HOME > Mundo

Subsidiária da CK Hutchison exige US$ 2 bilhões e acusa Panamá de tomar portos ilegalmente

Empresa de Hong Kong recorre à arbitragem internacional após acusar governo panamenho de tomar ilegalmente os portos de Balboa e Cristobal

Uma vista aérea mostra navios de carga atracados no Porto de Balboa, operado pela Panama Ports Company, no Canal do Panamá, na Cidade do Panamá, Panamá, em 1º de fevereiro de 2025 (Foto: REUTERS/Enea Lebrun)

247 - A empresa Panama Ports Company (PPC), controlada pelo conglomerado de Hong Kong CK Hutchison Holdings, iniciou um processo de arbitragem internacional contra o governo do Panamá e exige pelo menos US$ 2 bilhões em indenização. A companhia acusa o Estado panamenho de promover uma “tomada ilegal” dos portos de Balboa e Cristobal, dois dos principais terminais marítimos do país centro-americano. As informações são da Caixin Global.

A empresa recorreu às regras da Câmara de Comércio Internacional para apresentar a reivindicação, contestando medidas adotadas pelas autoridades panamenhas e alegando que o governo distorceu publicamente os valores envolvidos na disputa.

De acordo com a PPC, a controvérsia está relacionada à implementação de um decreto executivo publicado em 23 de fevereiro, que, segundo a empresa, autorizou a apreensão de ativos e documentos protegidos. A companhia afirma que o ato permitiu a tomada de materiais proprietários e pede sua devolução imediata, alegando que a apreensão foi realizada de forma ilegal.

Além da arbitragem, a CK Hutchison também ampliou uma notificação anterior de disputa baseada em um tratado bilateral de investimentos. A empresa sustenta que o governo panamenho não realizou consultas adequadas nem apresentou transparência antes de assumir o controle das instalações portuárias.

Em comunicado, a companhia afirmou que pretende buscar integralmente as reparações que considera devidas. “PPC e CK Hutchison não vão recuar e não estão em busca de uma compensação simbólica – elas irão afirmar todos os seus direitos e os danos que lhes são devidos por causa das violações radicais e da conduta antiinvestidor do Estado panamenho”, declarou a empresa.

A CK Hutchison perdeu o controle dos dois portos no mês passado, quando o Panamá decidiu assumir os ativos. A medida ocorreu em meio a pressões políticas relacionadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os terminais de Balboa e Cristobal fazem parte de um conjunto de ativos incluídos em um acordo anunciado pela CK Hutchison em março do ano passado para vender 43 instalações portuárias ao redor do mundo. O consórcio comprador é apoiado pela gestora americana BlackRock.

O negócio, que a empresa estimava poder gerar mais de US$ 19 bilhões em dinheiro, enfrenta atrasos e poucos avanços ao longo do último ano. Segundo reportagens anteriores da Bloomberg, as expectativas agora se concentram em um possível avanço político após uma reunião entre Donald Trump e o presidente da China, Xi Jinping, que poderia destravar o impasse envolvendo a venda dos portos.

Artigos Relacionados