Barba e bigode. Coisa de homem para homem

  Por que os homens deixam crescer barba e bigode? Certamente não para agradar a parceira - as mulheres não são grandes apreciadoras desses adornos faciais masculinos -, mas para parecerem mais dominantes e agressivos frente aos outros machos com quem precisam competir. Trata-se, no fundo, de uma forma de seleção sexual secundária.

 
Por que os homens deixam crescer barba e bigode? Certamente não para agradar a parceira - as mulheres não são grandes apreciadoras desses adornos faciais masculinos -, mas para parecerem mais dominantes e agressivos frente aos outros machos com quem precisam competir. Trata-se, no fundo, de uma forma de seleção sexual secundária.
  Por que os homens deixam crescer barba e bigode? Certamente não para agradar a parceira - as mulheres não são grandes apreciadoras desses adornos faciais masculinos -, mas para parecerem mais dominantes e agressivos frente aos outros machos com quem precisam competir. Trata-se, no fundo, de uma forma de seleção sexual secundária. (Foto: Luis Pellegrini)
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Por: Equipe Oásis

 

Quando vemos um homem se ocupar da própria barba (ou deixar que ela cresça livre e solta, com fingida negligência e descuidado) é fácil pensar que o faça para agradar a parceira. Na verdade, os pelos no rosto, do ponto de vista evolutivo, possui um significado muito maior para os homens, do que para as mulheres.

Os traços que distinguem o rosto masculino – com a barba em primeiro lugar – parecem ter sido desenhados pela seleção natural, o processo que encoraja a evolução de certas características para multiplicar as oportunidades de acasalamento.

Mas, segundo várias pesquisas, a imensa maioria das mulheres não parecem assim tão interessadas na barba. Algumas apreciam homens com barba rala, outras com barba espessa, outras ainda gostam mesmo é dos rostos barbeados. Essa ausência de uma preferência evidente faz pensar que os pelos do rosto não evoluíram para agradar as fêmeas da nossa espécie.

 

 

Desbaratar a concorrência

O impulso evolutivo que se esconde por trás da barba poderia, assim sendo, esconder uma forma de seleção sexual secundária. Para ter sucesso com as mulheres não basta apenas seduzi-las, mas também competir com eventuais rivais. E embora a presença abundante de pelos no rosto não esteja diretamente ligada aos níveis de testosterona, diversos estudos demonstram que homens e mulheres percebem os homens barbudos como mais maduros, mais fortes e mais agressivos.

A dominação sexual é um rápido atalho na direção do sucesso reprodutivo: um estudo a partir de dados colhidos na Grã Bretanha entre 1842 e 1871 demonstra que nos períodos com menos mulheres disponíveis na comunidade, barbas e bigodes entraram fortemente na moda entre os homens ainda solteiros.

 

 

 

Um outro experimento ligado à barba e à voz – já que esta também exprime dominância sexual – demonstrou que as vozes mais graves são percebidas como mais atraentes pelas mulheres e mais dominantes pelos homens. Mas as barbas nada acrescentam à força de atração de um rosto masculino aos olhos das mulheres, porém sem dúvida produzem um efeito em termos de dominância aos olhos dos homens. 

Em resumo, a moda hipster que preconiza a barba para os homens, pode muito bem ser reconduzida à simples necessidade de competir com outros machos, muito antes de provocar algum arrepio no imaginário feminino. Por uma razão análoga, as mulheres com frequência acreditam ter de serem mais magras do quanto seria desejável para um homem. E bastam esses dois exemplos, o da barba masculina e o da magreza feminina para demonstrar que nem sempre conseguimos realmente perceber o que mais agrada ao sexo oposto.

 

1 O império dos barbeiros. Antigamente não era costume que o homem fizesse a sua própria barba. A maior parte dos varões visitava um salão de barbeiro pelo menos uma vez por semana. Esses salões se tornavam verdadeiros clubes do bolinha, pontos de encontro de homens que neles trocavam informações de todo tipo, sobretudo, como sucede até hoje, política, negócios, esportes e... mulheres. Os antropólogos, com efeito, afirmam que barba e cabelos são importantíssimos: servem para seduzir, para ser reconhecido no seio da comunidade, para comunicar aos outros a nossa identidade sexual e cultural. Para resumir: são uma das partes mais importantes do nosso corpo e por essa razão devem ser confiadas a mãos espertas e a olhos atentos. Com a navalha não se brinca.

