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Trump endossa post sobre Rubio como presidente de Cuba e eleva pressão sobre a ilha

Trump compartilhou, em sua rede Truth Social, uma imagem de um post publicado no X no dia 8 de janeiro

Rubio fala durante coletiva de imprensa, observado por Trump (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra Cuba neste domingo (11) ao republicar uma mensagem que sugere o secretário de Estado Marco Rubio como futuro presidente da ilha. A publicação reacende a tensão diplomática entre Washington e Havana e ocorre em meio a ameaças de bloqueio ao fornecimento de petróleo venezuelano e à interrupção de qualquer fluxo financeiro vindo de Caracas.

Trump compartilhou, em sua rede Truth Social, uma imagem de um post publicado no X no dia 8 de janeiro. A mensagem dizia: “Marco Rubio será presidente de Cuba. 😂”. Ao republicar o conteúdo, o presidente americano acrescentou o comentário: “Por mim, tudo bem!”.

Marco Rubio, atual secretário de Estado dos EUA, é filho de imigrantes cubanos e nasceu em Miami, na Flórida. Embora o post tenha sido feito em tom irônico, a republicação por Trump foi interpretada como um gesto político simbólico, em um momento de crescente hostilidade entre os dois países.

No mesmo dia, Trump afirmou que Cuba não terá mais acesso ao petróleo nem a recursos financeiros da Venezuela. Segundo ele, o apoio energético fornecido por Caracas à ilha caribenha deixará de existir e Havana não será mais necessária para garantir a segurança do governo venezuelano, como ocorria até então.

O presidente americano voltou a fazer ameaças diretas ao declarar que o país deve “fazer um acordo antes que seja tarde”. Trump também afirmou que a Venezuela não é mais refém de interesses externos, pois agora “tem os EUA, as forças armadas mais poderosas do mundo para protegê-la”.

As declarações provocaram reação imediata do governo cubano. Em publicação no X, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que “como qualquer país, Cuba tem o direito absoluto de importar combustível dos mercados dispostos a exportá-lo e que exerçam seu direito de desenvolver suas relações comerciais sem interferência ou subordinação a medidas coercitivas unilaterais impostas pelos EUA”.

Rodríguez também negou que Cuba receba qualquer tipo de compensação financeira pela prestação de serviços de segurança à Venezuela ou a outros países, contrariando afirmações recorrentes do presidente americano.

A escalada verbal de Trump ocorre após a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, durante uma operação realizada por forças americanas na madrugada do dia 3 de janeiro, em Caracas. Ambos foram levados do Palácio de Miraflores e encaminhados para uma prisão em Nova York, onde aguardam julgamento sob acusações de narcoterrorismo.

Desde a prisão de Maduro, Trump tem feito declarações frequentes sobre uma maior interferência dos Estados Unidos na política da Venezuela e, agora, ampliou o foco para Cuba. Segundo estimativas citadas pelo governo americano, cerca de 30% do petróleo consumido na ilha vinha da Venezuela, o que tornaria Havana vulnerável em caso de interrupção prolongada do fornecimento.

Durante a operação que resultou na captura de Maduro, 32 agentes cubanos responsáveis pela segurança do então presidente venezuelano teriam sido mortos, segundo informações divulgadas anteriormente. Um dia após a ação, Trump declarou que Cuba “está pronta para cair”.

“Não acho que precisamos de nenhuma ação”, disse o presidente. “Parece que está caindo”. Em seguida, acrescentou: “Não sei se eles irão se manter, mas Cuba, agora, não tem renda”. “Eles ganhavam sua renda da Venezuela, do petróleo venezuelano.”