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Preço do petróleo sobe com novos ataques entre EUA e Irã no Oriente Médio

Ataques entre EUA e Irã reacenderam temores sobre oferta global de energia

Preço do petróleo dispara após entrada dos EUA na guerra contra o Irã (Foto: Pavel Mikheyev/Reuters)
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247 - O petróleo sobe com tensão no Estreito de Ormuz, após ataques entre EUA e Irã reacenderem temores sobre oferta global de energia e colocarem em dúvida a velocidade de normalização dos fluxos no Golfo Pérsico. A nova escalada no Oriente Médio voltou a pressionar o mercado nesta segunda-feira (29), em meio a incertezas sobre a segurança das rotas marítimas e a capacidade de recuperação da produção regional.

Segundo a Reuters, os contratos futuros do Brent avançavam 45 centavos, ou 0,6%, para US$ 72,44 o barril às 06h27 GMT. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, era negociado a US$ 70,05 o barril, alta de 82 centavos, ou 1,2%.

A reação do mercado ocorre depois de dias de ataques retaliatórios entre os Estados Unidos, governados pelo presidente Donald Trump, e o Irã. A sequência de episódios reforçou a fragilidade do acordo de paz provisório e voltou a afetar o transporte de energia pelo Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas para o comércio global de petróleo.

Na semana passada, um petroleiro e um navio porta-contêineres ligados ao Catar foram atacados na região. Os incidentes provocaram nova deterioração do ambiente de segurança no Golfo e levaram a respostas militares de Washington e Teerã, no momento de maior tensão desde a assinatura do acordo provisório.

Apesar da alta desta segunda-feira, os preços ainda refletem o forte recuo registrado anteriormente. O Brent caiu 10,6% na semana passada, acumulando a terceira queda semanal consecutiva, depois que os embarques de petróleo bruto pelo estreito atingiram o maior nível desde o início da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro.

Analistas do ING afirmaram que o mercado continua exposto a riscos relevantes. “Ainda existem muitos riscos para o mercado de petróleo. Mesmo assim, os participantes parecem estar... focados no que uma recuperação contínua nos fluxos de petróleo significaria para o equilíbrio global”, disseram em nota divulgada nesta segunda-feira.

Os analistas também alertaram para o risco de o mercado subestimar a possibilidade de novas pressões sobre os preços. “Essa complacência é estranha e claramente deixa um risco significativo de alta caso a recuperação da oferta se mostre lenta”, acrescentaram.

A alta, porém, foi limitada pela sinalização de que Teerã e Washington concordaram em interromper as hostilidades recentes no Golfo e retomar as negociações sobre a disputa envolvendo o Estreito de Ormuz. A informação foi dada no domingo por um funcionário americano.

Ainda assim, bancos e operadores avaliam que a retomada plena da circulação de petróleo na região pode não ocorrer de forma rápida. Analistas do ANZ afirmaram que “o mercado provavelmente reavaliará sua expectativa de uma rápida recuperação do fornecimento de petróleo do Golfo Pérsico”.

A Aramco, gigante estatal saudita do petróleo, retomou na sexta-feira o carregamento de petróleo bruto no terminal de Ras Tanura, localizado a oeste do Estreito de Ormuz, após uma paralisação de quase quatro meses. A retomada ocorreu em um momento em que produtores regionais vinham ampliando produção e exportações antes do acordo provisório.

Os carregamentos continuaram mesmo após a queda de um helicóptero da empresa no domingo, em Ras Tanura, acidente que matou 14 cidadãos nacionais. A causa ainda não foi esclarecida.

Para o ANZ, as restrições logísticas e os danos acumulados pela guerra seguem como entraves importantes. “Os fluxos físicos são limitados por atrasos de petroleiros, infraestrutura danificada e interrupções de produção. Pode levar o restante do ano até que a oferta esteja próxima dos níveis anteriores ao conflito”, disseram os analistas.

A instabilidade no Golfo Pérsico mantém investidores atentos à evolução das negociações entre EUA e Irã e à capacidade de preservar a navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa parte expressiva do petróleo transportado por via marítima no mundo.

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