Camaleão arco-íris. Um novo membro no clube dos bichos psicodélicos

Um réptil que não passa despercebido acaba de ser encontrado em uma remota floresta de Madagascar. Trata-se do Calumma uetzi, um raro camaleão capaz de se vestir com uma profusão de cores quando quer conquistar uma fêmea. Mas o camaleão arco-íris, como foi apelidado, não é o único dotado desse dom psicodélico: uma pele que é um caleidoscópio de cores.

Um réptil que não passa despercebido acaba de ser encontrado em uma remota floresta de Madagascar. Trata-se do Calumma uetzi, um raro camaleão capaz de se vestir com uma profusão de cores quando quer conquistar uma fêmea. Mas o camaleão arco-íris, como foi apelidado, não é o único dotado desse dom psicodélico: uma pele que é um caleidoscópio de cores.
Um réptil que não passa despercebido acaba de ser encontrado em uma remota floresta de Madagascar. Trata-se do Calumma uetzi, um raro camaleão capaz de se vestir com uma profusão de cores quando quer conquistar uma fêmea. Mas o camaleão arco-íris, como foi apelidado, não é o único dotado desse dom psicodélico: uma pele que é um caleidoscópio de cores. (Foto: Luis Pellegrini)


 Um macho do camaleão arco-íris 

 

Por: Equipe Oásis

 

Um macho de Calumma uetzi (a esquerda) exibe um carnaval de cores para atrair uma namorada.

 

Conhecidos principalmente pela sua capacidade de mudar de cor, os camaleões fazem parte das espécies mais fascinantes entre os répteis. Eles são tipos bem diferentes de lagartos devido aos olhos grandes e caudas enroladas, sendo que são encontrados tanto na selva quanto no deserto.

Esses animais podem habitar a Ásia e partes da Europa e América do Norte, mas é no continente africano, mais precisamente na ilha de Madagascar, onde a maioria das espécies de camaleões é encontrada. São cerca de 80 espécies diferentes desses répteis já catalogadas, porém estima-se que existam mais de 160.

 

 

A relação entre camaleões e Madagascar é um binômio inseparável: a maior parte das espécies desses répteis não podem ser encontradas em nenhum outro lugar. Há pouco, David Prötzel, zoólogo da Ludwig Maximilians University de Munique, na Alemanha, adicionou alguns recém-chegados à família: três novas espécies de camaleões, residentes em uma área fechada de uma floresta pouco acessível. Entre elas, um camaleão capaz, como poucos outros dos seus congêneres, de produzir o fenômeno da mimetização: o Calumma uetzi, conhecido agora como “camaleão arco-íris”.

As três novas espécies descobertas apresentam apêndices alongados na parte frontal das caras, à moda de “nariz de Pinóquio”. O Calumma uetzi (na foto de abertura) se faz notar também pelas nuances de cor ocre, azul e turquesa exibidas pelos machos em toda a extensão do corpo, e também pelas fêmeas, porém apenas na crista dorsal delas.

 

 

O Calumma lefona, a segunda nova espécie que acaba de ser descoberta, tem o apêndice nasal tão alongado, que seu nome científico deriva do termo malgaxe para indicar uma lança.

A terceira espécie agora encontrada, a Calumma juliae (na foto acima), é reconhecida pelo focinho com escamas. Seu nome científico deriva de Julia Forster, uma das pesquisadoras que contribuiu para a sua descoberta. As três espécies foram encontradas em um trecho de floresta de apenas 0,15 quilômetros quadrados, o que significa que precisam de imediata proteção e tutela por parte das autoridades ambientais de Madagascar.

 


Um animal fascinante 

Os camaleões são animais que desde sempre encantaram os olhos dos humanos. Geralmente, eles podem comer de tudo. Algumas espécies são conhecidas por terem uma dieta mais carnívora (se alimentando de insetos, vermes, pequenos répteis e caracóis) e outras são vegetarianas. Falando em alimentação, uma de suas marcas registradas é a forma como eles arremessam as suas línguas, de maneira veloz para capturar algum inseto.

Hoje, muitas espécies de camaleão são consideradas ameaçadas de extinção e seu número tem declinado, provavelmente devido a alterações no seu habitat natural, como a poluição e o desmatamento.

