HOME > Mundo

País europeu quer atrair brasileiros com milhares de vagas de emprego e vistos rápidos

Uma das principais medidas em discussão é a redução do tempo de emissão de vistos de trabalho para até duas semanas

Passaporte brasileiro (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

247 - A Finlândia intensificou sua estratégia para atrair trabalhadores estrangeiros, incluindo brasileiros, diante da previsão de abertura de 140 mil vagas no setor de tecnologia até 2035. As informações foram publicadas inicialmente pelo portal g1.

Atualmente, a presença brasileira no país ainda é pequena — cerca de 2.611 pessoas, segundo o Ministério das Relações Exteriores. No entanto, esse cenário pode mudar significativamente nos próximos anos, impulsionado por políticas migratórias mais ágeis e pela demanda crescente por mão de obra qualificada.

Uma das principais medidas em discussão é a redução do tempo de emissão de vistos de trabalho para até duas semanas, desde que o candidato já tenha uma proposta formal de emprego. Além disso, o governo negocia um acordo bilateral com o Brasil que pode garantir a manutenção da previdência  para brasileiros que decidirem retornar ao país após trabalhar no exterior.

A busca por profissionais brasileiros está diretamente ligada a mudanças estruturais no mercado de trabalho finlandês. De um lado, há o avanço acelerado do setor de tecnologia, com o crescimento de startups e empresas focadas em inovação. De outro, a escassez de mão de obra estrangeira tradicional, especialmente de países como Rússia e Ucrânia, afetados por um conflito prolongado na região.

Segundo Laura Lindemann, diretora do programa Work in Finland, o Brasil passou a ser considerado estratégico nesse cenário. "Avaliamos diferentes países sob a perspectiva das empresas finlandesas e da internacionalização — onde elas estão, para onde exportam ou querem exportar — e também onde há grande oferta de profissionais", afirma.

"Também foi considerado o fato de a Finlândia já estar presente no país, com escritório da Business Finland, uma embaixada, ou seja, não é preciso começar tudo do zero. As conexões entre Finlândia e Brasil já existem."Outro fator decisivo é o envelhecimento populacional. De acordo com estimativas oficiais, cerca de 1 milhão de finlandeses devem se aposentar nos próximos anos — um número expressivo para um país com menos de 6 milhões de habitantes."A Finlândia está envelhecendo, e não pode haver um gargalo para o crescimento do país por falta de talentos", diz Lindemann.

"Estimamos que, nos próximos anos, 1 milhão de finlandeses vão se aposentar. É um número enorme para um país com pouco menos de 6 milhões de habitantes."Atualmente, há cerca de 800 vagas abertas no país, muitas delas concentradas em áreas ligadas às chamadas “deep techs”, como inteligência artificial, computação quântica, semicondutores e tecnologias voltadas à saúde.

"Todas as áreas das ciências naturais são necessárias — matemática, física, química —, porque são importantes para o setor de deep tech, que concentra os novos negócios na Finlândia.""Deep tech significa que há pesquisa e, a partir dela, surgem inovações que são comercializadas. Inteligência artificial, computação quântica, semicondutores, microchips, tecnologia voltada à saúde — estamos falando desse campo", diz a executiva.

Apesar das oportunidades, os requisitos são exigentes. É fundamental ter domínio do inglês, além de formação técnica ou acadêmica sólida. O conhecimento do finlandês ou do sueco é considerado um diferencial, especialmente para quem busca cargos de liderança, mas não é obrigatório inicialmente.

O país também enfrenta um cenário paradoxal: mesmo com taxa de desemprego próxima de 11%, muitas vagas seguem abertas por falta de profissionais com as qualificações necessárias."Especialmente em uma situação como esta, de alto desemprego, precisamos de crescimento — e é por isso que precisamos dos melhores talentos para gerá-lo", afirma Lindemann.

Além das oportunidades profissionais, a Finlândia oferece benefícios considerados atrativos, como jornadas de trabalho mais curtas — em média 37,5 horas semanais —, férias mais longas e políticas amplas de licença parental.

O país também lidera, há anos, rankings internacionais de qualidade de vida, frequentemente sendo apontado como o mais feliz do mundo. No entanto, especialistas alertam que essa avaliação está ligada a indicadores como segurança, bem-estar social e estabilidade — e não necessariamente à ideia de alegria cotidiana.

Com clima rigoroso, invernos longos e pouca luminosidade em determinadas épocas do ano, a adaptação pode ser um desafio para estrangeiros. Ainda assim, o governo acredita que a combinação entre qualidade de vida e oportunidades profissionais pode atrair cada vez mais brasileiros.

"Um dos motivos pelos quais os brasileiros deveriam se mudar para a Finlândia é a alegria que poderiam trazer, somada à felicidade finlandesa", diz Lindemann."Também temos alegria, mas seria positivo ter esse tipo de atitude diante da vida que os brasileiros têm. Seria uma combinação perfeita."