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Ministro israelense provoca revolta após publicar vídeo de detidos da Flotilha

Imagens divulgadas por ministro israelense mostram ativistas ajoelhados e algemados após interceptação de embarcações rumo a Gaza

Itamar Ben-Gvir (Foto: REUTERS/Corinna Kern)
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247 - O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, provocou forte reação internacional ao divulgar um vídeo que mostra ativistas estrangeiros detidos após a interceptação de uma flotilha que seguia em direção à Faixa de Gaza. As imagens exibem dezenas de pessoas ajoelhadas, com as mãos amarradas e a cabeça voltada para o chão, enquanto o hino nacional israelense toca ao fundo.

Segundo informações publicadas originalmente pela AFP, o vídeo foi compartilhado por Ben Gvir na rede X nesta quarta-feira (20), depois que forças israelenses interceptaram cerca de 50 embarcações da chamada Global Sumud Flotilla, que havia partido da Turquia na semana passada com o objetivo de romper o bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza.

Na gravação, publicada com a legenda “Welcome to Israel” (“Bem-vindos a Israel”), o ministro aparece circulando entre os ativistas detidos, segurando uma bandeira israelense e fazendo provocações. As imagens provocaram críticas de governos europeus e até de integrantes do próprio governo israelense.

França, Espanha e Irlanda condenam vídeo

A França anunciou a convocação do embaixador israelense para prestar esclarecimentos sobre o que classificou como “ações inaceitáveis” de Ben Gvir. O governo espanhol também reagiu duramente e descreveu o tratamento dado aos ativistas como “monstruoso”, informando que o encarregado de negócios de Israel em Madri foi chamado para explicações.

Na Irlanda, a ministra das Relações Exteriores, Helen McEntee, afirmou estar “horrorizada e chocada” com as imagens divulgadas pelo ministro israelense. Ela exigiu a libertação imediata dos ativistas detidos, entre eles a irmã da presidente irlandesa Catherine Connolly.

Os governos da Itália e da Grécia também condenaram o episódio e cobraram a libertação de seus cidadãos. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, chegou a exigir um pedido formal de desculpas de Israel.

Governo da Turquia critica Netanyahu

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia acusou Ben Gvir de demonstrar “mais uma vez ao mundo a mentalidade violenta e bárbara do governo Netanyahu”. Ancara tem sido uma das principais vozes críticas à ofensiva israelense em Gaza desde o início da guerra.

As críticas ao ministro israelense não vieram apenas do exterior. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também desaprovou publicamente a conduta de Ben Gvir. Em comunicado, ele declarou que o comportamento do ministro “não está alinhado com os valores e normas de Israel”.

Netanyahu acrescentou ainda que determinou às autoridades responsáveis que “deportem os provocadores (ativistas) o mais rápido possível”.

Chanceler israelense também reage

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, criticou Ben Gvir em publicação na rede X. Segundo ele, o ministro da Segurança Nacional “causou conscientemente danos ao nosso Estado nessa demonstração vergonhosa — e não pela primeira vez”.

Ben Gvir respondeu às críticas afirmando estar “orgulhoso de ser o ministro responsável pelas organizações que atuaram hoje contra esses apoiadores do terror”. Durante discurso no Parlamento israelense, ele declarou: “Sim, haverá todo tipo de imagem que Gideon Saar não gosta, mas eu acho que elas são motivo de grande orgulho”.

As embarcações da flotilha transportavam centenas de ativistas internacionais e tinham como objetivo denunciar o bloqueio israelense sobre Gaza. Autoridades israelenses afirmaram que cerca de 430 ativistas estavam a bordo dos navios interceptados.

Grupo de direitos humanos denuncia abusos

A organização israelense de direitos humanos Adalah informou que parte dos ativistas já havia sido levada ao porto de Ashdod, no sul de Israel, onde permanecia detida. Advogados do grupo foram enviados ao centro de detenção para acompanhar o caso.

Em nota, a entidade acusou Israel de adotar “uma política criminosa de abuso e humilhação contra ativistas que buscam confrontar os crimes contínuos de Israel contra o povo palestino”.

O Hamas também reagiu às imagens divulgadas por Ben Gvir. O grupo palestino afirmou que o vídeo demonstra a “depravação moral e o sadismo” dos líderes israelenses.

Israel acusa flotilha de favorecer Hamas

O governo israelense classificou a missão marítima como uma ação de propaganda favorável ao Hamas. O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que a flotilha era apenas uma “manobra publicitária”.

Netanyahu também criticou a iniciativa e afirmou anteriormente que se tratava de “um esquema malicioso destinado a romper o bloqueio que impusemos aos terroristas do Hamas em Gaza”.

Israel controla todos os acessos à Faixa de Gaza, território submetido a bloqueio israelense desde 2007. Desde o início da guerra desencadeada após os ataques de 7 de outubro de 2023, Gaza enfrenta graves crises humanitárias, incluindo escassez de alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.

Uma tentativa anterior de romper o bloqueio marítimo já havia sido interceptada no mês passado, em águas internacionais próximas à Grécia. Na ocasião, a maioria dos ativistas foi deportada para países europeus, enquanto dois deles foram levados a Israel, permaneceram presos por alguns dias e depois deportados.

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