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Tempestade de inverno paralisa os Estados Unidos, mata 30 pessoas e deixa meio milhão sem energia

O fenômeno, marcado por frio extremo, neve e chuva congelante, atingiu desde o Sul até o Nordeste do país

Uma equipe de degelo trabalha durante a tempestade de inverno Fern em um voo da Southwest Airlines no Aeroporto Internacional de Nashville, em Nashville, Tennessee, EUA, em 24 de janeiro de 2026. (Foto: Andrew Nelles/USA Today Network via REUTERS)

247 - Uma intensa tempestade de inverno que avançou pelos Estados Unidos ao longo do fim de semana e se intensificou nesta segunda-feira (26) deixou ao menos 30 mortos e mais de 500 mil pessoas sem fornecimento de energia elétrica. O fenômeno, marcado por frio extremo, neve e chuva congelante, atingiu desde o Sul até o Nordeste do país e ainda não apresenta sinais de enfraquecimento, segundo autoridades meteorológicas. As informações foram divulgadas pela agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), que acompanha os impactos do sistema climático considerado um dos mais severos dos últimos anos no país. 

De acordo com os serviços de meteorologia, cerca de dois terços do território americano foram afetados pelas temperaturas extremas. Dados do Serviço Nacional de Meteorologia indicam que mais de 30 centímetros de neve se acumularam ao longo de uma faixa de aproximadamente 2,1 mil quilômetros, que se estende do Arkansas até a Nova Inglaterra. Em áreas ao norte da cidade de Pittsburgh, o volume chegou a 50 centímetros, com sensação térmica de até -31 °C, agravando as condições de mobilidade e segurança.

Meteorologistas alertam que uma nova massa de ar ártico deve manter as temperaturas abaixo de zero em regiões já cobertas por neve e gelo. Há também a possibilidade de que uma nova tempestade atinja a Costa Leste no próximo fim de semana, prolongando o período de frio intenso.As mortes foram registradas em diversos estados e ocorreram em circunstâncias variadas. Entre os casos confirmados, duas pessoas morreram após serem atropeladas por veículos limpa-neves em Massachusetts e Ohio. Adolescentes perderam a vida em acidentes com trenós no Arkansas e no Texas, enquanto uma mulher foi encontrada morta sob a neve no Kansas após sair de um bar.

Em Nova York, oito pessoas foram encontradas mortas ao ar livre durante o fim de semana marcado por temperaturas extremas. As autoridades locais ainda investigam as causas das mortes. Também foram registradas quatro mortes no Tennessee, três na Louisiana e na Pensilvânia, duas no Mississippi e uma em cada um dos seguintes estados: Nova Jersey, Carolina do Sul e Kentucky.

Além das vítimas fatais, a tempestade provocou apagões em larga escala. Na noite de segunda-feira, mais de 560 mil imóveis estavam sem energia elétrica em todo o país, segundo dados do site PowerOutage. A maioria das interrupções ocorreu no Sul, onde a chuva congelante derrubou árvores, postes e linhas de transmissão.

No Mississippi, autoridades estaduais montaram abrigos emergenciais equipados com geradores, camas e cobertores para acolher moradores afetados. O governador Tate Reeves classificou o episódio como a pior tempestade registrada no estado desde 1994. Segundo o governo local, pelo menos 14 residências, um estabelecimento comercial e cerca de 20 vias públicas sofreram danos significativos.Na cidade de Oxford, a prefeita Robyn Tannehill descreveu o cenário de destruição e comparou os estragos aos provocados por um tornado:
 

“Tantas árvores, galhos e fios caíram que parece que um tornado passou por todas as ruas.” Diante da situação, a Universidade do Mississippi suspendeu as aulas presenciais durante toda a semana.

O sistema de transporte aéreo também foi fortemente impactado. Apenas na segunda-feira, mais de 12 mil voos foram cancelados ou sofreram atrasos em todo o país, segundo dados do site FlightAware. No domingo, cerca de 45% dos voos programados nos Estados Unidos foram cancelados, o maior índice desde o início da pandemia, de acordo com a empresa Cirium.

Aeroportos considerados estratégicos, como o de Dallas-Fort Worth, enfrentaram paralisações, com aeronaves e tripulações retidas devido às condições climáticas adversas. Em Nova York, bairros registraram acúmulo de neve entre 20 e 38 centímetros, levando ao fechamento das escolas públicas e à adoção de aulas remotas para aproximadamente 500 mil estudantes.

A previsão do tempo indica que os 48 estados contíguos dos Estados Unidos devem registrar a menor média de temperatura desde janeiro de 2014, com cerca de -12,3 °C. Em cidades como Nashville, moradores buscaram refúgio em hotéis para escapar do frio intenso em residências sem aquecimento adequado.

Alex Murray, que se hospedou com a família para enfrentar as temperaturas extremas, relatou a dificuldade vivida por muitos moradores da região:
“Sei que muitas pessoas não conseguem pagar ou encontrar um lugar para ficar. Tivemos muita sorte”.

Enquanto isso, a previsão aponta para a continuidade de neve leve a moderada na região da Nova Inglaterra, mantendo autoridades em alerta máximo para novos transtornos e riscos à população.