro de detenção de San Diego. Segundo ela, o brasileiro havia deixado a unidade e sido transportado de ônibus até El Paso, no Texas, onde passaria a madrugada.

A expectativa é que, nesta terça-feira (27), Matheus seja encaminhado à Louisiana, onde deverá aguardar um voo de deportação. A família, no entanto, contesta esse procedimento.

Segundo o pai do brasileiro, como Matheus teve a saída voluntária autorizada por um tribunal, ele teria o direito de retornar ao Brasil em um voo comercial, e não em uma operação de deportação.

"Estamos tentando junto ao consulado brasileiro em Los Angeles algum tipo de providência para que, ao chegar em Louisiana, o Matheus tenha seus direitos respeitados e possa retornar em voo comercial nos próximos dias", afirmou.

Em entrevista ao programa Bom Dia Rio, Hannah afirmou estar com o “coração partido” por ter que escolher entre o marido e o país onde nasceu e serviu ao Exército. Apesar da dor, ela decidiu se mudar para o Brasil, para onde o marido deve retornar, alegando não se sentir mais segura nos Estados Unidos.

"É de partir o coração saber que dei tanto pelo meu país e eles não têm problema nenhum em me tirar o meu marido e me forçar a escolher entre o meu país e o meu marido", desabafou.

Hannah é americana e foi casada com Matheus em 2024. O casal está junto desde 2022 e se conheceu após ela se mudar para a Califórnia para estudar Direito, depois de deixar o Exército dos Estados Unidos, onde atuou por dois anos como paramédica.

Com o marido preso há dois meses e após a assinatura do termo de autodeportação por Matheus, Hannah afirmou que precisará recomeçar a vida profissional no Brasil, já que sua formação em Direito não tem validade no país.

A mãe de Matheus, Luciana de Paula, confirmou que o filho assinou o termo de autodeportação na semana passada. Segundo ela, foi informado de que o processo deve ser concluído em algumas semanas. Pelo acordo, Matheus fica impedido de retornar aos Estados Unidos por um período de dez anos.

Durante o tempo em que esteve detido, Hannah relatou que o marido perdeu peso e enfrentou condições precárias. Segundo ela, a alimentação fornecida era insuficiente.

"Não é suficiente para um homem adulto, como se servissem lanches estudantis", relatou.

Ela também afirmou que Matheus esteve em uma cela com capacidade para 16 camas, mas que, devido à superlotação, chegou a dormir no chão por vários dias.

A mãe do brasileiro disse viver em constante apreensão enquanto aguarda a chegada do filho ao Brasil.

"Dois meses dele nessa situação é muito tempo, é muito tempo para mim, é muito tempo para ele, é muito tempo para todos nós. Então, a gente só tá pensando agora na chegada dele aqui, urgente, o mais rápido possível", afirmou Luciana.

Segundo a família, Matheus sonha em se tornar piloto de avião. Ele iniciou o curso ainda no Brasil e pretendia dar continuidade aos estudos nos Estados Unidos após aprimorar o inglês.

O visto de estudante de Matheus venceu em 2023. Em 2024, após o casamento com Hannah, ele deu entrada no pedido de residência permanente.

De acordo com relatos da esposa ao portal americano Newsweek, o casal participava da entrevista final para obtenção do green card quando agentes do ICE entraram no escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), em San Diego, e efetuaram a prisão.

Segundo Hannah, a agente responsável pela entrevista afirmou que “pessoas no corredor” aguardavam por eles. Pouco depois, quatro agentes do ICE entraram na sala e prenderam Matheus, alegando a existência de um mandado relacionado à permanência dele no país após o vencimento do visto.

Em nota enviada ao Newsweek, a secretária-assistente do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, afirmou que Matheus Silveira foi preso como um “estrangeiro ilegal criminoso do Brasil que permaneceu no país após o vencimento do visto de estudante F-1”.

A família contestou o uso do termo “criminoso” e afirmou que Matheus não possui qualquer antecedente criminal. A esposa também relatou que o vencimento do visto ocorreu durante a pandemia de coronavírus.