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Filho do aiatolá Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei é escolhido como o novo líder supremo do Irã

A escolha ocorreu após recomendação da Guarda Revolucionária, força de elite com forte influência nas estruturas de poder iranianas

Mojtaba Khamenei (Foto: Reprodução)

247 - Uma assembleia no Irã elegeu nesta terça-feira (3) Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, conforme noticiado pela emissora Iran International. A decisão marca uma mudança significativa no comando político e religioso da nação persa.

De acordo com a Iran International, a escolha de Mojtaba ocorreu após recomendação da Guarda Revolucionária, força de elite com forte influência nas estruturas de poder iranianas. A emissora local divulgou a informação ao longo do dia, destacando o papel determinante da corporação militar no processo.

Mojtaba Khamenei é filho de Ali Khamenei, que ocupava o posto máximo da hierarquia política e religiosa do Irã. A liderança suprema concentra amplos poderes institucionais, incluindo influência sobre as Forças Armadas, o Judiciário e as principais diretrizes estratégicas do Estado.

A eleição desta terça-feira consolida a transição no topo da estrutura de poder iraniana, em um movimento respaldado por setores centrais do establishment político-militar do país, conforme relatado pela Iran International.

Vítimas

Os ataques tiveram início no sábado (28), quando forças dos Estados Unidos e de Israel passaram a atingir alvos em território iraniano, ampliando de forma significativa a instabilidade no Oriente Médio.

O número de vítimas no Irã chegou a pelo menos 787 desde o início da ofensiva militar, conforme informou a mídia estatal iraniana com base em dados do Crescente Vermelho, entidade vinculada ao movimento internacional da Cruz Vermelha que atua na região. Entre os mortos estaria o líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

Mudança no discurso

No início da operação, o atual presidente dos Estados Unidos afirmou que a ação militar era motivada pela suposta tentativa do Irã de desenvolver armas nucleares, o que, segundo ele, configuraria risco à segurança global. Em seguida, o chefe da Casa Branca passou a sustentar que a ofensiva também visa conter capacidades militares que poderiam alcançar diretamente os Estados Unidos e seus aliados.

Analistas da área de segurança ponderam, entretanto, que não existem evidências públicas conclusivas que confirmem tais acusações. A Organização das Nações Unidas (ONU) igualmente declarou não haver provas de que autoridades iranianas estivessem empenhadas na produção de uma bomba nuclear.

Com o anúncio de uma “terceira onda” de bombardeios, o cenário entra em uma etapa ainda mais delicada, ampliando as incertezas quanto aos desdobramentos militares e políticos.

Posicionamento do Irã e alianças

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país não está em conflito com as nações do Golfo, mas enfrenta diretamente os Estados Unidos após os ataques iniciados no sábado. As declarações foram divulgadas pela mídia estatal iraniana, em meio ao agravamento da crise regional.

No campo das alianças, os Estados Unidos contam, ao menos formalmente, com oito parceiros no Oriente Médio: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait, Egito e Síria. O Irã, por sua vez, tem o apoio do Paquistão, do Hezbollah — grupo sediado no Líbano — e do Iêmen.

Estreito de Ormuz

Em resposta à escalada militar, o governo iraniano anunciou o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A medida foi adotada após os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano.

Segundo avaliação da Reuters, a interrupção do tráfego no corredor marítimo pode provocar efeitos relevantes na economia global. A tensão aumentou ainda mais com novos bombardeios registrados na segunda-feira (2), intensificando o risco geopolítico.

Situado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. O trajeto é essencial para países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait, que utilizam a via para exportar grande parte de sua produção, especialmente para a Ásia. Embarcações com destino à Europa e às Américas também atravessam a passagem.

Em meio à controvérsia, o atual presidente dos Estados Unidos anunciou que Washington fornecerá garantias de seguro e escolta naval a petroleiros e demais navios que cruzarem o Estreito de Ormuz.