 

 

Algumas curiosidades sobre eles:

Espécies – Quase metade das espécies de camaleão do mundo vive na ilha de Madagascar, na África, com 59 delas existentes apenas por lá. No sul do Saara, além de Portugal, Espanha, Sri Lanka e Índia, também existem algumas espécies, assim como no Havaí e algumas partes da Flórida e Califórnia.

Mudança de cor – Embora não seja unanimidade, a maioria das espécies de camaleão é capaz de mudar a cor da sua pele. Geralmente, eles alteram de marrom para verde, mas alguns podem modificar o seu “look” para muitas outras cores, criando um visual incrível de forma rápida — tanto que uma mudança pode ocorrer em cerca de 20 segundos.

 

 

Eles conseguem produzir esse fenômeno porque nascem com células especiais que têm pigmentos. Essas células se encontram em camadas sob a pele externa do camaleão e são chamadas de cromatóforos, que são ativados por uma mensagem do cérebro.

Uma vez ativados, esses pigmentos se “misturam” como uma pintura. Além dos cromatóforos, a melanina também ajuda os camaleões nesse processo, produzindo o escurecimento através de fibras que se espalham como teias de aranha pelas camadas de células de pigmento.

 

 

Se você ainda acha que os camaleões mudam de cor para se camuflar, saiba que alguns estudos mostraram que eles mudam de coloração de acordo com a luz, a temperatura ou mesmo o seu humor, podendo também ser uma forma de comunicação com seus semelhantes.

Visão parabólica – Os olhos dos camaleões têm um arco de 360 ??graus de visão e podem enxergar em duas direções ao mesmo tempo. Dessa forma, os camaleões têm os olhos mais distintivos de qualquer réptil. Suas pálpebras superiores e inferiores são unidas, formando um dispositivo circular com apenas uma abertura suficiente para a pupila fazer o seu serviço.

 

Os olhos podem rodar separadamente e focar para observar dois objetos diferentes simultaneamente, o que permite que os olhos se movam independentemente um do outro, sendo uma excelente vantagem para ficar atento aos predadores.

 


Tamanhos – Os camaleões variam muito em tamanho e estrutura do corpo, sendo que a sua dimensão pode variar de 15 a 30 milímetros — na menor espécie encontrada, a Brookesia micra — até cerca de 70 centímetros (como é o caso do camaleão de Malagasy.

Língua rápida no gatilho –  língua (chamada “balística”) do camaleão tem, aproximadamente, 1,5 a 2 vezes o tamanho de seu corpo, sendo capaz de se mover 26 vezes por segundo o comprimento do animal. Eles descreveram dessa forma porque a potência muscular dos animais varia de acordo com o seu tamanho e tipo, isto é, a velocidade relativa.

 

 

Com toda essa rapidez, o camaleão consegue alcançar e capturar rapidamente a sua presa. Isso também acontece devido ao formato da língua, que possui um tipo de bulbo muscular na ponta e que age como uma pequena ventosa capaz de sugar, fazendo com que a caça fique mais fácil.

 


Machos vaidosos – Geralmente, os machos dos camaleões são muito mais ornamentados do que as fêmeas. Ou seja, eles têm mais saliências faciais e projeções, como cristas, em suas cabeças.

 


Pouca audição – Apesar da sua visão apuradíssima, os camaleões não são capazes de ouvir muito bem. Assim como as serpentes, esses répteis não têm um ouvido exterior, abertura ou tímpano. No entanto, os camaleões não são totalmente surdos. Eles podem detectar frequências de som na faixa de 200-600 Hertz.

 


Visão ultravioleta – Os camaleões são capazes de enxergar na luz visível e na ultravioleta. Quando expostos à luz ultravioleta, eles mostram um aumento de comportamento social e níveis de atividade, além de ficarem mais suscetíveis a se aquecer, reproduzir e a se alimentar. Isso acontece porque essa luz tem um efeito positivo sobre a glândula pineal.


Vídeo de animação da série Our Wonderful Nature (Para rirmos um pouco): The commom Chameleon

 

 
 

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