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Mais de 100 artistas internacionais defendem relatora da ONU após pressão europeia

Carta pública manifesta apoio a Francesca Albanese enquanto França e Alemanha pedem sua renúncia por declarações sobre Gaza

Francesca Albanese em Genebra (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)

247 - Mais de uma centena de artistas internacionais divulgaram uma carta aberta em apoio à relatora especial das Nações Unidas para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, que enfrenta pedidos de renúncia por parte de governos europeus. O movimento reúne nomes de destaque da cultura mundial e ocorre em meio a críticas feitas por Albanese à atuação de Israel na Faixa de Gaza.

A mobilização foi noticiada pela Al Jazeera, que destacou a divulgação da carta pelo grupo Artistas pela Palestina no sábado (14). No documento, os signatários manifestam “total apoio a Francesca Albanese, defensora dos direitos humanos e, portanto, também do direito do povo palestino à existência”.

Entre os apoiadores estão os atores Mark Ruffalo e Javier Bardem, a escritora vencedora do Prêmio Nobel Annie Ernaux e a musicista britânica Annie Lennox. A carta afirma ainda: “Há infinitamente mais pessoas como nós em todos os cantos da Terra que desejam que a força deixe de ser a lei. Que sabem o verdadeiro significado da palavra ‘lei’”.

A pressão sobre Albanese se intensificou após declarações feitas durante a conferência da Al Jazeera na semana passada. Na ocasião, ela afirmou: “Nós, como humanidade, temos um inimigo comum”. Posteriormente, circulou um vídeo falso que a mostrava acusando Israel de ser o “inimigo comum”, conteúdo que foi desmentido.

Em publicação nas redes sociais, Albanese esclareceu que se referia ao “sistema que possibilitou o genocídio na Palestina” como o “inimigo comum”.

Apesar do esclarecimento, autoridades europeias mantiveram as críticas. Na terça-feira, parlamentares franceses enviaram carta ao ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificando as declarações da relatora como “antissemitas”. No dia seguinte, Barrot pediu sua renúncia e declarou que a França “condena sem reservas as declarações ultrajantes e repreensíveis”.

Na quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, considerou a posição de Albanese “insustentável”.

O escritor e produtor de cinema Frank Barat afirmou à Al Jazeera que o presidente francês Emmanuel Macron e outras autoridades declaram apoio ao direito internacional, “enquanto os fatos mostram exatamente o contrário”. Segundo ele, Albanese tem reiterado nos últimos dois anos que, conforme o direito internacional, “os Estados têm o dever de agir para prevenir o genocídio, e têm falhado completamente” em Gaza.

Barat avaliou que as críticas dirigidas à relatora estão ligadas ao teor de suas denúncias. “Como Francesca tem denunciado essa hipocrisia, ela se tornou alvo da maioria dos governos ocidentais. A agenda política desses governos é esmagar qualquer crítica a Israel. Vimos isso nas ruas da Europa. Vimos isso nas ruas dos EUA”, declarou. Ele acrescentou: “As pessoas que se manifestaram contra a guerra de Israel contra a Palestina são criminalizadas, enquanto os perpetradores do genocídio continuam impunes”.

A reação institucional também foi comentada pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Em coletiva de imprensa na sexta-feira, a porta-voz Marta Hurtado afirmou que há preocupação com os ataques direcionados à relatora. “Estamos preocupados com o fato de que funcionários da ONU, especialistas independentes e autoridades judiciais estejam sendo cada vez mais alvo de ataques pessoais, ameaças e desinformação, o que desvia a atenção de questões graves de direitos humanos”, disse.

Segundo os dados citados na reportagem, quase 600 palestinos foram mortos por Israel em Gaza desde o cessar-fogo anunciado em 10 de outubro. Desde outubro de 2023, ao menos 72 mil palestinos morr

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