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Seguradoras cancelam cobertura e 150 petroleiros param no Estreito de Ormuz

Ataques ao Irã eleva fretes e faz petróleo Brent disparar mais de 8% diante do risco de fechamento prolongado da rota

Seguradoras cancelam cobertura e 150 petroleiros param no Estreito de Ormuz (Foto: Reuters)

247 - As seguradoras marítimas começaram a cancelar a cobertura contra riscos de guerra para embarcações que operam no Golfo Pérsico, à medida que o conflito crescente com o Irã interrompe a navegação na região e deixa ao menos quatro petroleiros danificados, dois marinheiros mortos e cerca de 150 navios parados no Estreito de Ormuz. As informações foram divulgadas pela agência Reuters.

A navegação pelo estreito entre o Irã e Omã — responsável por escoar aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo, além de grandes volumes de gás — praticamente cessou depois que embarcações foram atingidas em retaliação a ataques dos Estados Unidos e de Israel. O Irã afirmou ter fechado a passagem estratégica, o que levou governos e refinarias asiáticas, principais compradores da região, a reavaliar seus estoques de petróleo.

O impacto no mercado foi imediato. A interrupção do tráfego e o temor de um bloqueio prolongado fizeram os preços do petróleo e do gás natural na Europa dispararem. Os contratos futuros do Brent avançaram mais de 8%, em meio às paralisações na produção de petróleo e gás no Oriente Médio.

Dados de navegação divulgados no domingo (1º) apontam que ao menos 150 embarcações, entre petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, permanecem ancoradas no Estreito de Ormuz e em águas adjacentes. Segundo a plataforma MarineTraffic, os navios se concentram em áreas abertas próximas às costas de grandes produtores do Golfo, como Iraque e Arábia Saudita, além do Catar, um dos maiores exportadores globais de gás.

Entre os episódios mais recentes, o petroleiro de produtos químicos Stena Imperative, de bandeira americana, sofreu danos provocados por "impactos aéreos" enquanto estava atracado no Golfo Pérsico, informaram sua proprietária, Stena Bulk, e a administradora nos Estados Unidos, Crowley, em comunicado. Um trabalhador do estaleiro morreu em decorrência do ataque.

Também no domingo, um projétil atingiu o petroleiro de produtos químicos MKD VYOM, de bandeira das Ilhas Marshall, enquanto navegava ao largo da costa de Omã, matando um membro da tripulação, segundo informou sua administradora. Outros dois petroleiros registraram danos. Na mesma data, o navio-tanque de abastecimento de petróleo Hercules Star, de bandeira de Gibraltar, foi atingido na costa dos Emirados Árabes Unidos, informou a empresa gestora Peninsula. A embarcação retornou à ancoragem em Dubai na manhã de domingo e, segundo a companhia, a tripulação estava em segurança.

Diante da escalada dos incidentes, seguradoras como Gard, Skuld, NorthStandard, London P&I Club e American Club anunciaram que os cancelamentos da cobertura contra riscos de guerra entrarão em vigor a partir de 5 de março, conforme avisos publicados em 1º de março. A exclusão abrange águas iranianas, o Golfo Pérsico e áreas adjacentes. A Skuld informou ainda que trabalha para oferecer nova cobertura sob condições revisadas.

O grupo japonês MS&AD Insurance comunicou à Reuters que suspendeu a subscrição de diversas apólices relacionadas a riscos de guerra nas águas ao redor do Irã, de Israel e de países vizinhos. A retirada da proteção tende a pressionar ainda mais os custos do transporte marítimo de petróleo.

As taxas de frete spot do Oriente Médio para a Ásia, conhecidas como TD3C DFRT-ME-CN, já acumulam forte alta e devem ampliar os ganhos. O índice de referência quase triplicou desde o início de 2026. Corretores estimaram na segunda-feira que o afretamento de um petroleiro de grande porte na rota entre o Oriente Médio e a China estava cerca de 4% acima do registrado na sexta-feira, próximo a W225 na métrica da Worldscale, o equivalente a pelo menos US$ 12 milhões.

"As taxas TD3C estavam subindo exponencialmente antes dos ataques e continuarão elevadas, à medida que os países se esforçam para atender às suas necessidades energéticas", disse Emril Jamil, analista sênior da LSEG.

Segundo fontes do mercado, ainda há incerteza sobre o patamar final das tarifas, mas a expectativa é de que todas as rotas de carregamento no Oriente Médio permaneçam firmes. Além disso, o mercado pode demandar mais navios para transportar petróleo bruto dos Estados Unidos e da África Ocidental em viagens mais longas, o que tende a sustentar a alta dos fretes nessas rotas alternativas.

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