Veja quem é Beto Sicupira, bilionário investigado pela PF
Empresário de 78 anos tem fortuna de US$ 6,9 bilhões e responde a investigação sobre fraudes contábeis
247 - Bilionário investigado no caso Americanas, Beto Sicupira construiu uma das carreiras empresariais mais influentes do Brasil ao lado de Jorge Paulo Lemann e Marcel Herrmann Telles. Aos 78 anos, o empresário aparece na lista da Forbes como o oitavo maior bilionário brasileiro, com patrimônio estimado em US$ 6,9 bilhões, e enfrenta apurações da Polícia Federal (PF) sobre suspeitas ligadas às fraudes contábeis da varejista. As informações foram repercutidas no Portal Uol, que também teve como base dados da Forbes.
O empresário Carlos Alberto Sicupira ganhou projeção no mercado financeiro pela disciplina rígida na gestão de custos, pela busca intensa por metas e pela atuação em negócios que alcançaram escala global. Ele nasceu no Rio de Janeiro e se consolidou como um dos nomes mais conhecidos do capitalismo brasileiro. Sua trajetória ganhou força a partir da década de 1970, quando entrou no banco Garantia e passou a trabalhar com Lemann e Telles, dupla com a qual formaria uma das sociedades empresariais mais relevantes do País.
A relação entre os três começou em 1973, ano em que Sicupira chegou ao Garantia. Ele contou ao InfoMoney que a aproximação ocorreu sem uma negociação formal sobre funções, remuneração ou participação societária. "Não conversamos sobre o que eu ia fazer, quanto eu ia ganhar e se eu ia ser sócio. Simplesmente comecei", afirmou Sicupira ao InfoMoney.
A partir daí, Sicupira, Lemann e Telles formaram o grupo que ficaria conhecido no mercado como o "trio de ferro". Eles comandaram o Garantia, ampliaram sua influência no setor financeiro e avançaram sobre áreas como bebidas, alimentação e varejo.
O trio teve papel central na criação da AB InBev, a Anheuser-Busch InBev, gigante global de bebidas. Também fundou o 3G Capital, fundo de investimentos associado à compra de marcas internacionais como Burger King, Tim Hortons, Popeyes e Kraft-Heinz. Nesta última operação, o grupo atuou em parceria com o megainvestidor Warren Buffett.
A filosofia empresarial atribuída a Sicupira combina controle rigoroso de despesas, cobrança de resultados e organização interna. Em entrevista ao InfoMoney, ele sintetizou sua visão de gestão em uma frase que se tornou uma de suas marcas no mundo dos negócios. "Custo é como unha, tem que cortar sempre", disse Sicupira.
A fortuna do empresário, estimada pela Forbes em US$ 6,9 bilhões, reflete décadas de participação em grandes operações empresariais. Sua imagem pública, antes associada principalmente à eficiência operacional e à expansão internacional de marcas brasileiras e estrangeiras, passou a dividir espaço com o caso Americanas.
Segundo as investigações da PF, Sicupira e outros acionistas teriam conhecimento sobre operações irregulares de VPC, sigla usada para Verbas de Propaganda Cooperada, e de Risco Sacado. As apurações apontam que esses mecanismos teriam ajudado a esconder o rombo bilionário da varejista.
O empresário aparece nas investigações sob suspeita de manipulação de mercado e associação criminosa. As suspeitas não representam condenação, e o caso segue no âmbito das apurações conduzidas pelas autoridades.
Além da atuação empresarial, Sicupira também aparece ligado a iniciativas de empreendedorismo e educação. Ele participou da chegada da Endeavor ao Brasil, organização internacional voltada ao apoio a novos negócios, e criou a Fundação Brava em 2000.
Parceiro histórico de Sicupira, Jorge Paulo Lemann descreveu o empresário ao UOL como uma pessoa marcada por forte senso de organização. A fala reforça a imagem de um executivo obcecado por ordem, método e controle de processos.
"Gosta de cuidar de avião, de barco, de cuidar de qualquer coisa, de botar ordem", afirmou Lemann. Na mesma entrevista, Lemann resumiu o perfil do sócio com outra frase direta. "É um militar, na realidade, ele gosta de ordem", disse.



