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Lula na ONU: "não haverá prosperidade sem paz"

Presidente mencionou o enfraquecimento da ONU e de seu Conselho de Segurança: "sua paralisia é a prova mais eloquente da necessidade e urgência de reformá-lo"

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O presidente Lula (PT) discursou nesta terça-feira (19) na abertura da 78ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e falou sobre o enfraquecimento dos organismos internacionais, que tem falhado na mediação de conflitos e que tem sido cada vez mais ineficiente e ineficaz na prevenção de guerras. >>> Leia a íntegra do discurso antológico de Lula na ONU

O presidente declarou que "não haverá sustentabilidade nem prosperidade sem paz" e que "os conflitos armados são uma afronta à racionalidade humana". "Conhecemos os horrores e os sofrimentos produzidos por todas as guerras. A promoção de uma cultura de paz é um dever de todos nós. Construí-la requer persistência e vigilância. É perturbador ver que persistem antigas disputas não resolvidas e que surgem ou ganham vigor novas ameaças. Bem o demonstra a dificuldade de garantir a criação de um Estado para o povo palestino. A este caso se somam a persistência da crise humanitária no Haiti, o conflito no Iêmen, as ameaças à unidade nacional da Líbia e as rupturas institucionais em Burkina Faso, Gabão, Guiné-Conacri, Mali, Níger e Sudão. Na Guatemala, há o risco de um golpe, que impediria a posse do vencedor de eleições democráticas". >>> "Neoliberalismo agravou a desigualdade e, em meio a seus escombros, surgem aventureiros de extrema direita", afirma Lula na ONU

Na sequência, Lula citou a guerra entre Rússia e Ucrânia: "a guerra da Ucrânia escancara nossa incapacidade coletiva de fazer prevalecer os propósitos e princípios da Carta da ONU". >>> Lula fala pelo Sul Global na ONU e diz que países emergentes não querem repetir modelo poluente de desenvolvimento

O presidente também mencionou a necessidade de reformular o Conselho de Segurança da ONU. Ele também falou nos gastos com guerras e criticou sanções unilaterais. "Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz. Mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo. Tenho reiterado que é preciso trabalhar para criar espaço para negociações. Investe-se muito em armamentos e pouco em desenvolvimento. No ano passado os gastos militares somaram mais de 2 trilhões de dólares. As despesas com armas nucleares chegaram a 83 bilhões de dólares, valor vinte vezes superior ao orçamento regular da ONU. Estabilidade e segurança não serão alcançadas onde há exclusão social e desigualdade. A ONU nasceu para ser a casa do entendimento e do diálogo. A comunidade internacional precisa escolher: De um lado, está a ampliação dos conflitos, o aprofundamento das desigualdades e a erosão do Estado de Direito. De outro, a renovação das instituições multilaterais dedicadas à promoção da paz. As sanções unilaterais causam grande prejuízos à população dos países afetados. Além de não alcançarem seus alegados objetivos, dificultam os processos de mediação, prevenção e resolução pacífica de conflitos. O Brasil seguirá denunciando medidas tomadas sem amparo na Carta da ONU, como o embargo econômico e financeiro imposto a Cuba e a tentativa de classificar esse país como Estado patrocinador de terrorismo. Continuaremos críticos a toda tentativa de dividir o mundo em zonas de influência e de reeditar a Guerra Fria. O Conselho de Segurança da ONU vem perdendo progressivamente sua credibilidade. Essa fragilidade decorre em particular da ação de seus membros permanentes, que travam guerras não autorizadas em busca de expansão territorial ou de mudança de regime. Sua paralisia é a prova mais eloquente da necessidade e urgência de reformá-lo, conferindo-lhe maior representatividade e eficácia".