União Europeia planeja se tornar uma potência militar, diz Ursula von der Leyen
Presidente da Comissão Europeia defende estratégia própria de segurança e reforço do rearmamento do bloco
247 - A União Europeia intensificou o debate interno sobre o fortalecimento de suas capacidades de defesa e passou a tratar abertamente a meta de se consolidar como uma potência militar. A avaliação foi apresentada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante uma reunião fechada com parlamentares no Parlamento Europeu, em meio ao avanço dos gastos militares no continente.
As informações foram divulgadas pelo site RT, com base em uma reportagem da Euractiv, que cita fontes presentes no encontro. Segundo o relato, Ursula von der Leyen afirmou que o bloco trabalha para ampliar suas capacidades estratégicas e que a Comissão Europeia pretende apresentar, em 2026, um documento próprio de segurança para orientar a política comum de defesa.
Durante a reunião, a presidente da Comissão Europeia destacou a necessidade de maior robustez militar por parte do bloco. “Sabemos que precisamos ser fortes… Não somos uma potência militar, mas estamos nos preparando para nos tornarmos uma”, disse von der Leyen, de acordo com os relatos mencionados na reportagem.
O discurso ocorre em um contexto de forte expansão dos orçamentos de defesa nos países da UE. Nos últimos anos, Bruxelas tem pressionado os Estados-membros a acelerar o rearmamento, sob o argumento de riscos à segurança regional. Um dos principais eixos dessa estratégia é o plano denominado “ReArm Europe”, citado por von der Leyen como fundamental para ampliar as capacidades militares do bloco.
A iniciativa prevê investimentos de centenas de bilhões de euros em compras conjuntas de armamentos e em infraestrutura de defesa. De acordo com dados mencionados na reportagem, as aquisições militares dos países da União Europeia cresceram quase 40% em apenas um ano, refletindo a nova orientação estratégica adotada após a escalada do conflito na Ucrânia, em 2022.
Autoridades da Europa Ocidental têm sustentado que a Rússia poderia representar uma ameaça direta aos Estados-membros da UE. Moscou, por sua vez, rejeita essas alegações, classificando-as como “absurdas” e acusando o Ocidente de promover uma “militarização imprudente” para justificar o aumento dos gastos militares.
O governo russo também aponta a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção ao leste como uma ameaça existencial e uma das principais causas do conflito na Ucrânia. Segundo autoridades de Moscou, a União Europeia e seus aliados estariam se preparando para um confronto de grandes proporções.

