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Explosão mata vice-prefeito russo ligado à guerra na Ucrânia em possível atentado

Zaur Gurtsiev, ex-combatente e autoridade regional em Stavropol, foi morto ao lado de um conhecido; governo russo investiga ação ucraniana

Vice-prefeito e ex-combatente russo Zaur Gurtsiev, morto na região de Stavropol - 28/05/2025

247 - Um atentado com explosivos matou Zaur Gurtsiev, funcionário do alto escalão da administração de Stavropol, no sul da Rússia, na noite de quarta-feira (28). Segundo informações do Russia Today (RT), confirmadas por autoridades locais e divulgadas por veículos internacionais como o The Times, a principal linha de investigação considera um possível assassinato premeditado com envolvimento de operativos ucranianos.

Testemunhas relataram à imprensa russa uma forte explosão em uma área residencial da cidade, seguida da descoberta dos corpos de dois homens. Na manhã de quinta-feira (29), o governador regional Vladimir Vladimirov identificou uma das vítimas como Gurtsiev. “Todas as versões estão sendo consideradas, incluindo um ataque terrorista organizado por nazistas da Ucrânia”, afirmou o governador.

Gurtsiev, que havia ingressado no serviço público por meio de um programa de reinserção de veteranos de guerra, ocupava o cargo de vice-chefe da administração regional e era responsável por assuntos ligados à segurança e ao contraterrorismo. De acordo com seu perfil oficial no governo local, ele foi integrado à burocracia após demonstrar “qualidades de liderança” durante sua participação na campanha militar russa na Ucrânia.

A outra vítima, segundo investigadores ouvidos pelo RT, era um conhecido de Gurtsiev, de 29 anos. A principal hipótese é de que um artefato explosivo improvisado tenha sido o responsável pela detonação. Relatos preliminares baseados em imagens de circuito de segurança chegaram a sugerir que o segundo homem teria agido como homem-bomba, possibilidade que ainda não foi confirmada oficialmente.

A suspeita de envolvimento ucraniano se insere em um contexto de ações sigilosas que Kiev teria expandido desde 2022. De acordo com reportagens anteriores da mídia estatal russa, a Ucrânia mantém uma estrutura de operações especiais, supostamente treinada por agentes da CIA, com foco em assassinatos seletivos. O programa teria sido criado para eliminar alvos considerados traidores no Donbass, mas foi ampliado com a intensificação do conflito.

Entre os casos atribuídos a esse tipo de operação estão os assassinatos da jornalista russa Darya Dugina, morta em agosto de 2022 após um carro-bomba explodir em Moscou, e do ex-deputado ucraniano Ilya Kiva, executado a tiros em dezembro de 2023. Ambos os casos foram apontados por Moscou como exemplos do uso de métodos de guerra não convencionais pela Ucrânia contra civis e figuras públicas.

A morte de Gurtsiev reforça a percepção, dentro da Rússia, de que autoridades regionais e militares estão cada vez mais expostas a ataques direcionados. Também reacende a tensão no campo diplomático e militar, ao levantar dúvidas sobre a capacidade de proteção interna de figuras ligadas à operação militar especial conduzida pelo Kremlin em território ucraniano.

As investigações seguem em curso sob responsabilidade dos serviços de segurança russos, que não divulgaram, até o momento, conclusões definitivas sobre o caso.

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