Pepe Escobar alerta para risco de colapso econômico global com esgotamento das reservas estratégicas de petróleo dos EUA
Jornalista afirma que bloqueio prolongado no Estreito de Ormuz e redução das reservas americanas podem desencadear uma crise energética sem precedentes
247 – Em entrevista ao canal Judging Freedom, o jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o mundo enfrenta um risco crescente de instabilidade econômica em razão da combinação entre o esvaziamento das reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos e a possibilidade de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Segundo a entrevista, o problema vai muito além da alta dos preços do petróleo: trata-se de uma ameaça potencial ao funcionamento da economia mundial.
Durante a conversa, Escobar explica que inicialmente concentrou sua análise nas implicações geopolíticas e geoeconômicas do conflito envolvendo o Irã, mas afirma que um relatório recebido posteriormente o levou a identificar um aspecto ainda mais preocupante: a redução das reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos.
Segundo o jornalista, o cenário se tornaria especialmente grave caso o Estreito de Ormuz permanecesse bloqueado até meados de julho ou agosto.
"Do ponto de vista de tentar disfarçar a derrota estratégica dos Estados Unidos, havia uma questão muito mais interessante e muito mais urgente. Se chegarmos a meados de agosto e o Estreito de Ormuz estiver totalmente bloqueado, ou quase totalmente bloqueado, como esteve há alguns dias, então não haverá mais petróleo extra para ser despejado pelos americanos, e a economia global irá por água abaixo em questão de dias."
Falta de planejamento estratégico
Questionado sobre o que essa situação revelaria a respeito do planejamento militar e energético dos Estados Unidos, Escobar foi categórico ao afirmar que o episódio demonstra ausência de planejamento estratégico.
"Acho que isso prova para todos nós e para o planeta inteiro que não houve planejamento algum. É tão simples quanto isso."
Segundo ele, caso Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — tivesse demorado mais algumas semanas para alterar a política relacionada ao uso das reservas estratégicas, a situação poderia ter se tornado irreversível.
"Se esses números não estivessem disponíveis para ele, e há muitas maneiras de essas informações se perderem na burocracia de Washington, teria sido tarde demais. Se ele tivesse tomado a mesma decisão um mês depois, em meados de julho, já seria tarde."
Escobar afirma que o relatório recebido era explícito quanto às consequências.
"O ponto não é bloquear o Estreito de Ormuz e fazer o petróleo subir para 100 ou 120 dólares. Não é a questão do preço. São as implicações de longo prazo."
Mais de um bilhão de barris fora do mercado
Na avaliação do analista, a retirada de mais de um bilhão de barris do mercado internacional provocaria uma ruptura estrutural no sistema energético mundial.
"Se você tira mais de um bilhão de barris de petróleo do mercado, desestabiliza completamente o mercado global. E é exatamente o estágio em que estamos agora."
Segundo Escobar, essa situação teria sido provocada, em grande medida, por decisões tomadas pelos próprios Estados Unidos.
Próximas semanas serão decisivas
Ao analisar os possíveis desdobramentos, Escobar afirma que tudo dependerá das medidas adotadas por Washington em relação ao Irã e da normalização das exportações na região do Golfo Pérsico.
"Precisamos esperar para ver o que acontecerá entre agora e meados de julho ou o fim de julho."
Entre os fatores decisivos, ele cita o eventual encerramento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos.
"Tudo depende de os americanos realmente encerrarem o bloqueio dos portos iranianos, que não é um bloqueio do Estreito de Ormuz. Eles decidiram bloquear todos os portos iranianos que exportam pelo Golfo Pérsico."
Escobar também afirma que o Irã possui plena soberania para cobrar taxas em suas águas territoriais.
"Eles já estão reclamando que os iranianos não podem cobrar nada em suas águas territoriais, mas isso é uma questão soberana do Irã. Eles não dependem dos Estados Unidos para decidir cobrar taxas de manutenção, segurança ou ambientais."
Reservas continuam sendo utilizadas
Apesar da preocupação crescente com o nível das reservas estratégicas, Escobar afirma que sua utilização continua.
Segundo ele, os Estados Unidos seguem colocando petróleo das reservas no mercado com o objetivo de conter os preços internacionais do barril.
"Se virmos Ormuz voltar a uma aparência de normalidade em relação ao período anterior à guerra, talvez consigamos atravessar essa fase de esgotamento das reservas americanas."
No entanto, ele faz um alerta final:
"Não se esqueça de que o esgotamento continua. Não é que eles tenham parado. Eles ainda estão colocando reservas americanas no mercado para suprimir o preço do petróleo. Essa nova situação ainda nem começou de fato."
Para Escobar, o equilíbrio do mercado energético internacional nas próximas semanas dependerá da evolução da crise envolvendo o Irã, da reabertura das rotas de exportação pelo Golfo Pérsico e da capacidade dos Estados Unidos de administrar um nível historicamente reduzido de suas reservas estratégicas de petróleo. Segundo o analista, uma interrupção prolongada do fluxo pelo Estreito de Ormuz, combinada com a continuidade do consumo das reservas americanas, poderia desencadear uma crise energética de alcance global, com impactos profundos sobre a economia mundial.



