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‘Com EUA buscamos coexistência pacífica, com Rússia queremos aprofundar confiança mútua', diz acadêmico chinês Yan Xuetong

Falando por videoconferência no Fórum Primakov, o professor afirmou que Pequim e Moscou ‘possuem uma base comum para lidar com a pressão dos EUA’

‘Com EUA buscamos coexistência pacífica, com Rússia queremos aprofundar confiança mútua', diz acadêmico chinês Yan Xuetong (Foto: Acervo pessoal)

Leonardo Sobreira, de Moscou (247) - A parceria sem limites entre Pequim e Moscou, anunciada em fevereiro deste ano, semanas antes de a Rússia lançar sua operação militar especial na Ucrânia, deve ser aprofundada. Essa é a avaliação do renomado acadêmico chinês Yan Xuetong, diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Tsinghua.

Segundo o estudioso das Relações Internacionais, a relação entre os dois países difere radicalmente da competição com os Estados Unidos, que, nesse momento, está centrada no campo da tecnologia. 

‘Os Estados Unidos adotaram a estratégia de se desacoplar da China, principalmente na tecnologia. A política da China para os Estados Unidos é buscar a coexistência pacífica. Não somos amigos, e sim competidores. Esperamos que essa competição possa ocorrer de maneira pacífica', disse o professor, falando por videoconferência no Fórum Primakov, em Moscou. 

‘A China vê a Rússia como parceiro’, pontuou Yan. ‘Com os EUA buscamos a coexistência pacífica, com a Rússia buscamos aprofundar nossa confiança mútua. Temos uma base comum para lidar com a pressão dos EUA’, sublinhou. 

A declaração conjunta entre Rússia e China diz que a ‘amizade entre os dois Estados não tem limites, não há áreas proibidas de cooperação'. Nos primeiros três trimestres de 2022, o comércio entre os países aumentou 33% em termos anuais, atingindo um recorde de US $153,938 bilhões. O líder chines, Xi Jinping, definiu a meta de US $250 bilhões por ano de comércio bilateral, segundo o Kremlin. 

A parceria, no entanto, não se converteu em assistência militar para a operação russa. A China defende uma resolução pacífica para o conflito e vê no expansionismo da Otan na Europa a principal causa da crise na Ucrânia. 

O professor defendeu que a relação entre Rússia e China seja aprofundada através do impulsionamento da Organização de Cooperação de Xangai. 

‘Devemos aprender com os europeus. Eles abriram suas fronteiras para países da região. Devemos abrir nossas fronteiras uns aos outros’, sugeriu Yan, comentando sobre o fato de que turistas russos precisam de visto para entrar na China, e vice-versa. 

*Leonardo Sobreira participa do programa jornalístico InteRussia em conjunto com a SputnikPro, a convite do Fundo Alexander Gorchakov de Diplomacia Pública

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