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Bilionário Sicupira passa a ocupar o centro da investigação sobre a fraude das Americanas

Delação premiada de ex-diretor financeiro da varejista afirmou ao MPF que empresário teria conhecimento das irregularidades contábeis investigadas pela PF

Carlos Alberto Sicupira (Foto: Divulgação/Expert/XP | Reuters/Ueslei Marcelino)
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247 – O bilionário Carlos Alberto Sicupira, conhecido como Beto Sicupira, passou a ocupar uma posição central nas investigações sobre a fraude contábil bilionária das Americanas. Segundo informações da coluna de Mirelle Pinheiro, no Metrópoles, a colaboração premiada do ex-diretor financeiro da companhia, Fábio Abrate, é um dos elementos que ajudam a explicar por que o empresário entrou no radar da nova fase da Operação Disclosure, conduzida pela Polícia Federal.

Sicupira é um dos nomes mais conhecidos do capitalismo brasileiro. Além de acionista de referência das Americanas, ele também é um dos acionistas da Ambev e integra o grupo de empresários associado ao chamado trio de bilionários formado por Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e o próprio Sicupira, que construiu influência em grandes empresas de varejo, bebidas e consumo.

A segunda fase da Operação Disclosure foi deflagrada nesta quinta-feira (25), com o cumprimento de nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. Além de Sicupira, a investigação também alcança Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração da Americanas, o ex-conselheiro Eduardo Saggioro.

Conhecimento pleno

De acordo com o material publicado pelo Metrópoles, Abrate afirmou ao Ministério Público Federal (MPF) que Sicupira estava entre as pessoas que, em sua avaliação, tinham conhecimento das irregularidades investigadas. A delação do ex-diretor financeiro passou, assim, a ser uma peça relevante para a Polícia Federal aprofundar a apuração sobre o eventual grau de conhecimento de integrantes do alto comando da empresa e do grupo controlador em relação às supostas manipulações contábeis.

Na colaboração premiada, Abrate descreveu a relação entre o então diretor-presidente da Americanas, Miguel Gutierrez, apontado pela investigação como principal responsável pelas fraudes, e integrantes do comando da companhia. Segundo ele, Gutierrez mantinha contato permanente com a ex-diretora Anna Saicali e também com Sicupira.

Ao responder a perguntas sobre quem teria conhecimento das decisões tomadas pela antiga diretoria, Abrate afirmou que Gutierrez e Saicali “sabiam de tudo”. Em seguida, incluiu Sicupira entre as pessoas que, segundo sua percepção, também teriam conhecimento das irregularidades.

Novos desdobramentos

Apesar das declarações do ex-diretor financeiro, o Ministério Público Federal não denunciou Sicupira quando apresentou, em março de 2025, a ação penal contra 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas. Naquele momento, o MPF sustentou que o conselho de administração e os acionistas de referência haviam sido induzidos a erro pela antiga diretoria da empresa.

A nova fase da investigação, no entanto, indica que a Polícia Federal busca esclarecer se integrantes do grupo controlador e outros investigados tinham conhecimento das supostas manipulações contábeis relacionadas às operações de risco sacado e às verbas de propaganda cooperada, conhecidas como VPC. Esses mecanismos, segundo a investigação, teriam sido utilizados para ocultar a real situação financeira da varejista.

A fraude nas Americanas se tornou um dos maiores escândalos corporativos da história recente do país. O caso veio à tona em janeiro de 2023, quando a companhia revelou inconsistências contábeis bilionárias, provocando forte abalo no mercado financeiro, perda de valor da empresa, disputas judiciais com credores e uma profunda crise de governança.

Desde então, investigadores tentam reconstruir a cadeia de responsabilidades dentro da companhia. A principal questão é saber se as irregularidades ficaram restritas à antiga diretoria executiva ou se chegaram ao conhecimento de conselheiros, acionistas de referência e instituições financeiras envolvidas em operações com a empresa.

Mito de eficiência

A inclusão de Sicupira entre os alvos da nova fase da Operação Disclosure amplia a dimensão política e econômica do caso. O empresário sempre esteve associado ao grupo de controle da Americanas e a um modelo de gestão empresarial apresentado por décadas como símbolo de eficiência, disciplina de custos e criação de valor. Agora, a investigação busca determinar se esse núcleo tinha ou não ciência das práticas que levaram a varejista a uma das maiores crises de sua história.

Até o momento, a apuração segue em andamento, e a eventual responsabilidade criminal dos investigados dependerá da análise das provas reunidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Sicupira não foi denunciado na ação penal apresentada em março de 2025, mas passou a figurar no centro das diligências da nova fase da investigação.

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