Israel ignora Trump, mantém ataques ao Líbano e mata sete pessoas
Bombardeios israelenses no sul do Líbano mataram sete pessoas e ampliaram a tensão regional após a trégua anunciada entre Israel e Irã
247 - Ataques realizados por Israel no sul do Líbano deixaram ao menos sete mortos nesta segunda-feira (8), segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde libanês. As ações militares ocorreram em meio ao aumento das tensões na região, mesmo após o anúncio de uma trégua entre Israel e Irã, que havia reduzido temporariamente o risco de uma escalada ainda maior do conflito no Oriente Médio.
De acordo com informações das agências Reuters e AFP, publicadas pela Folha de S.Paulo, os bombardeios aconteceram logo após autoridades israelenses reafirmarem que as operações contra o Hezbollah continuarão, apesar das advertências feitas tanto por Teerã quanto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre as vítimas registradas na cidade de Zifta, localizada no distrito de Nabatieh, estão uma mulher e uma criança síria. As mortes foram confirmadas pelas autoridades libanesas. Paralelamente, o Hezbollah informou ter realizado ataques contra tropas israelenses em território libanês, sem reivindicar ações dentro de Israel.
Ataque atinge área próxima à Cruz Vermelha
Também nesta segunda-feira, um veículo foi atingido por um bombardeio na cidade de Tiro, considerada a principal do sul do Líbano. A agência estatal libanesa NNA atribuiu a ação a Israel e informou que um míssil atingiu o automóvel nas proximidades de um edifício da Cruz Vermelha Libanesa.
Segundo a organização humanitária, quatro paramédicos ficaram feridos por estilhaços de vidro em decorrência da explosão. O episódio elevou ainda mais a preocupação com o impacto dos confrontos sobre a população civil e os serviços de emergência que atuam na região.
Os novos ataques ocorreram poucos dias após uma intensa troca de bombardeios entre Israel e Irã, que colocou em risco o cessar-fogo vigente e reacendeu temores de uma guerra de maiores proporções no Oriente Médio.
Israel reafirma ofensiva contra o Hezbollah
Embora Teerã tenha advertido que poderá retomar suas ofensivas caso Israel mantenha a campanha militar em território libanês, o governo israelense indicou que não pretende alterar sua estratégia. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que as Forças Armadas continuarão atuando contra o Hezbollah no Líbano.
Pouco depois da declaração do ministro, o Exército israelense emitiu um alerta de evacuação para uma área da cidade de Tiro, sinalizando a possibilidade de novas operações militares no local.
Katz também declarou que os subúrbios de Beirute, tradicional reduto do Hezbollah, serão alvo de retaliações sempre que houver ataques contra o norte de Israel. Em declaração oficial, afirmou: "Rejeitamos categoricamente as ameaças do Irã. Qualquer tentativa iraniana de vincular Líbano e Irã e atacar Israel será enfrentada com grande força, como aconteceu ontem [domingo]".
Troca de ataques amplia tensão regional
Durante o fim de semana, Israel realizou bombardeios contra áreas controladas pelo Hezbollah em Beirute. Em resposta, Teerã lançou um ataque com mísseis contra território israelense, aprofundando a crise regional.
A suspensão dos ataques diretos entre Israel e Irã foi anunciada nesta segunda-feira após intensa pressão pública de Donald Trump para que ambos os países interrompessem as hostilidades. Apesar da redução significativa dos bombardeios, os confrontos não foram completamente encerrados.
O governo iraniano sustenta que qualquer solução duradoura para a crise regional deve incluir a situação do Líbano. Enquanto isso, Israel mantém suas operações militares no país, sem indicar disposição para interromper a campanha contra o Hezbollah.
Milhares de ataques desde o cessar-fogo
Dados divulgados pelo governo libanês apontam que, desde a entrada em vigor da trégua mediada pelos Estados Unidos em 17 de abril, o Exército israelense realizou 3.491 ataques aéreos e promoveu 407 demolições em território libanês.
As autoridades do Líbano afirmam que os confrontos provocaram uma grave crise humanitária. Mais de 1 milhão de pessoas, o equivalente a cerca de um quinto da população do país, foram deslocadas desde o início da guerra, ampliando a pressão sobre a infraestrutura e os serviços públicos libaneses.
