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BNDES lucra R$ 3,1 bi no 1º trimestre e ativos se aproximam de R$ 1 tri

Banco registra alta de 17% no lucro recorrente, recorde em 12 meses e expansão em crédito, aprovações e desembolsos

BNDES lucra R$ 3,1 bi no 1º trimestre e ativos se aproximam de R$ 1 tri (Foto: Andre Telles/BNDES)
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247 - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 17% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho veio acompanhado de avanço nos ativos, que chegaram a R$ 995 bilhões, aproximando o BNDES da marca de R$ 1 trilhão.

Os resultados foram apresentados nesta terça-feira (12), em São Paulo, em coletiva com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, e os diretores Alexandre Abreu, Nelson Barbosa, Tereza Campello, Maria Fernanda Coelho e Jean Uema. No acumulado de 12 meses encerrado em março, o lucro recorrente somou R$ 15,6 bilhões, maior valor já registrado pela instituição, com crescimento de 22% sobre 2022.

A carteira de crédito do BNDES alcançou R$ 678,2 bilhões no trimestre, avanço de 14% em relação a 2025 e maior patamar desde 2016. Já os ativos totais cresceram mais de 45% desde 2022, quando estavam em R$ 684 bilhões. A carteira de participações societárias somou R$ 110,3 bilhões, impulsionada pela valorização de investimentos em empresas como Petrobras, JBS, Axia Energia, antiga Eletrobras, e Copel.

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Mercadante atribuiu o resultado à ampliação da demanda por projetos e ao fortalecimento da atuação do banco. Segundo ele, o BNDES vive uma trajetória de crescimento “muito forte, consistente e de qualidade”. “Isso tem a ver com a percepção dos empresários e do mercado em relação às entregas do BNDES: cada vez temos mais projetos chegando”, afirmou.

O presidente do banco também destacou a expansão das consultas, aprovações e desembolsos, mesmo em um cenário internacional marcado por conflitos e incertezas econômicas. “As consultas, aprovações e desembolsos cresceram fortemente nesse trimestre, apesar de todos os desafios que tivemos nesse período”, disse.

Mercadante afirmou ainda que os indicadores mostram solidez da instituição. “Em relação ao BNDES, os dados são inquestionáveis e o mais importante é o crescimento com qualidade. Estamos chegando com 1 trilhão de ativos, a inadimplência de longe a menor do mercado e o lucro recorrente, um resultado do nosso trabalho, recorde histórico. É um resultado muito consistente e promissor porque quando temos carteira e ativos significa que temos fôlego, estamos prontos para os desafios que teremos pela frente para continuar nessa trajetória”.

O desempenho operacional também avançou. As aprovações de crédito somaram R$ 45,7 bilhões no primeiro trimestre, crescimento de 37% sobre igual período de 2025 e de 254% em relação a 2022. Os desembolsos chegaram a R$ 36,2 bilhões, alta de 44% ante o primeiro trimestre de 2025 e de 145% frente a 2022.

A indústria foi um dos principais destaques, com aumento de 67% nos desembolsos, que chegaram a R$ 8 bilhões. A infraestrutura recebeu R$ 13,4 bilhões, avanço de 51%, enquanto a agropecuária registrou R$ 9,1 bilhões, crescimento de 40%. As consultas ao banco somaram R$ 84,4 bilhões, alta de 65% em relação a 2025 e de 490% sobre 2022.

O diretor Alexandre Abreu afirmou que a atuação do BNDES no crédito, incluindo operações garantidas pelo Fundo Garantidor para Investimentos, chegou a R$ 66,5 bilhões no trimestre. “Em injeção de crédito que o BNDES promoveu neste trimestre - a gente tem aqui as aprovações de crédito do BNDES e aquilo que o BNDES atuou como garantidor, o fundo FGI, garantindo operações de crédito liberado pelos bancos pela rede bancária estatal e privada - temos R$ 66,5 bilhões, o que comparado com o mesmo período do ano passado é um incremento de 21%”, declarou.

Abreu também comparou o desempenho atual com o registrado em 2022. “Quando comparo esse mesmo número com o primeiro trimestre de 2022, esse crescimento é de praticamente 400%, cinco vezes mais. Essa é a contribuição que o BNDES deu para o crédito no Brasil”.

O banco também ampliou sua atuação junto a entes públicos. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, foram aprovados R$ 41 bilhões em novas operações para estados e municípios, volume 7,3 vezes superior ao registrado entre 2019 e 2022. Os recursos foram direcionados principalmente a projetos de impacto social e climático, como mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e resiliência.

As micro, pequenas e médias empresas também tiveram aumento no acesso ao crédito. As aprovações para esse segmento chegaram a R$ 29 bilhões no primeiro trimestre, alta de 120% em relação ao mesmo período de 2025 e de 333% sobre 2022. Com as garantias prestadas por fundos garantidores, o apoio total a essas empresas alcançou R$ 49,8 bilhões.

A diretora Maria Fernanda Coelho afirmou que a estratégia do banco busca reduzir desigualdades regionais, com foco especial no Norte e no Nordeste. “O BNDES tem uma estratégia muito clara, que vem sendo implementada desde 2023, voltada para o crescimento regional, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, para que a gente possa diminuir a assimetria que ainda existe”, disse.

Segundo ela, o banco tem atuado em parceria com setores produtivos locais. “Em relação ao crédito e ao investimento para essas regiões, temos atuado de forma estratégica com as micro, pequenas e médias empresas. Essa é também uma demanda tanto do Consórcio Nordeste, quanto do Consórcio da Amazônia Legal. Temos o programa BNDES Mais Perto de Você, onde a gente articula as federações das indústrias e todo setor produtivo - comércio, serviço, indústrias, agropecuária - e leva informações em relação aos nossos produtos e serviços. Isso já aconteceu em Roraima, no Amapá, em Rondônia e nos outros estados”.

A inadimplência da carteira do BNDES permaneceu em 0,046% para operações com atraso superior a 90 dias. O índice é inferior ao registrado no Sistema Financeiro Nacional, que ficou em 4,33% no geral e em 0,60% para grandes empresas em março de 2026.

No lado do funding, o saldo do Fundo de Amparo ao Trabalhador chegou a R$ 489 bilhões em 31 de março, correspondendo a 51,4% dos passivos onerosos do banco. As captações externas somaram R$ 44 bilhões, com alta de 9,6% no trimestre, apoiadas por recursos do BID, Jica, CAF e Jbic.

O patrimônio líquido do BNDES atingiu R$ 192 bilhões em 31 de março, recorde histórico, com crescimento de R$ 19,7 bilhões em relação ao fim de 2025. O Índice de Basileia ficou em 24,1%, acima do mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central, mantendo a instituição em posição considerada confortável em termos de capital.

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