Ásia e África são o berço das modernas epidemias e pandemias. O motivo, infelizmente, é bem preocupante

As modernas epidemias e pandemias têm surgido quase sempre em países da Ásia e da África. O motivo, segundo especialista, não é nada tranquilizador: tem a ver com o processo acelerado de urbanização dessas áreas, e a destruição do seu meio ambiente natural.

As modernas epidemias e pandemias têm surgido quase sempre em países da Ásia e da África. O motivo, segundo especialista, não é nada tranquilizador: tem a ver com o processo acelerado de urbanização dessas áreas, e a destruição do seu meio ambiente natural.

Por: Equipe Oásis

Agricultura tradicional na Índia


Um agricultor na Índia. O estilo tradicional de vida dos indianos, essencialmente ligado à natureza e à vida natural, está sendo rapidamente substituído pelo da vida urbana, com o surgimento de cidades cada vez maiores, destituídas das necessárias infraestruturas de saúde pública.

Hoje, é coisa bem sabida: o novo coronavirus COVID-19 teve origem na China, na região de Hubei, e de lá deu início à sua corrida para infectar os quatro cantos do planeta. Isso não é novidade: apenas nos últimos vinte anos ocorreram três diversas epidemias de alguma variante do coronavirus, e o tempo que transcorre entre um e outra se faz cada vez mais curto.

Em artigo publicado no site científico The Conversation, o professor Suresh Kuchipudi da Pennsylvania State University, especialista no setor dos vírus zoonóticos (ou seja aqueles que passam dos animais ao ser humano), explica as razões pelas quais esse tipo de epidemias se desenvolve quase sempre em países da Ásia ou da África. O motivo não é nada tranquilizador e está diretamente ligado ao crescimento econômico e tecnológico desses países.

Lagos, capital da Nigéria


Com cerca de 14 milhões de habitantes, Lagos, capital da Nigéria, é uma das cidades mais densamente povoadas do mundo. Um exemplo típico de como evolui o processo de urbanização de muitas cidades africanas.

Reações em cadeia

Kuchipudi explica que a Ásia e a África, continentes onde vive cerca de 60% da população mundial, apresentaram nos últimos anos um rapidíssimo processo de urbanização: apenas na última década, cerca de 200 milhões de pessoas abandonaram o campo na Ásia oriental para viver em áreas urbanas. Urbanização também significa desflorestamento e destruição do meio ambiente natural. Com seu habitat destruído, os animais silvestres, privados de suas moradas, são obrigados a se aproximar cada vez mais dos centros urbanos. E os animais selvagens (os morcegos, por exemplo) são hospedeiros perfeitos para os vírus, alguns dos quais podem deixar seus hospedeiros e  se transferir para os seres humanos. Isso não é tudo: as primeiras vitimas da urbanização acelerada e insustentável são os predadores, e o seu desaparecimento permite aos roedores (que são outros hospedeiros ideais para os vírus zoonóticos) multiplicar-se de forma descontrolada.

Arranha-céus em bairro de Xangai, na China


A urbanização na China cresce a passos de gigante. Na foto, bairro de Xangai,

Será cada vez pior?

Um outro grande problema são os métodos agrícolas usados nessas áreas, que para uma grande parte das populações da Ásia e da África ainda são baseados em sistemas de agricultura e de pecuária de subsistência, com controles sanitários reduzidos ou ausentes.

Kuchipudi lança um alerta em relação ao futuro: para esse pesquisador a situação será cada vez pior, visto que a urbanização da Ásia e da África não dá sinais de querer parar ou pelo menos diminuir o seu ritmo de crescimento. Para o cientista, é apenas questão de tempo antes que um novo coronavirus, ou alguma outra forma viral, exploda nessas regiões e comece a se alargar para o resto do mundo. “Existe uma necessidade urgente”, diz Kuchipudi, “de estratégias contra o desflorestamento e que reduzam o contato entre o homem e os animais selvagens”.

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