 

2 A barba na Antiguidade. Pogonotomia é o nome que os antigos gregos davam à antiquíssima arte de fazer a barba (de pogon  barba e témno cortar). Praticada desde a pré-história com o uso de facas de sílex ou der obsidiana, se difundiu em seguida com o advento dos artefatos de metal. Os egípcios de barbeavam desde 3400 anos antes de Cristo, mas foram os gregos que aperfeiçoaram a técnica. Conta-se que o primeiro barbeiro chegou em Roma proveniente da Sicília ao redor do ano 300 a. C. As navalhas eram usadas à mão livre, como aquele manejado por uma moça em uma barbearia de Santiago de Cuba. As lâminas tinham espessuras diversas, conforme servissem para raspar a barba ou a contra-barba.

 

3 A barba do guerreiro e do religioso. Sem barba: o efébico Apolo, os faraós do Egito, Alexandre o Grande, César, Churchill. Com barba (ou bigodes): Zeus, Abrão, Jesus e a maior parte dos santos cristãos, Sêneca (que detestava barbear-se) e Hitler, que fez do bigodinho a sua marca registrada. Algumas religiões impões a seus seguidores o uso da barba, entre eles os fieis do sikhismo indiano, e os judeus ortodoxos que usam barbas longas. Outros homens usam barba por simples apelo de vaidade: o Imperador Adriano a introduziu em Roma para esconder uma verruga no queixo. Lord Brummel, por seu lado, que era o protótipo do dandy inglês, tinha três barbeiros pessoais, respectivamente para os cabelos, a barba e as costeletas. Pedro o Grande, czar da Rússia, criou um imposto bastante salgado para quem quisesse usar barba.

 

4 Regras e medidas. As regras e as medidas relacionadas à barba têm, com efeito, origens bastante antigas. Na Itália do Renascimento existiam pelo menos 70 editais que regulavam o comprimento dos bigodes (da mesma forma que o das rendas nos punhos e golas das camisas). A religião judaica, já há 3 mil anos, proibia a navalha e impunha a tesoura como única ferramenta autorizada para se fazer a barba. Em Esparta, uma das punições mais comuns para os delinquentes era deixar a barba crescer em apenas um lado do rosto, deixando o outro lado raspado. No Egito, era o faraó que usava uma barba falsa e o seu barbeiro pessoal era geralmente um dos dignitários mais importantes da corte; nos 70 dias que durava o período de mumificação de um faraó, era proibido barbear-se. Os romanos proibiam a barba para os soldados, para que os inimigos não tivessem nada a que se agarrar. Já os normandos, mil anos depois disso, impuseram o uso de bigodes aos franceses e aos ingleses, para distingui-los do resto da população.

 

5  Barbeiros, doutores e prostitutas. Em Pequim, numerosas barbearias dirigidas por moças jovens e belas são na realidade um disfarce para esconder prostíbulos e casas de massagistas ilegais. 
Que, em algumas circunstâncias, as barbearias fossem lugares pouco respeitáveis o sabia também Juvenal, o poeta romano que se lamentava dos gritos, da algazarra e das fofocas que aconteciam entre os “tonsores” da Roma Antiga. Uma razão no entanto existia para isso: os barbeiros, entre uma barba e outra, exerciam também as profissões de dentista e de cirurgiões, arrancando dentes, fazendo a incisão de abcessos e eliminando hemorroides. E tudo isso sem anestesia. Essa mistura de profissões durou ainda muitos séculos: na França, a corporação dos barbeiros cirurgiões só foi extinta em 1718, enquanto na Itália as duas categorias permaneceram unidas até o início do século 19.

 

6 Quantos pelos existem em uma barba? Cada homem possui entre 20 e 25 mil pelos de barba que crescem ao ritmo de meio milímetro ao dia. Uma pessoa que normalmente se barbeia terá produzido ao longo da vida cerca de 3,5 quilos de pelos de barba. Quem não se barbeia, por sua vez, poderá tentar bater o recorde do indiano Shamsher Sinbgh, cuja barba media 1,85 metro. Ou o recorde do norueguês Hans Langseth, cujos bigodes, medidos logo após a sua morte em 1927, chegavam a 5,33 metros.

