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Guerra provocada por Trump e Netanyahu derruba índices globais e leva pânico aos mercados

Petróleo dispara com tensão no Estreito de Ormuz, bolsas recuam e investidores correm para ouro, dólar e títulos do Tesouro

Tarifaço de Trump provoca pânico nos mercados e derruba bolsas globais (Foto: Reuters)

247 – A escalada militar iniciada no sábado, 28 de fevereiro, no confronto entre Estados Unidos, Israel e o Irã, jogou os mercados globais em forte aversão ao risco, derrubou índices acionários e acelerou uma corrida para ativos de proteção, como ouro, dólar e títulos do Tesouro americano. O gatilho imediato foi a explosão do prêmio geopolítico no petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, passagem estratégica para o comércio marítimo de energia.

Segundo reportagem do Valor, o petróleo disparou e as bolsas recuaram com a ampliação do conflito liderado pelo presidente Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que elevou o temor de interrupções no fornecimento global, pressionou expectativas de inflação e reacendeu o fantasma de um choque energético com impacto sobre crescimento, crédito e política monetária.

Petróleo salta mais de 10% e Estreito de Ormuz vira epicentro do risco

A reação mais visível ocorreu no mercado de energia. O Brent, referência internacional, chegou a subir 13% antes de reduzir ganhos, sendo negociado perto de US$ 82 por barril. O WTI avançou 7,1%, a US$ 71,77 por barril. A disparada está diretamente associada ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado por mar, e ao colapso do tráfego de petroleiros na região, sinalizado por indicadores digitais.

O Irã produz cerca de 3,3 milhões de barris por dia, algo em torno de 3% da produção global. Ainda assim, sua influência sobre a oferta mundial é desproporcional ao volume, porque o petróleo do Golfo Pérsico precisa atravessar o estreito para chegar a grandes mercados como China, Índia e Japão. A ameaça, portanto, não se limita ao que o Irã extrai, mas ao que pode impedir de circular.

A Bloomberg Economics, citada no texto-base, afirmou que, se o Estreito de Ormuz permanecer fechado, o petróleo pode alcançar US$ 108 por barril. Embora o Irã tenha declarado oficialmente não ter intenção de fechar a passagem, informou ter atacado três navios na região, o que elevou os temores de que o fornecimento global se torne ainda mais restrito.

Opep+ anuncia aumento de produção, mas mercado precifica choque prolongado

Em meio ao tumulto, a Opep+ concordou, em reunião previamente agendada no fim de semana, em elevar as cotas de produção no próximo mês em 206 mil barris por dia. O movimento já era esperado antes das hostilidades e indicava uma retomada gradual de aumentos modestos.

Na prática, a decisão do grupo atua como um amortecedor limitado. Para o mercado, o principal problema não é apenas a produção, mas o risco logístico, marítimo e securitário num corredor que concentra uma fatia crítica do fluxo global de petróleo. Quando a rota entra em colapso, o preço do barril reage com violência, independentemente de ajustes marginais nas cotas.

Bolsas desabam na Ásia, Wall Street recua e energia vira exceção

A instabilidade se espalhou rapidamente. As ações asiáticas caíram de forma ampla. A Bolsa de Tóquio recuou 2,3% na sessão matinal. Shenzhen operou em queda de 0,25%, enquanto Hong Kong perdeu 1,5%. Índices de Índia, Taiwan, Filipinas e Austrália também declinaram.

A exceção ficou com empresas de energia e petroleiras, que avançaram com a alta do petróleo. Para o resto do mercado, a leitura foi de choque negativo: custos sobem, margens apertam, riscos de recessão aumentam, e a incerteza sobre cadeias de transporte e viagens se intensifica.

Nos Estados Unidos, os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 recuaram mais de 1% em sua primeira reação à guerra, reforçando o clima de “fuga do risco” e a reprecificação de ativos em escala global.

Pânico e busca por refúgios: ouro, dólar e Treasuries em alta

Com o estresse geopolítico, investidores buscaram reduzir exposição a ativos mais voláteis e correram para instrumentos tradicionalmente defensivos. Os títulos do Tesouro americano subiram, com o rendimento do papel de 10 anos caindo ao menor nível desde abril e o rendimento do título de 5 anos recuando ao menor nível desde outubro de 2024.

O ouro avançou 1,6%, sendo negociado perto de US$ 5.360 a onça. O dólar se fortaleceu em relação a quase todas as moedas do G10, reforçando seu papel como reserva de valor em momentos de turbulência.

"A história nos ensina que choques geopolíticos tendem a produzir movimentos iniciais acentuados no petróleo e em ativos de refúgio, que geralmente se dissipam rapidamente se o conflito se mostrar contido", disse Josh Gilbert, analista de mercado da eToro Ltd. "Até que haja sinais claros de desescalada, os investidores devem esperar volatilidade elevada no petróleo, ouro, moedas e ações ao longo da próxima semana."

Mercado ainda aposta em conflito “limitado”, mas risco de escalada é o motor da volatilidade

A percepção de parte dos investidores é que o mercado, por ora, precifica um confronto limitado, desde que a escalada não se prolongue e não se converta em bloqueio persistente das rotas marítimas nem em danos a infraestrutura crítica.

"Os mercados estão precificando um conflito limitado, com implicações mais amplas para os investimentos ainda administráveis, a menos que a escalada se prolongue", escreveu Adam Hetts, chefe global de multiativos da Janus Henderson, em relatório. "Como sempre, a diversificação e uma perspectiva de longo prazo são cruciais quando a incerteza atinge o pico."

Analistas do Goldman Sachs Group Inc., incluindo Daan Struyven, apontaram que o tráfego de petroleiros "parece significativamente interrompido, já que muitos transportadores, produtores de petróleo e seguradoras adotaram uma postura cautelosa de esperar para ver", ao mesmo tempo em que registraram: "Até onde sabemos, não há danos confirmados à produção ou à infraestrutura de exportação de petróleo."

Escalada militar e morte de Ali Khamenei ampliam tensão regional

O conflito representa uma nova e perigosa fase para o mercado global de petróleo. Os Estados Unidos e Israel lançaram mísseis contra alvos em todo o Irã no sábado, enquanto instavam a população local a derrubar o regime islâmico. Teerã respondeu com uma onda de ataques contra Israel e contra bases americanas e outros alvos em países como Qatar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto.

A combinação de ataques em múltiplos territórios, risco a rotas marítimas e incerteza sobre os próximos passos tornou o petróleo o principal termômetro do medo e empurrou os mercados para um padrão típico de crise: queda de ações, alta de energia, busca por proteção cambial e corrida por ouro.

Petróleo já subia em 2026 e guerra adiciona um prêmio explosivo

Antes da guerra, o petróleo já acumulava alta em 2026, com dois meses consecutivos de ganhos, impulsionado por tensões geopolíticas persistentes e interrupções localizadas na oferta. Os avanços ocorreram apesar das expectativas de excedente global, após aumentos de produção pela Opep+ e por países fora do grupo.

Agora, o conflito adiciona um prêmio de risco que pode mudar rapidamente o cenário. Se a energia permanecer mais cara, a inflação tende a ganhar tração, corroendo renda, elevando custos industriais e complicando a política monetária. É esse encadeamento que explica por que uma crise no Golfo Pérsico, mesmo distante, reverbera imediatamente nas bolsas de todo o planeta.

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