China defende participação global em iniciativa de paz para Oriente Médio
Proposta conjunta com o Paquistão busca restaurar paz no Golfo e convida países a aderirem ao esforço diplomático
247 - A China afirmou que a iniciativa conjunta com o Paquistão para o Oriente Médio e a região do Golfo está aberta à participação internacional, destacando o objetivo de ampliar esforços diplomáticos para restaurar a paz e a estabilidade.
A proposta, que prevê ações coordenadas para reduzir tensões e promover negociações, foi apresentada em meio ao agravamento do cenário regional e seus impactos globais.
Segundo a agência chinesa Xinhua, o posicionamento foi reforçado nesta quarta-feira (1º) pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, durante coletiva de imprensa em Pequim. Ela destacou que “todos os países e organizações internacionais são bem-vindos a participar e a se manifestar” sobre a iniciativa.
O plano foi formulado após reunião entre o chanceler chinês Wang Yi e o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, realizada na terça-feira (31) na capital chinesa. A proposta inclui cinco pontos centrais: cessação imediata das hostilidades, início rápido de negociações de paz, garantia da segurança de alvos civis e rotas marítimas e respeito à primazia da Carta das Nações Unidas.
A iniciativa surge em um contexto de escalada de tensões, um mês após o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. De acordo com Mao Ning, os desdobramentos do conflito têm ampliado riscos à estabilidade regional e global. Ela afirmou que os efeitos colaterais já provocam “grandes perturbações na estabilidade do fornecimento global de energia, no funcionamento ininterrupto das cadeias industriais e de suprimentos e no desenvolvimento da economia mundial”.
Ainda segundo a porta-voz, esse cenário não atende aos interesses dos países da região nem da comunidade internacional. China e Paquistão, como importantes integrantes do Sul Global, buscam consolidar uma posição considerada “racional e justa”, com o objetivo de ampliar o consenso internacional e fortalecer ações conjuntas para reduzir a tensão.
Mao Ning também ressaltou o compromisso chinês com o diálogo diplomático. “A China continuará a manter uma comunicação estreita com o Paquistão e todas as partes relevantes para desempenhar um papel construtivo na promoção de um cessar-fogo e no fim das hostilidades”, declarou.
A proposta sino-paquistanesa se apresenta como uma tentativa de mobilizar a comunidade internacional em torno de soluções negociadas, em um momento em que o conflito ameaça impactar não apenas a segurança regional, mas também a economia global.