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Israel deporta ativista Thiago Ávila após prisão ilegal em águas internacionais

Ativista brasileiro foi detido ilegalmente ao tentar levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza; o espanhol Saif Abu Keshek também foi expulso do país

Said Abu Keshek e Thiago Ávila (Foto: Lautaro Rivara/Flotilha Global Sumud)

247 - Israel deportou neste domingo (10) o ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol Saif Abu Keshek, detidos após participarem de uma flotilha humanitária que tentava chegar à Faixa de Gaza para romper o bloqueio imposto por Israel ao território palestino. As informações são da AFP.

Os dois ativistas integravam a chamada Flotilha Global Sumud, interceptada pelas forças israelenses em 30 de abril, em águas internacionais próximas à costa da Grécia. Após a abordagem, ambos foram levados para Israel, onde passaram por interrogatórios antes da deportação.

Israel confirma deportação de ativistas

O Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou a deportação em publicação na rede X. Segundo o governo israelense, “Saif Abu Keshek e Thiago Ávila, da flotilha da provocação, foram deportados hoje de Israel”. Na mesma publicação, a chancelaria israelense afirmou que o país “não permitirá nenhuma violação” ao bloqueio imposto à Faixa de Gaza.

Além de Thiago Ávila, Saif Abu Keshek — ativista de origem palestina com cidadania espanhola — também foi retirado do país. Os demais participantes da missão humanitária foram encaminhados para a ilha grega de Creta, onde acabaram libertados.

ONG denuncia prisão ilegal e maus-tratos

A detenção provocou reações internacionais. Brasil, Espanha e Organização das Nações Unidas (ONU) pediram a libertação imediata dos ativistas. Apesar da pressão diplomática, um tribunal israelense rejeitou, na quarta-feira passada, um recurso apresentado contra a prisão da dupla.

A ONG israelense Adalah, responsável pela defesa jurídica dos ativistas, criticou duramente a atuação das autoridades israelenses.

“Desde seu sequestro em águas internacionais até sua detenção ilegal em completo isolamento e os maus-tratos aos quais foram submetidos, as ações das autoridades israelenses foram um ataque punitivo contra uma missão puramente civil”, declarou a entidade.

A organização também afirmou que “o uso da detenção e do interrogatório contra ativistas e defensores dos direitos humanos é uma tentativa inaceitável de suprimir a solidariedade global com os palestinos em Gaza”.

Flotilha tentava levar ajuda humanitária a Gaza

A Flotilha Global Sumud havia partido da França, da Espanha e da Itália com o objetivo de transportar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio mantido por Israel sobre o território palestino.

Não foi a primeira tentativa do grupo. No ano passado, outra missão da mesma flotilha também foi interceptada por forças israelenses próximo às costas do Egito e de Gaza.

Israel controla os acessos à Faixa de Gaza desde 2007. Desde o início da guerra no território, em outubro de 2023, a crise humanitária se agravou, com escassez de alimentos, medicamentos e combustível. Em diferentes momentos do conflito, Israel chegou a interromper completamente a entrada de ajuda humanitária na região.

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