China alerta para risco de nova crise global de chips após disputa com Nexperia
Conflito entre sede holandesa da fabricante de semicondutores e controladora chinesa Wingtech reacende tensão na cadeia global de suprimentos
247 - O governo da China advertiu, neste sábado (7), que o agravamento da disputa envolvendo a fabricante de semicondutores Nexperia pode desencadear uma nova crise na cadeia global de suprimentos de chips. O alerta foi divulgado pelo Ministério do Comércio chinês após o aumento das tensões entre a sede da empresa, na Holanda, e sua controladora chinesa, a Wingtech.
A advertência ocorre em meio a novos atritos entre as duas partes, depois que a divisão chinesa de embalagens da Nexperia acusou a matriz holandesa de desativar as contas de escritório de todos os funcionários da companhia na China. A medida, segundo Pequim, teria criado obstáculos adicionais para as negociações em andamento.
Em comunicado oficial, o Ministério do Comércio afirmou que a situação elevou o nível do conflito corporativo. “Isso provocou novos conflitos e criou novas dificuldades e obstáculos para as negociações [entre empresas]”, declarou a pasta.
O governo chinês também responsabilizou a sede holandesa da empresa por possíveis impactos no setor global de semicondutores. “A Nexperia Netherlands interrompeu seriamente a produção e a operação normais da empresa e, se isso desencadear novamente uma crise na produção global de semicondutores e na cadeia de suprimentos, a Holanda deverá assumir total responsabilidade por isso”, acrescentou o ministério.
A disputa entre as duas empresas ocorre em um contexto de crescente competição internacional pelo controle das cadeias produtivas de semicondutores. Os chips fabricados pela Nexperia são amplamente utilizados em sistemas eletrônicos automotivos, o que torna qualquer interrupção na produção um fator de risco para a indústria automobilística global.
Em outubro do ano passado, parte da produção mundial de veículos chegou a sofrer interrupções após a China impor controles de exportação sobre chips da Nexperia produzidos em território chinês. A medida foi adotada como reação à decisão do governo holandês de assumir o controle da companhia.
Embora negociações diplomáticas posteriores tenham ajudado a aliviar a escassez de semicondutores, o impasse entre a matriz holandesa e sua controladora chinesa voltou a se intensificar. A direção da Nexperia na Holanda, pressionada pelos Estados Unidos, apoia a retirada do controle da Wingtech sobre a empresa, enquanto a controladora chinesa defende a restauração desse controle.
Na sexta-feira (6), a sede da empresa na Holanda não negou a desativação das contas digitais dos funcionários na China, mas contestou a afirmação de que a medida teria afetado diretamente as operações da fábrica de montagem e testes localizada na província chinesa de Guangdong.
A tensão se aprofundou desde setembro, quando a unidade chinesa da Nexperia reagiu à retirada do controle da Wingtech declarando-se independente da sede holandesa. Desde então, os dois lados passaram a trocar acusações de negociações conduzidas de má-fé.
O conflito também teve reflexos diretos na cadeia produtiva da companhia. A matriz holandesa suspendeu o fornecimento de wafers de silício — matéria-prima essencial para a fabricação de semicondutores — destinados à fábrica localizada em Guangdong.


