Mais da metade da população do Afeganistão passa fome, mas EUA mantêm sanções
O Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou que o Afeganistão é hoje a primeira crise humanitária do mundo, com mais da metade de sua população, 22,8 milhões de pessoas, em situação de insegurança alimentar, sendo que oito milhões já vivem a emergência
247 - O Programa Mundial de Alimentos da ONU alertou, no dia 8 deste mês, que o Afeganistão é hoje a primeira crise humanitária do mundo, com mais da metade de sua população, 22,8 milhões de pessoas, em situação de insegurança alimentar, sendo que oito milhões já vivem a emergência, segundo os padrões de medição da entidade.
Segundo o relatório do Índice de Preços dos Alimentos da ONU, existem três motivos principais para a escalada da fome. O primeiro, é a guerra iniciada pelos Estados Unidos, que entre janeiro e setembro de 2021, expulsou mais de 664.000 pessoas de seus lares - além de cerca de 3,5 milhões de afegãos que já estavam deslocados.
O segundo motivo é a seca que tomou conta de 25 das 34 províncias afegãs, que estão sem acesso à água diante do fenômeno La Niña. A colheita de cereais de 2021 é 20% menor que os níveis de 2020 e está 15% abaixo da média dos últimos cinco anos.
O terceiro, a desvalorização da moeda nacional que, após a tomada do poder pelo Talibã, perdeu 12,5% de seu valor, levando a um aumento do desemprego e encarecendo os alimentos.
O relatório, no entanto, não menciona um dos fatores mais importantes que causam a crise no Afeganistão: as sanções norte-americanas contra o país após a tomada do poder pelo Talibã. O FMI, por exemplo, suspendeu o acesso do país aos recursos do fundo. Os Estados Unidos decidiram congelar US$ 9 bilhões do país guardados no estrangeiro
No final de outubro, o Talibã anunciou a criação de um programa de combate à fome e ao desemprego no país. A iniciativa consiste em distribuir trigo em troca de trabalho para dezenas de milhares de pessoas, e pretende empregar 40 mil homens em Cabul.
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