 

7 Cabelos nos distinguem dos macacos. Há milhões de anos, os cabelos constituíam um modo de nos distinguir dos macacos. Eles, com o corpo inteiro recoberto de pelos, e nós, glabros, com um único tufo de pelos no rosto e sobre a cabeça. Dessa forma podíamos nos reconhecer rapidamente e não sermos confundidos com algum símio enfurecido. Hoje, a cabelereira não é mais um sinal distintivo da espécie, mas um modo de comunicar a outros humanos a nossa identidade e personalidade. Os cabelos com efeito constituem hoje uma espécie de “máscara” com a qual seduzimos nossos parceiros, nos isolamos dos outros, nos mostramos mais ou menos agressivo, revelamos as nossas ideias, declaramos pertencer a um determinado grupo, etc. E o melhor é que, em cada novo corte de cabelo e barba, surge-nos uma nova oportunidade de “mudar de identidade”. Os cabelos e a barba são a forma mais usual de comunicação não-verbal. Na foto, um barbeiro de rua em Hanoi (Vietnã) espera a chegada de clientes. Pendurados no muro, as máscaras nas quais eles poderão escolher.

 

8 Códigos capilares. Cada cultura e cada ciclo histórico possui a sua própria linguagem “capilar”. Na Antiguidade, cabelos longos e abundantes  eram uma demonstração de força, virilidade e coragem. Os monges budistas raspam completamente a cabeça para declarar o seu voto de castidade, enquanto nas sociedades ocidentais modernas a completa calvície não é mais sinônimo de velhice, mas de virilidade, fascínio e potência sexual.



9 Quanto crescem os cabelos? Um exército de cerca 120 mil cabelos cresce numa média de 1,5 cm ao mês (0,4 mm ao dia). De noite, segundo alguns estudiosos, o ritmo de crescimento é mais lento. O pico – invisível a olho nu – seria entre as 10 e as 11 horas da manhã, e depois novamente entre as 4 e as 6 horas da tarde. Se nossos fios de cabelos fossem ligados um ao outro poderíamos tecer um fio de 16 quilômetros, porém com diâmetro minúsculo, de apenas entre 2 e 9 centésimos de milímetro.

 

10 Rito de iniciação. Segundo alguns psicanalistas o primeiro corte de cabelo no barbeiro é ma espécie de rito de iniciação: a partir daquele instante o menino cresceu e já não é a mãe (ou a sua cabelereira) que encurta os cabelos do menino. Em muitas populações africanas, a ligação dos cabelos com o crescimento é até hoje bem evidente. Algo parecido acontece com os membros da comunidade Amish que vive em alguns condados norte-americanos como se o tempo tivesse parado na metade do século 19. Os homens amish só podem deixar crescer a barba depois do matrimônio. Mas os bigodes permanecem proibidos. Na foto, um barbeiro de Luxor, No Egito, com um jovem cliente.

 

11  A barba mais comprida. Sarwan Singh, um professor canadense de origem indiana de 42 anos, é o homem com a barba mais comprida do mundo. Diante de um júri, ele desenrolou uma barba de 2 metros e 30 centímetros! Muito bem cuidada, penteada e... nunca cortada. Sim, porque esse barbudo recorde pertence à religião sikh, e está convencido que o seu “ornamento facial” seja um dom de Deus. Como os outros seguidores de sua religião, ele não corta nunca a barba, de modo a se manter o mais perto possível do aspecto original que lhe foi conferido pela divindade.

 


12 Pelos púbicos. Nossa viagem pelo mundo dos pelos não poderia deixar de se referir aos pelos mais escondidos da anatomia humana: os pelos púbicos. Os pelos se desenvolvem quando o corpo conquista a capacidade de procriar e são o sinal visível para indicar a plena maturidade sexual. Sua concentração em algumas zonas específicas do corpo humano parece ligada ao papel dos feromônios no acasalamento. Os machos de muitas espécies reconhecem o período fértil das fêmeas através de sinais olfativos. Nós também somos estimulados por feromônios, e nossos antepassados o eram em medida ainda maior. Os pelos, retendo e mantendo durante mais tempo os odores, têm portanto a função de tornar mais fácil a procura do parceiro ou da parceira.

 

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