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O lucro de R$ 5,4 bilhões em 2025 anunciado pela Amil não reflete a operação real

Lucro recorrente da empresa em 2025 cai para R$ 1,9 bi após ajuste de efeitos contábeis

Unidade da AMIL (Foto: Divulgação)

247 - O resultado líquido de R$ 5,4 bilhões divulgado pela Amil em 2025 não reflete integralmente a operação real da empresa. Quando considerados apenas os resultados recorrentes, ou seja, aqueles gerados pelas atividades do dia a dia, o lucro cai para R$ 1,9 bilhão, ainda superior aos R$ 619,8 milhões de 2024, mas distante do que os números brutos indicam. As informações são do Brazil Stock Guide.

Grande parte do resultado reportado deriva de créditos tributários, que somam R$ 2,1 bilhões, e de ganhos contábeis ligados à reorganização hospitalar feita em parceria com a Dasa, com impacto de cerca de R$ 1,4 bilhão. Esses itens, embora contabilizados como resultado positivo, não geram efeito direto no caixa, mostrando que o suposto avanço financeiro não é totalmente operacional.

Mesmo com esses efeitos, a Amil mostrou alguma melhora em sua operação. A sinistralidade caiu 4,4%, reduzindo cerca de R$ 0,8 bilhão em custos médicos, e a base de clientes cresceu para aproximadamente 3,1 milhões em planos médico-hospitalares e 2,6 milhões em odontologia, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar. Ainda assim, os planos odontológicos possuem ticket médio baixo, contribuindo pouco para a rentabilidade, mantendo a geração de valor concentrada nos planos médicos.

Estratégia e mudanças estruturais

Sob a gestão de José Seripieri Filho, a empresa tem focado em públicos de maior renda e em reduzir a exposição a ativos pesados por meio da joint venture hospitalar com a Dasa. O lançamento do plano Amil Black reforça o direcionamento para o segmento premium. A venda da companhia em dezembro de 2023, por cerca de R$ 11 bilhões incluindo dívidas, encerrou um período de prejuízos e margens pressionadas. O patrimônio líquido atual, de aproximadamente R$ 13 bilhões, foi impulsionado em grande parte por efeitos contábeis e não apenas pelo desempenho operacional.

O setor de saúde suplementar continua pressionado por fatores como inflação médica, judicialização e mudanças regulatórias. Nesse contexto, os números divulgados pela Amil combinam avanços reais com ganhos contábeis significativos, tornando necessário analisar com cautela o "lucro bilionário" apresentado.

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