HOME > Mundo

Eleições municipais na França avançam para 2º turno com disputa acirrada em Paris

Esquerda lidera na capital francesa e mantém força nos grandes centros

Emmanuel Gregoire (Foto: Foto oficial, prefeitura de Paris)

247 - As eleições municipais realizadas na França no domingo (15), abriram uma nova etapa da disputa política no país, com negociações por alianças e transferências de votos antes do segundo turno, marcado para o próximo domingo (22). O pleito é considerado um importante termômetro político nacional antes da eleição presidencial prevista para 2027.Segundo informações publicadas pelo jornal francês Le Monde, a disputa pela prefeitura de Paris, a mais importante do país, terminou o primeiro turno com ampla vantagem para o candidato socialista Emmanuel Grégoire, enquanto adversários tentam reorganizar forças para a rodada decisiva.

Panorama nacional revela cenário político fragmentado

As eleições municipais na França ocorrem simultaneamente em cerca de 35 mil municípios, cada um com sua própria disputa local para prefeito e conselho municipal. Embora tenham caráter municipal, os resultados costumam ser analisados como um retrato da correlação de forças políticas no país.

O primeiro turno indicou um cenário fragmentado, com crescimento simultâneo de diferentes correntes políticas. A extrema direita ampliou sua presença em diversas cidades, sobretudo no sul da França, enquanto forças de esquerda mantiveram forte desempenho em grandes centros urbanos.

Em várias localidades, candidatos ligados à extrema direita conseguiram resultados expressivos e consolidaram bases eleitorais importantes. Ao mesmo tempo, partidos progressistas e de esquerda demonstraram capacidade de resistência nas principais metrópoles do país, como Paris, Lyon e outras capitais regionais.

A direita tradicional e o centro apresentaram desempenho irregular, mantendo competitividade em algumas cidades, mas enfrentando forte concorrência tanto da esquerda quanto da extrema direita em diversas regiões.

Paris concentra disputa central das eleições

Na capital francesa, cinco candidaturas avançaram para o segundo turno após ultrapassarem o limite mínimo de votos exigido pela legislação eleitoral.

Emmanuel Grégoire, do Partido Socialista, terminou o primeiro turno com 37,98% dos votos, superando com folga a principal adversária, Rachida Dati, do partido Os Republicanos, que obteve 25,46%.Três outros candidatos também seguiram na disputa: Sophia Chikirou, da La France Insoumise, com 11,72%; Pierre-Yves Bournazel, do partido Horizontes, com 11,34%; e Sarah Knafo, do Reconquête!, com 10,4%.

Nos bastidores da campanha socialista, aliados avaliaram positivamente o resultado do primeiro turno. Saïd Benmouffok, dirigente do movimento Place Publique em Paris e integrante da lista de Grégoire, afirmou que a diferença de votos em relação à direita era um indicador importante para a etapa seguinte da disputa.

“O importante é a diferença entre nós e Rachida Dati”, declarou. Segundo ele, caso o candidato centrista Pierre-Yves Bournazel tivesse desempenho inferior ao esperado, parte de seus eleitores moderados poderia migrar para a esquerda no segundo turno.

Benmouffok também havia projetado um cenário favorável caso a vantagem ultrapassasse cinco pontos percentuais. “Se conseguirmos terminar a primeira rodada com uma vantagem de pelo menos 5 pontos sobre Rachida Dati, estaremos em uma posição confortável”, afirmou. Após a confirmação dos resultados, ele reagiu com cautela: “Digamos apenas que é um cenário encorajador...”.

Apelos por alianças e frente política

A ex-prefeita socialista de Paris Anne Hidalgo, do campo progressista, discursou após a divulgação dos resultados e alertou que a disputa ainda permanece aberta.

“A mensagem de vocês é clara: vocês querem uma Paris unida, ambientalmente consciente, orgulhosa e inclusiva. Vocês votaram nos seus valores. Votaram na esquerda que pode vencer, na esquerda que quer vencer. Mas nada é certo! No próximo domingo, a direita e a extrema-direita podem vencer em Paris”, afirmou.

Apesar das divergências entre correntes da esquerda durante a campanha, Emmanuel Grégoire fez um apelo amplo para consolidar apoio no segundo turno.

“Apelo a todos os eleitores do campo republicano, do campo progressista, qualquer que seja sua escolha neste domingo, para que apoiem a lista que estamos apresentando. O único voto que realmente contará no próximo domingo, o único voto que impedirá a direita e a extrema-direita de destruírem tudo o que faz de Paris uma cidade para se viver, é o voto na minha candidatura”, declarou.

Do lado da La France Insoumise, a deputada Sophia Chikirou afirmou que a prioridade política é impedir uma vitória da direita na capital.

“A responsabilidade hoje é impedir que a direita vença em Paris”, declarou.

Ela também indicou que aguarda uma iniciativa do candidato socialista para discutir uma possível convergência eleitoral.

“Serei muito clara: Emmanuel Grégoire não pode brincar com o futuro de Paris. Aguardarei seu telefonema e, se ele não quiser essa convergência para formar uma frente antifascista, apresentarei a lista do Novo Popular Paris amanhã à noite. Estamos prontos e determinados a relançar nossa campanha para o segundo turno”, afirmou.

Direita tenta reorganizar forças

No campo conservador, Rachida Dati reconheceu que parte do eleitorado favorável à mudança acabou distribuindo votos entre outras candidaturas.

“O desejo de mudança também se voltou para as candidaturas de Pierre-Yves Bournazel e Sarah Knafo, que fizeram campanha com determinação, cada um com seu projeto”, declarou.

Apesar do resultado abaixo das expectativas, a candidata insistiu na possibilidade de reverter o cenário.

“Esta noite, uma nova eleição começa: o segundo turno é o da escolha fundamental, decisiva e definitiva. A vitória é possível, ela tem uma exigência: é a união e a mobilização”, afirmou.

Nos bastidores, Dati iniciou conversas com Pierre-Yves Bournazel para tentar construir uma lista unificada da direita. O candidato centrista indicou que ainda avaliaria a proposta.

“A partir desta noite, começa outra campanha. Vou lutar por vocês. Nada está decidido”, declarou.

Extrema direita defende união do campo conservador

Também buscando ampliar o espaço político à direita, Sarah Knafo afirmou que a vitória dependerá da união entre diferentes correntes conservadoras.

“Os resultados já falam por si: os votos do centro não serão suficientes para vencer. Todas as facções da direita são necessárias; todas devem ser respeitadas e representadas para que se consiga a vitória”, declarou.

Com cinco listas ainda na disputa na capital francesa e negociações políticas em andamento em várias cidades do país, o segundo turno das eleições municipais promete ser decisivo para definir o controle de importantes prefeituras e revelar novas tendências do cenário político francês.