Israel deporta ativistas de flotilha para Gaza após pressão internacional
Países europeus cobram sanções contra ministro israelense após divulgação de vídeo com ativistas detidos e amarrados em Israel
247 - Israel anunciou nesta quinta-feira (21) a expulsão de todos os ativistas estrangeiros da flotilha humanitária que seguia em direção à Faixa de Gaza e foi interceptada pelas forças israelenses em águas internacionais nesta semana. A decisão ocorre após forte repercussão internacional provocada pela divulgação de vídeos que mostram os militantes detidos ajoelhados, com as mãos amarradas e a cabeça contra o chão.
As informações foram publicadas originalmente pela Agência France Presse (AFP), reproduzidas pelo jornal O Globo. A reação de governos europeus ganhou força depois que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, divulgou imagens da detenção dos ativistas, provocando críticas dentro e fora do país. Espanha, Irlanda e Itália passaram a defender sanções da União Europeia contra o ministro israelense.
Segundo a ONG Adalah, responsável pela defesa jurídica dos integrantes da flotilha, cerca de 430 pessoas que estavam em aproximadamente 50 embarcações foram interceptadas pelo Exército israelense na segunda-feira, no Mediterrâneo, a oeste de Chipre. Após a abordagem, os ativistas foram levados à força para Israel e encaminhados para a prisão de Ktziot.
Israel confirma expulsões e mantém defesa do bloqueio
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Oren Marmorstein, confirmou a deportação dos estrangeiros e reafirmou a posição do governo israelense sobre o bloqueio marítimo imposto a Gaza. “Todos os ativistas estrangeiros da flotilha da Solidariedade com a Palestina foram deportados de Israel. Israel não permitirá nenhuma violação do bloqueio naval legal sobre Gaza”, declarou.
A ONG Adalah informou que os ativistas foram transferidos para o aeroporto de Ramon, próximo à cidade de Eilat, no sul de Israel, para posterior expulsão. Egípcios e jordanianos foram enviados para as regiões de Taba e Aqaba, próximas às fronteiras israelenses.
Ainda segundo a organização, uma ativista germano-israelense deverá comparecer a um tribunal em Ascalão. Inicialmente, a expectativa era de que os detidos fossem apresentados à Justiça antes da deportação, mas o porta-voz da Adalah, Moatassem Zeidan, afirmou à AFP que isso acabou não ocorrendo.
Vídeo divulgado por ministro provoca reação internacional
Os integrantes da chamada “Global Sumud Flotilla” buscavam chamar atenção para a crise humanitária na Faixa de Gaza, devastada pela guerra entre Israel e Hamas, que já dura mais de dois anos. O termo “sumud”, em árabe, significa resiliência.
A crise diplomática ganhou força após Ben Gvir divulgar um vídeo que mostra ativistas ajoelhados e algemados. Em uma das cenas, uma jovem grita “Libertem a Palestina” antes de ter a cabeça pressionada contra o chão por agentes de segurança.
A publicação gerou críticas inclusive dentro do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o chanceler Gideon Saar reprovaram a divulgação das imagens. Apesar disso, Netanyahu defendeu a ação militar contra a flotilha.
Europa pressiona por medidas contra Israel
Benjamin Netanyahu afirmou que Israel “tem pleno direito de impedir que flotilhas provocadoras de partidários terroristas do Hamas” entrem em águas territoriais israelenses e cheguem a Gaza. O premiê associou o movimento palestino ao ataque de 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra atual.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou as imagens como “inaceitáveis” e anunciou que defenderá sanções da União Europeia contra Ben Gvir. Na Itália, o chanceler Antonio Tajani também pediu medidas punitivas contra o ministro israelense e definiu o tratamento dado aos ativistas como “inadmissível”.
O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, encaminhou ao Conselho Europeu uma solicitação para que a União Europeia adote “novas medidas” contra Israel. A carta foi obtida pela AFP.
Relatos denunciam violência durante a detenção
A relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, afirmou na rede X que o tratamento dado aos ativistas ainda representaria “um tratamento de luxo comparado ao que é infligido aos palestinos nas prisões israelenses”.
O ativista italiano Alessandro Mantovani, deportado antes dos demais, relatou que ele e outros integrantes da flotilha foram levados ao aeroporto Ben Gurion “com algemas e correntes nos pés” antes de serem colocados em um voo para Atenas.
“Fomos espancados. Nos chutaram e nos deram socos”, afirmou Mantovani ao desembarcar no aeroporto de Roma-Fiumicino.
Outro integrante da flotilha, Dario Carotenuto, afirmou que os ativistas chegaram a ser ameaçados com armas durante a operação israelense.
“Acho que foram os segundos mais longos da minha vida”, declarou.



