JBS lucra US$ 221 milhões no 1º trimestre de 2026
Resultado foi impulsionado por Brasil e Seara, apesar da pressão sobre a carne bovina nos EUA
247 - A JBS lucrou US$ 221 milhões no primeiro trimestre de 2026, em um resultado impulsionado pelas operações no Brasil e pela Seara, apesar da pressão sobre a carne bovina nos Estados Unidos, segundo informações divulgadas pela companhia nesta terça-feira (12).
A companhia afirmou que os números refletem a resiliência de sua estratégia global, baseada em atuação multiproteína e presença geográfica diversificada. As operações brasileiras e outras unidades de negócio ajudaram a compensar os efeitos negativos do ciclo do gado na América do Norte.
No trimestre, o EBITDA ajustado foi de US$ 1,13 bilhão, com margem de 5,2%. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 22,1%.
Foco em eficiência e geração de caixa
O CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, afirmou que a companhia manteve atenção à eficiência operacional no período. “No primeiro trimestre de 2026, permanecemos firmemente focados na excelência operacional. Entendemos o ambiente em que operamos e os ciclos naturais de cada proteína, e gerimos o negócio com disciplina e responsabilidade. Por isso, adotamos uma abordagem de austeridade para reforçar a geração de caixa e garantir que extraiamos o valor máximo de nossos ativos e investimentos”, disse.
Tomazoni também destacou que o trimestre foi especialmente pressionado pela operação de carne bovina da JBS nos Estados Unidos.
O consumo de fluxo de caixa no período refletiu a sazonalidade típica do trimestre, marcada pela concentração de pagamentos a fornecedores. Outro fator de impacto foi o aumento de 20% do Capex em comparação com 2025, que totalizou US$ 2,4 bilhões neste ano.
A alavancagem em dólar encerrou o trimestre em 2,77 vezes, dentro da meta de longo prazo da empresa. Para Guilherme Cavalcanti, CFO Global da JBS, a posição financeira da companhia contribui para enfrentar a volatilidade.
“Executamos nossa estratégia de Liability Management, estendendo o prazo médio de nossa dívida para 15,6 anos, com um custo médio atrativo de 5,7% ao ano e sem vencimentos significativos previstos até 2031”, afirmou Cavalcanti.
Segundo o executivo, a disciplina na alocação de capital garante segurança e liquidez para atravessar os ciclos operacionais, enquanto a JBS mantém investimentos em expansão.
Carne bovina nos EUA enfrenta forte pressão
A JBS Beef North America, operação de carne bovina nos Estados Unidos, registrou receita de US$ 7,167 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O EBITDA ficou negativo em US$ 267 milhões, com margem de -3,7%.
A unidade enfrentou um ambiente descrito pela companhia como uma “tempestade perfeita”, marcado pela baixa disponibilidade de gado em uma das fases mais agudas do ciclo pecuário. Esse cenário elevou os custos de aquisição de animais para processamento e pressionou os resultados.
No período, a JBS avançou em ajustes organizacionais e operacionais na plataforma de carne bovina dos Estados Unidos. As medidas tiveram foco na simplificação da estrutura, no ganho de eficiência e na captura de sinergias entre os negócios.
Pilgrim’s Pride tem receita de US$ 4,529 bilhões
A Pilgrim’s Pride registrou margem EBITDA de 9,9% no primeiro trimestre de 2026. A operação também foi afetada por eventos climáticos extremos de inverno, mas reportou receita líquida de US$ 4,529 bilhões.
A companhia aproveitou a sazonalidade para realizar paradas de manutenção planejadas e modernizar unidades produtivas. A iniciativa busca melhorar o mix de produtos e apoiar o crescimento junto a clientes estratégicos nos próximos meses.
Na Europa, a operação manteve resultados estáveis em relação ao ano anterior, sustentada por um portfólio equilibrado entre proteínas e ocasiões de consumo. No México, houve expansão do portfólio de marcas em alimentos frescos e preparados.
Suínos nos EUA têm receita recorde para o trimestre
A JBS USA Pork alcançou margem EBITDA de 13,5% e receita líquida recorde para um primeiro trimestre, de US$ 2,032 bilhões.
De acordo com a companhia, o resultado reflete a consistência na execução, a demanda doméstica por proteínas acessíveis e os esforços para ampliar o portfólio de produtos de marca e de maior valor agregado.
JBS Brasil tem receita recorde no período
A JBS Brasil registrou receita líquida recorde para um primeiro trimestre, de US$ 3,78 bilhões. A margem EBITDA foi de 4,4%.
O desempenho foi impulsionado por volumes fortes, sustentados pela demanda global e pela diversificação dos destinos de exportação. No mercado interno, a Friboi manteve o foco no aprofundamento de parcerias com clientes estratégicos e na oferta de produtos de valor agregado.
Segundo o Cepea-Esalq, o preço médio do boi gordo no trimestre foi de R$ 338 por arroba, alta de 6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. A companhia informou que, apesar da maior receita líquida, a rentabilidade foi pressionada pelos custos elevados do gado, em um contexto de forte demanda internacional.
Seara registra margem EBITDA de 15,5%
A Seara encerrou o primeiro trimestre de 2026 com margem EBITDA de 15,5% e receita líquida de US$ 2,379 bilhões.
O crescimento das vendas nas exportações e no mercado interno foi atribuído à disciplina operacional e à execução comercial. Mesmo diante de um ambiente mais desafiador em mercados-chave, associado ao conflito no Irã, a unidade manteve o ritmo de crescimento.
A Seara também seguiu investindo nos fundamentos de sua marca, com foco na ampliação do portfólio de valor agregado e em inovação.
JBS Austrália mantém execução forte
A JBS Austrália reportou receita líquida de US$ 2,145 bilhões no trimestre, sustentada por maiores volumes nos mercados interno e externo. O desempenho compensou a alta de quase 30% nos custos do gado nos últimos 12 meses.
A margem EBITDA da operação foi de 6,2%, impulsionada pela execução operacional e por ganhos de produtividade, especialmente nos segmentos de salmão e suínos. A desvalorização do dólar australiano em relação ao dólar norte-americano impactou a conversão dos resultados para dólares.



