Lula destaca parceria com Alemanha e defende biocombustíveis na Europa
Presidente afirma que relação Brasil-Alemanha é estratégica e critica barreiras europeias a energias limpas
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (20) que a parceria entre Brasil e Alemanha é fundamental diante de um cenário global marcado por instabilidade econômica, mudanças climáticas e transformações tecnológicas. Em discurso durante o Encontro Econômico Brasil-Alemanha, em Hanôver, o chefe de Estado também defendeu o papel dos biocombustíveis brasileiros na transição energética e criticou medidas europeias que, segundo ele, podem prejudicar produtores nacionais.
As declarações foram feitas durante a 42ª edição do evento, conforme discurso oficial publicado pelo Palácio do Planalto. Lula ressaltou a relevância histórica da cooperação bilateral e destacou a presença de empresas alemãs no Brasil, além da crescente atuação de companhias brasileiras na Alemanha.
Ao abordar o contexto internacional, o presidente apontou desafios como conflitos armados, fragmentação econômica e enfraquecimento de organismos multilaterais. Segundo ele, esse cenário reforça a importância de alianças consolidadas. “É justamente nesse momento que parcerias sólidas, como a do Brasil e Alemanha, revelam a sua potência, a sua força”, afirmou.
Lula também destacou o momento econômico brasileiro, citando crescimento médio acima de 3% nos últimos anos, controle da inflação e expansão do mercado de trabalho. O presidente mencionou ainda avanços como a reforma tributária, o fortalecimento da indústria e recordes no agronegócio e na aviação.
No campo comercial, ele ressaltou que a Alemanha é o principal parceiro do Brasil na Europa, com intercâmbio anual superior a 21 bilhões de dólares, mas avaliou que o volume ainda está abaixo do potencial. Nesse contexto, defendeu o acordo entre Mercosul e União Europeia, que entra em vigor em 1º de maio. “Precisamos que os setores favoráveis ao acordo falem mais alto que os que se opõem, sobretudo na Europa”, disse.
O presidente também destacou iniciativas conjuntas nas áreas de defesa e tecnologia, incluindo projetos de construção naval e cooperação em inteligência artificial. Segundo ele, há espaço para ampliar investimentos alemães em setores estratégicos da neoindustrialização brasileira, como saúde e inovação.
Ao tratar da transição energética, Lula enfatizou a matriz limpa do Brasil e o papel dos biocombustíveis. Ele criticou propostas regulatórias europeias que, segundo afirmou, desconsideram a sustentabilidade da produção brasileira. “Essas iniciativas podem dificultar a oferta de energia limpa ao consumidor europeu em momento crítico”, declarou.
O presidente também rebateu críticas sobre o impacto dos biocombustíveis na produção de alimentos. “Ninguém seria louco de substituir a produção de comida por produção de biodiesel. Ninguém come biodiesel. Ninguém come gasolina. As pessoas comem comida”, afirmou. Lula acrescentou que o país possui cerca de 40 milhões de hectares de terras degradadas disponíveis para expansão agrícola sem necessidade de desmatamento.
Ele reiterou o compromisso ambiental do governo, destacando a meta de desmatamento zero na Amazônia até 2030. “Já reduzimos, em apenas três anos, 50% do desmatamento na Amazônia”, disse.
Ao final, Lula convidou investidores alemães a ampliarem sua presença no Brasil, destacando oportunidades em energia limpa, minerais críticos e inovação. “Quem quiser produzir com energia mais barata e com energia verdadeiramente limpa, procure o Brasil, que nós temos espaço e oportunidade para quem quiser apostar no futuro”, concluiu.


