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Diretor da OMS diz que crise na Etiópia é mais urgente que conflito na Ucrânia

Tedros Adhanom afirmou que o conflito na Ucrânia deixou a população mundial em 'estado de sonambulismo' pela possibilidade de guerra nuclear, mas que situação no Tigré é muito pior

Tedros Adhanom (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

Sputnik Brasil - O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou a crise na região do Tigré, na Etiópia, como a maior catástrofe humanitária gerada por ação humana, e questionou por que a crise não está recebendo a mesma atenção da comunidade internacional que a situação na Ucrânia.

Em comunicado replicado nas redes oficiais da organização, ele questionou se a cor da pele seria a razão pela qual líderes mundiais não estão dando a devida atenção à questão.

"Na Etiópia, na região do Tigré, a seca está se transformando em uma catástrofe gerada pela ação humana para 6 milhões de pessoas que estão sitiadas por forças da Etiópia e da Eritreia, há 21 meses, isoladas, sem comunicação, serviço bancário e combustível e eletricidade limitadas", disse o diretor-geral.

Ele acrescentou que, "como resultado, a população do Tigré está enfrentando surtos de malária, cólera e diarreia" e afirmou que "essa crueldade inimaginável precisa acabar".

Segundo Adhanom, o conflito na Ucrânia deixou a população mundial em estado de sonambulismo diante da possibilidade de uma guerra nuclear, que ele classificou como "a mãe de todos os problemas", mas que a situação no Tigré é muito pior.

"Eu não escutei nos últimos meses nenhum chefe de Estado falando da situação no Tigré em nenhum dos países desenvolvidos. Nenhum. Por que? Talvez o motivo seja a cor da pele da população do Tigré", disse o diretor-geral da OMS.

A Etiópia enfrenta uma situação de crise política e humanitária desde novembro de 2020, quando a região do Tigré conduziu eleições regionais, contrariando a ordem do governo da capital Adis Abeba de adiar o pleito por conta da pandemia.

O confronto entre a Frente Popular para a Libertação de Tigré e forças militares etíopes já deixou milhares de mortos e forçou o deslocamento de pelo menos 2 milhões de pessoas.

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