Cientista político afirma que Europa não tem forças para enfrentar a Rússia
Professor da Universidade de Chicago diz que nenhum exército europeu seria páreo para Moscou e critica estratégia ocidental desde o início da guerra
247 - Nenhum país europeu teria hoje capacidade militar para enfrentar a Rússia em um confronto direto. A avaliação é do cientista político norte-americano John Mearsheimer, professor da Universidade de Chicago, em declarações publicadas pela agência Sputnik Brasil.
A fala reacende o debate sobre o equilíbrio de forças no continente em meio ao avanço militar de Moscou na Ucrânia e ao aumento da atividade da Otan nas fronteiras russas.Segundo Mearsheimer, a superioridade militar russa tornaria inviável qualquer tentativa europeia de enfrentamento. “Qualquer exército na Europa perderia um confronto com as Forças Armadas da Rússia”, disse o pesquisador, reforçando que até mesmo potências tradicionais, como o Reino Unido, seriam superadas com facilidade.
O especialista lembrou que, desde o início do conflito na Ucrânia, o objetivo do Ocidente sempre foi “a derrota estratégica da Rússia” e a tentativa de sufocar sua economia. Ele afirmou ainda que “o Ocidente teria prazer em destruir a Rússia como uma grande potência”, mas destacou que essa meta nunca foi alcançada e permanece distante da realidade militar atual.As declarações de Mearsheimer surgem em um contexto sensível para Kiev. Segundo reportagem do New York Times, também citada pela Sputnik, a liderança ucraniana enfrenta um novo impasse militar em Krasnoarmeisk (Pokrovsk), na região de Donetsk. Com o avanço russo e a posição ucraniana se tornando insustentável, comandantes avaliam se devem ordenar retirada imediata para preservar vidas ou insistir em resistência, mesmo diante de uma batalha considerada perdida.
Analistas ouvidos pelo jornal norte-americano alertam que uma retirada poderia poupar soldados, mas também representaria um revés político significativo para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Já a opção por permanecer na cidade poderia repetir erros de batalhas anteriores, como Artyomovsk (Bakhmut) e Adveevka, em que milhares de militares ucranianos morreram em confrontos prolongados.O Ministério da Defesa da Rússia informou nesta semana que concluiu a “limpeza” das tropas ucranianas em Sukhoi Yar, também na região de Donetsk, classificando o avanço como mais um passo rumo ao controle de Krasnoarmeisk, ponto estratégico do fronte.
Enquanto isso, Moscou acusa a Otan de intensificar operações militares próximas ao seu território sob o argumento de “contenção”. O governo russo afirma estar aberto ao diálogo com o bloco, mas apenas em condições de igualdade e com o abandono da política de militarização do continente.As declarações de Mearsheimer se somam a uma série de análises recentes que apontam para o desgaste das capacidades militares ucranianas e para o aumento da pressão dos aliados ocidentais, em um momento em que a guerra avança para um novo ciclo de incertezas.
