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Morgan Stanley projeta Ibovespa a 240 mil pontos em 12 meses

Banco mantém recomendação acima da média para o Brasil e vê retorno de 31% em reais no Ibovespa

Morgan Stanley projeta Ibovespa a 240 mil pontos em 12 meses (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
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247 - O Morgan Stanley projeta o Ibovespa a 240 mil pontos em 12 meses, em um cenário no qual o Brasil segue como uma das principais apostas do banco na América Latina, com retorno estimado de cerca de 31% em reais e de 22% em dólares.

As informações são do InfoMoney, com base em relatório do banco norte-americano sobre as perspectivas para os mercados latino-americanos nos próximos 12 meses. Apesar do otimismo estrutural com as ações da região, os estrategistas afirmam que o curto prazo “exige cautela”, em razão do risco de preços do petróleo mais altos por mais tempo pressionarem as condições financeiras e a atividade econômica.

No caso brasileiro, o Morgan Stanley manteve a recomendação “overweight”, equivalente a uma exposição acima da média, apoiado na expectativa de rebalanceamento do mercado, mudanças de política econômica e maior atração de investimentos em setores ligados a energia, commodities e infraestrutura de inteligência artificial.

Segundo o relatório, o Brasil permanece bem posicionado para absorver novos fluxos em mercados impulsionados por energia e matérias-primas. O banco também destaca o país como um dos favoritos na América Latina para investimentos em infraestrutura associada à inteligência artificial.

O setor de petróleo e energia aparece como um dos principais pontos de sustentação da tese positiva. Em meio às tensões no Oriente Médio e aos impactos potenciais sobre os preços do petróleo, o Morgan elevou sua exposição a Petrobras (PETR4) e Copel (CPLE3).

Juros mais baixos podem impulsionar Bolsa

A equipe do Morgan Stanley avalia que a trajetória esperada para a política monetária brasileira pode reduzir o custo de capital e favorecer uma reprecificação dos ativos locais.

“Um ciclo de afrouxamento monetário em curso reduzirá os custos de capital e os prêmios de risco”, afirma o relatório.

O banco espera uma desaceleração da economia brasileira capaz de abrir espaço para cortes de juros, desde que acompanhada de uma trajetória fiscal considerada crível. Nesse ambiente, o Morgan vê a possibilidade de um novo ciclo de investimentos, com melhora da qualidade do crescimento e fortalecimento do crédito privado.

A queda no custo de capital próprio, segundo os estrategistas, poderia acelerar a expansão dos múltiplos de mercado. No cenário-base, o banco trabalha com uma reavaliação positiva para cerca de 10 vezes o múltiplo preço/lucro.

Ainda assim, o relatório aponta riscos. Uma inflação pressionada por energia poderia manter os juros altos por mais tempo, principalmente se o encarecimento do petróleo provocar crescimento mais fraco e risco de recessão.

“A materialização desse cenário nos levaria a adotar uma perspectiva mais pessimista, embora o risco permaneça baixo, visto que nossos economistas também interpretaram a recente reunião do Copom como dovish, apesar da renovada pressão do conflito no Oriente Médio”, diz o banco.

Fluxo local pode chegar a US$ 23 bilhões

Um dos pontos centrais da análise é a possibilidade de retorno expressivo de investidores locais à Bolsa. O Morgan Stanley observa que o mercado de capitais brasileiro ultrapassou a marca de US$ 2 trilhões, enquanto a participação local em ações domésticas está próxima de 4%, abaixo da média histórica de cerca de 9%.

Para o banco, a queda da Selic tende a estimular uma migração gradual de recursos para ações. A estimativa é que o patrimônio líquido sob gestão de fundos locais de ações possa aumentar em até US$ 25 bilhões apenas em razão das mudanças esperadas na taxa básica de juros.

O Morgan já havia calculado que cada corte de 0,5 ponto percentual na Selic poderia representar cerca de US$ 2 bilhões em entradas por realocação doméstica. Como seus economistas projetam redução acumulada de 4,5 pontos percentuais até o fim de 2027, com a taxa em 13% no fim de 2026 e 10,5% no fim de 2027, o fluxo potencial seria de aproximadamente US$ 23 bilhões.

O relatório também aponta que, se investidores globais aumentarem a alocação em mercados emergentes, o Brasil poderia receber até US$ 30 bilhões adicionais, caso a alocação global nesses mercados chegue a 1%.

Brasil vive situação paradoxal no mercado

O Morgan Stanley descreve o posicionamento em Brasil como paradoxal. De um lado, gestores de mercados emergentes já estão fortemente comprados no país, em patamar elevado na comparação dos últimos 20 anos. De outro, investidores locais continuam subalocados em ações domésticas.

A avaliação do banco é que o Brasil ainda pode se beneficiar de capital estrangeiro adicional, mas o diferencial mais relevante está no potencial de fluxo local. Caso a participação dos investidores brasileiros em ações volte à média histórica, a demanda por papéis nacionais poderia crescer de forma significativa.

Nesse cenário, o Morgan afirma preferir o Ibovespa ao MSCI Brasil, índice com maior presença de investidores estrangeiros. O banco ressalta, porém, que essa preferência não representa uma aposta específica em small caps, já que cerca de 90% do Ibovespa é formado por ações também presentes no MSCI Brasil.

Entre os papéis classificados como “overweight” que poderiam receber maiores entradas em relação à liquidez, o relatório menciona Equatorial (EQTL3), Axia Energia (AXIA3) e Vibra (VBBR3).

Eleições de 2026 entram no radar

Embora considere cedo para projetar com confiança o resultado das eleições de outubro de 2026, o Morgan Stanley traçou cenários para orientar investidores diante de possíveis mudanças de política econômica.

Em um ambiente de mudança de política, com transição estrutural do consumo para o investimento, o banco destaca empresas financeiras sensíveis aos juros, como Nubank (ROXO34), XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3). Também entram nesse grupo companhias de consumo e construção, como Mercado Livre (MELI34), Cyrela (CYRE3) e Vivara (VIVA3), além de estatais como Petrobras (PETR3; PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3), e empresas ligadas a investimentos, como Axia, Rumo (RAIL3) e Motiva (MOTV3).

No cenário de continuidade da política econômica, com o crescimento sustentado por estímulo fiscal, o Morgan aponta empresas com receita em moeda forte, como Vale (VALE3), Embraer (EMBJ3), Gerdau (GGBR4), JBS (JBSS3) e Suzano (SUZB3). Também aparecem companhias financeiras favorecidas por juros elevados, como Itaú Unibanco (ITUB4), BB Seguridade (BBSE3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3), além de nomes defensivos de telecomunicações, como TIM (TIMS3) e Telefônica Brasil (VIVT3).

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