Aeromobil. Um sonho de liberdade se transformou em carro voador

Concebido na Eslováquia, o AeroMobil é uma viatura que se transforma em avião em poucos instantes. Os protótipos estão prontos e são funcionais.  Sua comercialização começará dentro em breve.

Concebido na Eslováquia, o AeroMobil é uma viatura que se transforma em avião em poucos instantes. Os protótipos estão prontos e são funcionais.  Sua comercialização começará dentro em breve.
Concebido na Eslováquia, o AeroMobil é uma viatura que se transforma em avião em poucos instantes. Os protótipos estão prontos e são funcionais.  Sua comercialização começará dentro em breve. (Foto: Gisele Federicce)
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Juraj Vaculik (esquerda), cocriador e sócio do AeroMobil, com Stefan Klein, autordo conceito e do design do aparelho

 

Por: Equipe Oásis

 

No final da década de 80, em Bratislava, capital da Eslováquia, ainda sob domínio soviético, Stefan Klein e Juraj Vaculik iam muitas vezes à margem esquerda do Danúbio contemplar com inveja a Áustria, o Ocidente, a liberdade. Estudante de arte dramática, Juraj se refugiava no teatro do absurdo. Stefan, estudante de design, sonhava com soluções mais concretas. “Pensávamos se poderíamos um dia atravessar o rio e ir para o outro lado. Consideramos diferentes soluções. Uma nasceu na imaginação de Stefan: por que não um carro voador?", relembra Juraj, hoje com 48 anos.

Dez anos depois, caiu o Muro de Berlim e o Danúbio deixou de parecer tão largo, mas isso não fez que Stefan deixasse de trabalhar no seu carro voador. Vinte e cinco anos depois, essa ideia pode revolucionar o transporte individual. “Em 1989 completei meus estudos, no mesmo momento em que meu país se tornava livre”, conta Stefan, hoje com 55 anos. “Acreditei que um carro voado seria a forma ideal de voar para Ocidente. O primeiro modelo era literalmente um filho da revolução.”

 

Na estrada, rolando fácil como um carro comum

 

Numa zona rural da Eslováquia, num pequeno aeródromo, com uma pista esburacada e um velho hangar em ruínas, os dois homens e uma pequena equipe de entusiastas transformaram um sonho de liberdade num produto que entusiasma as indústrias automobilística e aeronáutica. A sua invenção é das que encontramos em sonhos, nos filmes de ficção científica ou nos desejos de modernidade das elites: o automóvel voador de Blade Runner para os milionários de Davos...

 

O AeroMobil no ar, voando sobre a cidade

 

Produção dentro de dois anos

O AeroMobil é a primeira viatura voadora completamente transformável. Na estrada é uma versão futurista de roadster (carro de dois lugares, sem teto fixo e com janelas retráteis); no céu um avião privado. Se tudo acontecer como previsto, poderá chegar às garagens dos consumidores daqui a dois anos. Mais ou menos com as mesmas dimensões de um Bentley de cinco portas, o AeroMobil tem dois lugares, duas asas que se recolhem atrás do lugar do condutor e uma hélice montada na traseira que se encaixa entre suas asas dobradas durante a condução em estrada.

Numa tarde de fevereiro, na pista de Nitra, 100 quilômetros a leste de Bratislava, fez-se o primeiro teste público. O carro saiu quase sem ruído do hangar, parou e desdobrou as asas. Rodou algumas centenas de metros, fez meia-volta para tomar a direção do vento e levantou voo. Menos de três minutos entre a saída do hangar e a decolagem. “James Bond!”, exclamou Juraj, enquanto Stefan - chefe de projeto, coproprietário e único piloto do aparelho – acenou para a pequena multidão que se juntara.

Stefan Klein tem a aviação no sangue. O avô e o pai voaram. Um dos seus primos foi piloto da Royal Air Force britânica. Tirou o brevê na força aérea checa e todos os anos pega um L4O Meta Sokol (fabricado na ex-Checoslováquia em 1959) para levar a família de férias na Croácia.

 

O AeroMobil com as asas fechadas

 

Roda, voa e convence

Ele e Juraj não são os únicos a sonhar com carros voadores. O projeto Terrafugia nascido no Massachusetts Institute of Technology, nos Estados Unidos, deu origem a uma empresa que tentou comercializar um produto semelhante antes da empresa eslovaca. Tal como o AeroMobil, o protótipo do Terrafugia voou e demonstrou as suas aptidões na estrada. Mas enquanto o seu conceito era o de um avião de asas retráteis, capaz de percorrer pequenas distâncias terrestres, o AeroMobil anda tão bem como um carro e voa como um avião. Como não tem cabine pressurizada nem reservas de oxigênio, o teto de voo está limitado a 3 mil metros. Em contrapartida, tem piloto automático e paraquedas.

