Vale construirá usina em MG para produzir minério de ferro a partir de rejeitos de barragens
Projeto em Barão de Cocais prevê reaproveitamento de rejeitos e produção anual de 2 milhões de toneladas a partir de 2027
247 - A Vale anunciou que dará início, ainda em 2026, à construção de uma usina em Minas Gerais voltada ao reaproveitamento de rejeitos e estéril para a produção de minério de ferro. A unidade terá capacidade de 2 milhões de toneladas anuais e integra a estratégia da companhia de ampliar o uso de práticas de economia circular em suas operações.
O empreendimento será implantado na mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais (MG), área que está paralisada desde 2016. A previsão é que a usina entre em operação em 2027, atuando de forma integrada ao processo de descaracterização da barragem Sul Superior, cuja conclusão está prevista para 2029.
A nova planta utilizará rejeitos provenientes da própria barragem, além de materiais já armazenados em duas pilhas existentes na unidade. O transporte da produção será realizado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), principal corredor logístico da mineradora na região.
A iniciativa faz parte do programa de mineração circular da Vale, que busca transformar resíduos em insumos produtivos. Em 2025, a companhia registrou crescimento expressivo nesse segmento, ao mais do que dobrar a produção de minério de ferro a partir de rejeitos e estéril, alcançando 26,3 milhões de toneladas — aumento de 107% em relação ao ano anterior. Cerca de 80% desse volume foi produzido em Minas Gerais.
A empresa projeta que, até 2030, aproximadamente 10% de sua produção anual de minério de ferro seja proveniente de fontes circulares. A construção da usina deve durar cerca de 19 meses e foi planejada para operar em sinergia com as obras de descaracterização da barragem.
De acordo com a diretora de minas paralisadas do corredor sudeste da Vale, Juliana Cota, a tecnologia adotada permitirá maior eficiência na recuperação do minério contido nos rejeitos. “Optamos por uma solução de concentração magnética que maximiza a recuperação de minério de ferro contido no rejeito. O reaproveitamento desses materiais acontecerá ao longo dos próximos anos, seguindo o cronograma de descaracterização da estrutura geotécnica”, afirmou.
A barragem Sul Superior integra o programa de descaracterização de estruturas construídas pelo método a montante. Até o momento, a companhia já eliminou 19 das 30 estruturas previstas, atingindo 63% de execução do plano.