 

O Aeromobil com as asas abertas

 

O AeroMobil orgulha-se de ter a primeira coluna de direção do mundo acoplada, simultaneamente, a um volante e a uma manche, o que significa que se pode passar da condução em estrada ao voo sem mudar de comandos. Por outro lado, congratula-se Stefan, as quatro rodas ajudam a resolver os problemas de aterrissagem.

Num certo sentido, Stefan Klein e Juraj Vaculik são velhos colegas de universidade, hoje bem instalados na vida, que nunca abdicaram dos sonhos de juventude. Os dois primeiros protótipos foram fabricados à mão, nas salas do castelo de Nitra, cidadela do século 11 onde Stefan vive e ganhou a reputação de inventor e aviador louco. Sonhos a parte, na sede da empresa, em Bratislava, o objetivo é ganhar dinheiro.

Foi Juraj Vaculik quem financiou o arranque, aplicando no projeto 300 mil euros do dinheiro que acumulou graças à sua carreira de especialista em marketing. Ele agora procura mais dez milhões de euros para passar (talvez já nos primeiros meses de 2016) à fase de produção e comercialização. Investidores privados e públicos batem-lhes à porta, bem como inúmeras empresas de capital de risco, assegura Juraj Vaculik. Mas ele se recusa a citar os nomes por causa dos acordos de confidencialidade. Os dois homens receberam, no início de 2015, uma tentadora oferta por parte de um industrial, que rejeitaram.

Recusaram igualmente vender a empresa a milionários emproados. “Poderíamos ganhar dinheiro fácil, é verdade. Há muita gente rica que gostaria de ter este brinquedo, explica Stefan. Mas nós queremos dinheiro inteligente.”

 

A hélice fica na parte traseira do aparelho

 

Este dinheiro virá provavelmente de um industrial de renome ou de um parceiro sólido do setor das tecnologias, deixam entender os dois cofundadores. O seu objetivo é envolver pessoas com experiência, de forma a fazer avançar as coisas e evoluir para projetos de investigação e desenvolvimento mais complexos.

“A empresa tem de dar provas, profissionalizar-se e adotar uma estrutura capaz de gerir esta nova tecnologia e a respetiva produção", explica Stefan Klein. Para tanto já contrataram um antigo quadro da McLaren (construtora da Fórmula l) e estão trabalhando com as autoridades britânicas e a Comissão Europeia para assegurar a conformidade da sua máquina aos regulamentos terrestres e aéreos. “Teremos que passar simultaneamente por tudo aquilo que a Ford e a Boeing tiveram que passar", ele diz, sorrindo O número de trabalhadores deverá  chegar a 60 daqui a um ano e aos 200 quando a produção atingir a capacidade máxima.

O objetivo de Stefan e Juraj é um raio de ação de 1 mil quilômetros, a uma velocidade de cruzeiro de 200 km/h, sendo o peso total inferior a 650 quilos, incluindo os passageiros. A equipe prevê fabricar 250 unidades por ano.

 

Juraj Vaculik e Stefan Klein posam ao lado da sua invenção.

 

Localização privilegiada

Pretendem seduzir uma clientela ao estilo da Ferrari ou da McLaren. O preço ascenderá “a algumas centenas de milhares de euros”, afirma Juraj Vaculik, ou seja, um décimo do de um helicóptero particular.

A empresa espera em seguida evoluir para um mercado intermediário e seguir os passos da Tesla, a construtora californiana de viaturas elétricas que começou com um roadster top-of-the-line e agora trabalha na concepção de um veículo para o grande público.

Quanto a uma eventual mudança para o Silicon Valley, nos Estados Unidos (onde está a sede da Tesla) ela é tentadora, mas Juraj assegura que a Eslováquia é o local ideal para se estar. O pais é o primeiro produtor mundial de carros por habitante, tem baixos custos de produção e, como sublinham Klein e Juraj Vaculik, tem apenas cinco construtores privados de aviões.

“Todos os nossos principais fornecedores estão num raio de quilômetros. Se fôssemos para Silicon Valey teríamos acesso a muitas tecnologias, mas os custos seriam muito superiores”, resume Juraj.

“Algumas pessoas têm dificuldade em imaginar que um carro voador possa ser parte integrante do nosso dia a dia”, continua Juraj Vaculik, que está tirando licença de piloto, de olho no primeiro AeroMobil que sairá da linha de montagem. “Veja os celulares, ele acrescenta sorrindo. No início, muitos analistas achavam que seria um produto de utilização limitada e que nunca seria produzido em massa...”


Vídeo: AeroMobil

 

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